<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384</id><updated>2012-02-16T18:32:16.124-03:00</updated><category term='Continuados'/><category term='Contos'/><category term='Memórias'/><category term='Recomendação de leitura'/><category term='Publicidade'/><category term='Shows'/><category term='Opiniões soltas'/><category term='Cotidiano'/><category term='Músicas'/><title type='text'>CONVERSAS EMPOLGADAS</title><subtitle type='html'>ou Quando o autor se empolga.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>79</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-1964638432782834410</id><published>2008-09-10T18:51:00.004-03:00</published><updated>2008-09-10T18:55:17.824-03:00</updated><title type='text'>Este blog morreu.</title><content type='html'>&lt;em&gt;ou&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O falecimento de um blog e a certeza da missão cumprida do autor.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É com grande pezar e cabisbaixa tristeza que comunico a morte deste blog. Não sinto vergonha de externar meus sentimentos a vocês, poucos e fiéis leitores, que acompanharam toda a trajetória do Conversas Empolgadas. Mas há muito tempo ele já se desfalecia. Vocês podem perguntar: “Por falta de tempo?” E os mais velhos vão dizer “tempo é questão de prioridade”. E o Conversas, que Deus o tenha, infelizmente foi perdendo ao pouco seu espaço no relógio deste que vos escreve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As histórias não acabaram, muito pelo contrário. Seria possível escrever anos e anos sobre tudo o que vivi apenas no mês de agosto. Porém, isso representou uma esperança para o morimbundo, daquelas que fazem o doente melhorar de repente, mas que são na verdade um último gás, um último sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Conversas viveu intensamente, e isso é que importa. Cumpriu sua missão de materializar a empolgação do autor e foi além: gerando discussões, inspirando a busca por novas histórias e motivando leitores a se embrenharem pelo mundo das letras. Só para você saberem, suas últimas alegrias antes da partida foi ver nascer o &lt;a href="http://muzakandroyalties.blogspot.com/"&gt;http://muzakandroyalties.blogspot.com/&lt;/a&gt; e o &lt;a href="http://credoemcruis.blogspot.com/"&gt;http://credoemcruis.blogspot.com/&lt;/a&gt;, sobre os quais ele tinha certeza de sua influência direta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o Conversas Empolgadas não nasceu para viver abandonado. Ele sempre se importou com o conteúdo – dele e de quem o visitava. Por isso conquistou vocês, leitores que não o abandonaram na época de vacas magras. Tenho certeza que foi pensando nisso que ele exigiu que eu desligasse os aparelhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu último pedido foi para que não houvesse um epitáfio. Lápides não suportam mais do que quatro ou cinco palavras. Ele precisaria de mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-1964638432782834410?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/1964638432782834410/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=1964638432782834410&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/1964638432782834410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/1964638432782834410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2008/09/este-blog-morreu.html' title='Este blog morreu.'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-6864871257228225568</id><published>2008-06-12T18:12:00.001-03:00</published><updated>2008-06-12T18:19:01.702-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opiniões soltas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Um post na voz de Luciano do Valle.</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana; color: black;"&gt;ou&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;O que estão fazendo com o futebol?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana; color: black;"&gt;Vendo eu e meu pai assistindo ao primeiro jogo da decisão da Copa do Brasil entre meu Corinthians e o Sport de Pernambuco, minha namorada me perguntou quando foi que eu virei corinthiano. Pergunta que, de tão fácil a resposta, ficou difícil responder. “Desde que eu me lembro por gente” disse. Ela não entendeu. “Quando comecei a andar e me deram uma bola. Eu a chutei e gritei que era gol do Corinthians”, me expliquei.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana; color: black;"&gt;Ela já havia tentado assistir a alguns jogos comigo, mas sempre achava graça ou se indignava com minhas reações diante da TV. Mas acho que a resposta sobre quando virei corinthiano mudou um pouco conceito dela sobre aqueles “11 homens correndo atrás de uma bola”. Tanto que ela decidiu assistir ao segundo jogo da decisão comigo (pé-frio?), em casa. E aí eu me surpreendi. Após os dois gols do time da casa, era ela quem estava dando chutes no ar e conversando com os jogadores em campo. Mas isso de nada adiantou. O Timão perdeu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana; color: black;"&gt;Ela virou corinthiana? Fanática por futebol? Comprou uma camisa no dia seguinte? Não, não e não. Ela simplesmente compreendeu o que o futebol representa na vida de milhões de pessoas. Pela primeira vez ela sentiu o futebol, fez do seu indivíduo uma parte indivisível da massa, fez da torcida uma fé.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana; color: black;"&gt;E por essa fé, que muitas vezes é a única na vida de uma pessoa, posto um vídeo aqui no Conversas Empolgadas. Isso aconteceu ontem, antes da transmissão do jogo. Seu protagonista é um dos mais importantes nomes do esporte no Brasil – não só para o futebol. Dentre seus feitos, transformou a Bandeirantes no Canal do Esporte, impulsionando nacionalmente modalidades como o Vôlei masculino (procure saber sobre o Desafio Brasil X Rússia no Maracanã). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana; color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana; color: black;"&gt;Pois esse homem ontem teve a coragem de expor uma (das) situação vergonhosa no “país do futebol”: uma classe do jornalismo, se é que se pode chamar assim, esportivo. Não vou comentar o vídeo pois tudo, tudo o que ele falou eu assino embaixo, inclusive os nomes citados. Assistam e, se concordarem, compartilhem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/2JYTJR9RpCs&amp;hl=pt-br"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/2JYTJR9RpCs&amp;hl=pt-br" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana; color: black;"&gt;E o que o vídeo tem a ver com o início desse post? Todos esses nomes citados pelo tão importante Luciano do Valle nunca, jamais sentiram o futebol como minha namorada ontem e milhões de pessoas desde que se lembram por gente. Eles são simplesmente aproveitadores do significado do futebol para milhões de pessoas. O meu Ibope eles não têm.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-6864871257228225568?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/6864871257228225568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=6864871257228225568&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/6864871257228225568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/6864871257228225568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2008/06/um-post-na-voz-de-luciano-do-valle.html' title='Um post na voz de Luciano do Valle.'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-2435526722721611926</id><published>2008-04-29T16:04:00.002-03:00</published><updated>2008-04-29T16:09:26.273-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opiniões soltas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Shows'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Uma conversa empolgada sobre a Virada Cultural</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;ou&lt;br /&gt;A virada cultural e mental do autor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;“Gente que vem de Lisboa&lt;br /&gt;Gente que vem pelo mar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gente que vem de Lisboa&lt;br /&gt;Gente que vem pelo mar”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Sempre me soou sensacional a idéia de ter vinte e quatro horas seguidas de shows e apresentações artísticas em São Paulo. Mas para mim, era como se fosse em outro país. Nunca me passou pela cabeça sair de casa e desbravar o centro de São Paulo recheado de muvuca, violência e shows como o dos Racionais, ano passado. Mas nesse ano, um palco especial me convencia a sair de casa.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;“Seu doutô, me dê licença&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Pra minha história contá&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu tô em terra estranha”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;E como “em terra de vizinho, boi é vaca”, peguei um tênis, bermuda velha e camiseta idem. Não cogitei ir aos shows de Gal, Zé Ramalho e Sá Rodrix e Guarabira, que foram no sábado, à noite. Um engano, se eu soubesse. Saí de casa lá pela uma da tarde no domingo. Peguei o metrô que, além de funcionar em tempo integral durante a Virada, oferecia um bilhete promocional especial para iria curtir o evento. Fui direto para o Mercado Municipal, que nesse final de semana se chamava Mercado Caipira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Lá vi Tinoco, do Tonico, apresentando a dupla mato-grossense Cacique e Pajé, dois índios violeiros que convidaram a entrar no palco um contador de causos e tocador de berrante muito bom. Enquanto ouvia aquelas modestas modas, já sentia que estar ali era uma coisa que eu deveria estar fazendo desde às 18h do dia anterior.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Mas eu não fui até para vê-los, apesar de serem ótimos. Além de seus vitrais, pastel de bacalhau e sanduíches de mortadela, o Mercado contaria com a presença de Pena Branca, um dos meus grandes ídolos – e aquele me convenceu a ir, finalmente, na Virada. Quando Cacique e Pajé encerraram simpaticíssimos seu show, o palco começou a ser preparado para o Pena Branca. Eu esperava que entrassem com ele mais um violeiro e no máximo um sanfoneiro. Me assustei.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Entraram sim um violeiro e um sanfoneiro. Mas subiram ao palco também duas animadas garotas com seus instrumentos de percussão e um músico que chamava atenção pelo que carregava: um contra-baixo, um violino e uma rabeca. Nessa hora tive certeza: esse seria um dos melhores shows da minha vida. Não me enganei dessa vez.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;“Oh Deus salve o oratório&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Oh Deus salve o oratório&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Onde Deus fez a morada, oiá, meu Deus&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Onde Deus fez a morada, oiá&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Onde mora o Calix Bento&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Onde mora o Calix Bento&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;E a hóstia consagrada, oiá, meu Deus&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;E a hóstia consagrada, oiá&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;De Jessé nasceu a vara&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;De Jessé nasceu a vara&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;E da vara nasceu a flor, oiá, meu Deus&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Da vara nasceu a flor, oiá&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;E da flor nasceu Maria&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;E da flor nasceu Maria&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;De Maria o Salvador, oiá, meu Deus&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;De Maria o Salvador, oiá”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Foi com Calix Bento, uma das minhas músicas preferidas, que ele abriu um show, logo depois de cumprimentar o público com um sonoro: “Bããããão?” e depois da respostas das pessoas: “Bão tamém”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Nunca tive conhecimento de um grupo caipira, mas a harmonia daqueles instrumentos em cima do palco era perfeita. A rabeca conversava com a viola, que rasqueava acompanhada do acordeon, que era interessantemente surpreendido pelos repiques da animada percussão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Cuitelinho, Gente que vem de Lisboa, O cio da terra, Vaca Estrela e Boi Fubá, Moreninha linda e Cabelo Loiro foram algumas das passagens que Pena Branca me ofereceu para ir para casa. Aceitei todas, cantei em voz alta, de olhos fechados e jeito tímido, bem caipira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Apesar de curto, o show se encerrou com a certeza geral de que aquela figura que tanto brincou com o público era um dos maiores expoentes da música nacional. Mas num era, uai? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Tomei o rumo de casa, mas estava animado demais com o que a Virada tinha acabado de me proporcionar. Decidi ver o que mais estava rolando pelo antes temido centro de São Paulo - uma das melhores escolhas que fiz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Passei por uma balada que acontecia em frente ao Mosteiro de São Bento. Como? Música eletrônica em frente a uma igreja? Sim. A balada era silenciosa. Os DJ’s distribuíam fones de ouvido. Quem ficou de fora, achou coisa de maluco ver aquelas pessoas dançando sem só nenhum. Que aceitou a brincadeira, adorou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;De lá passei no Palco Instrumental e fiquei fascinado pela idéia: durante as vinte e quatro horas, o palco deveria ser freqüentado por um número determinado de músicos que improvisavam o tempo todo. Saía um, entrava outro e a música continuava. Sensacional.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Mas eu não queria ficar parado em um palco só. Andei até o palco de capoeira, depois até o Teatro Municipal – que contava com uma fila imensa -, passei por um grupo de teatro e um circense. Fantástico. Cultura no ar, respirando inspiração. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Na São João, o palco estava sendo preparado para o Jorge Ben Jor. Continuei caminhando até ouvir de novo o som tão bom da viola: era Inezita Barroza, emocionada por fazer um grande show no centro da capital paulista. &lt;i style=""&gt;“A marvada pinga é que me atrapáia”&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Droga. 17h. O dia já estava acabando e eu só vi isso! Quero mais! Mais Virada Cultural! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Corri até o palco onde sabia quer iria encerrar com chave de ouro a rodada de shows: Boteco de Bambas. De novo, não me enganei. Já haviam passado por ali Nelson Sargento e Dona Ivone Lara. Quando cheguei, Quinteto em Branco e Preto agitavam aquele dia, quase noite, que não queria acabar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;“Chora&lt;br /&gt;A comunidade chora”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;E já emendavam:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;“Vejam&lt;br /&gt;essa maravilha de cenário”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Ahhh! Meu Deus! Quando começa a Virada Cultural do ano que vem? A sensação que fica é que no ano que vem quero participar das 18h às 18h, sem pausa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-2435526722721611926?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/2435526722721611926/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=2435526722721611926&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/2435526722721611926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/2435526722721611926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2008/04/uma-conversa-empolgada-sobre-virada.html' title='Uma conversa empolgada sobre a Virada Cultural'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-6613112116359668357</id><published>2008-04-24T19:55:00.004-03:00</published><updated>2008-04-25T11:02:42.226-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opiniões soltas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Eu, o coisa ruim.</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;ou&lt;br /&gt;Por que para alguns o autor usa o próprio sangue como tinta para escrever esse blog.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Acontece que no trabalho andam me chamando de diabo, coisa ruim, filho do demo, Lúcifer, Belzebu, cão, grão-tinhoso, filho de chocadeira, anticristo, encardido, Satanás, Mefisto, capeta, Satã, excomungado ou simplesmente, Aquele.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Como eu não tenho um rabo pontiagudo, não ando com um tridente na mão, tampouco tenho chifres nem sou vermelho, acredito que minha relação com o filho de chocadeira seja pela representação do mal. Mas como, logo eu, que estudei toda a minha vida em colégio de freiras, me tornei parecido com um ser metade homem, metade bode, com pentagramas invertidos tatuados no corpo? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Para descobrir, vamos retomar a história desse personagem tão intrigante. Acredito que conheci o coisa ruim em uma história que ele tinha forma de cobra, oferecendo uma suspeita maçã para jovem casal que andava desnudo e sozinho pelo paraíso. Jovens, desnudos e sem ninguém para tomar conta, é claro que eles iriam experimentar da fruta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Depois disso, escutei pela boca da Irmã Luci, minha professora de catecismo e cruzeirense fanática, que o excomungado tentou Jesus enquanto este vagava em grande agonia por um imenso deserto. Dizem que a tentação apareceu para o Filho de homem em forma de mulher. Se fosse em forma de água, não sei se a história seria diferente. Até iria perguntar isso para Irmã Luci, mas nesse dia ela estava salvando minha vida: a Irmã Julita, madre do colégio, sabia que eu estava matando aula para assistir Itália X Coréia pelas oitavas de final da Copa do Mundo. E eu estava mesmo, junto com minha amiga cruzeirense fanática, que achava linda a torcida oriental toda de rosa. Mas acontece que a Irmã Julita nos encontrou. Na hora, pensei: “Estou suspenso”. Mas foi aí que interveio a Irmã Luci e disse: “Ele só está tirando uma dúvida comigo sobre o catecismo”. A tal dúvida seria sobre a tentação em forma de copo d’água para um homem que está no deserto, mas a gente não esperava que a azurra fosse perder aquele jogo e acabei esquecendo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Para quem achou estranho, está certo mesmo. Na Copa de 2002 eu tinha 14 anos e estava fazendo catecismo. Atrasado? Muito velho? Não para quem só batizou com sete anos, depois de uma forte pressão da avó. Será que isso já era um sinal do que viria a me tornar?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Bom, depois do episódio acima, comecei a escutar histórias mais racionais sobre o demo. A que tem mais sentido para mim é a versão de que o tal foi uma invenção da Igreja Católica logo em seus primórdios, pois estava perdendo fiéis para o paganismo. Assim, criaram um símbolo de toda maldade, que representa assustadoramente o oposto das características e poderes de Deus. Com isso, os fiéis ficaram com medo e se mantiveram ajoelhando e fazendo o sinal da cruz sempre que entram em uma casa do Senhor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Depois que saí do colégio li alguns livros em que o capeta aparecia. O primeiro foi a &lt;i style=""&gt;Divina Comédia&lt;/i&gt;, de Dante Alighieri. Eu não sei quantos portões do inferno abriram suas portas para mim. Achei o livro bem difícil na época. Em compensação, em &lt;i style=""&gt;O evangelho segundo Jesus Cristo&lt;/i&gt;, de José Saramago, me fez olhar o cão com outros olhos. Nesse livro, há um diálogo sensacional entre Jesus, Deus – o pai dele – e o encardido. E aí ficou claro: não existe Deus sem o Belzebu, assim como não há céu sem o inferno, nem bem sem o mal, nem felicidade sem a tristeza, nem paz sem a turbulência, nem claro sem o escuro e por aí vai.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;E se o bem e o mal sempre andam emparelhados, a comparação entre eles é inevitável. Vamos lá: as meninas da escola gostavam mais dos meninos bonzinhos ou dos malvados, que sempre as maltratavam? Ponto para o mal. Entre um PHD em biologia marinha e um especialista em emitir todo o alfabeto em um único arroto, qual é o mais legal? Dois a zero para mal. Esta vai para os leitores homens: duas meninas estão dando mole para você. Você prefere a que tem fama de anjinho ou a que foi fantasiada de diabinho na última festa à fantasia? (E não vale responder: “É só pra pegar ou pra namorar?”) Pronto. Três a zero, goleada do Satã.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Mas acontece que eu nunca fui aquele que maltratava as menininhas na escola. Muito menos consegui arrotar as vogais. E passei muito longe de pegar a diabinha. Então por que me chamam, logo eu, de a encarnação do anticristo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Talvez seja porque eu adorei quando o Edílson fez embaixadinhas na final contra o Palmeiras. Ou quando o Kérlon, o foquinha, faz suas gracinhas para irritar o adversário. Também pode ser porque eu compartilhei das piadas sobre atirar alguma coisa do sexto andar ou elogiar alguém usando o termo “moça bonita”. Ou até mesmo porque eu amo o House, uma boa ironia e uma maldade bem encaixada. Fala sério, quem não riu da hilariante idiotice de um pároco se batizar “O padre voador”, amarrar mil bexigas nas costas e alçar vôo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Acontece que eu odeio o tal do politicamente correto tão vigente hoje em dia. Me irrita muito um debate político com “rasgação de seda”. Ou uma entrevista que começa com “Temos que respeitar o adversário”. Arrrrrrrrre! Como é chato! Isso se reflete bem em publicidade. Hoje o CONAR bane publicidade de bola porque uma criança pode machucar caso um amiguinho com um chute forte demais. Esse ano saiu um projeto de lei que proíbe qualquer piada que cite homossexuais. Falou "viado", pode ser preso! Não é demais? Fique sabendo de uma organização GLS que processou o Maurício de Sousa porque em um de seus gibis o Cebolinha chamou o Cascão de "menininha". É ou nã é um crime?&lt;br /&gt;Ah, claro. Não posso esquecer de que hoje não pode chamar preto de preto. E se usar o termo "negro" , que não seja da maneira pejorativa. E o anão que virou "deficiente de características verticais"? Pelo amor de Deus, vai? Ou seria do Diabo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Para mim não tem coisa mais aporrinhadora do que em uma conversa em que o interlocutor inicia todas as suas frases com “Na minha opinião...” ou “Assim, o que eu acho...”. É claro que é a sua opinião, eu perguntei pra você, oras. Ou então “Não que não esteja bom, mas...” Ahhhhhhhhh! Ninguém vai bater porque falou que é ruim! Quando escuto isso, me dá até vontade de me defenestrar do sexto andar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;“&lt;i style=""&gt;Você já trabalhou com essa pessoa, né? Ela é boa?&lt;/i&gt;” Resposta: “Não”, se ela não for. “Sim”, se ela for. Aí você dá os porquês. Mas jamais um “olha, assim, pode ter sido comigo, não sei, mas...” Se for pra ser assim, prefiro que meu sobrenome seja grão-tinhoso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;E também, sabendo de toda aquela história de que não existe o bem sem o mal, não pode haver o politicamente correto sem o impoliticamente correto, certo? Eu prefiro integrar esse time. Desde que a camisa seja vermelho-sangue, é claro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-6613112116359668357?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/6613112116359668357/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=6613112116359668357&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/6613112116359668357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/6613112116359668357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2008/04/eu-o-coisa-ruim.html' title='Eu, o coisa ruim.'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-651953278002394705</id><published>2008-04-22T18:36:00.003-03:00</published><updated>2008-04-23T13:57:21.370-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>A vingança, arremessada pelo sexto andar.</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;ou&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;A versão rodrigueana do autor sobre o crime que abalou o país.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Obs&lt;sup&gt;1&lt;/sup&gt;.:&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt; Qualquer coincidência de nomes, graus de parentesco, fatos e conclusões da Polícia Científica não passa de uma.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Obs&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt;.:&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt; Esse texto não tem a intenção de exprimir mais uma opinião sobre a coincidência acima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A entrevista&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;“Somos completamente inocentes.” Foi o que disse a madrasta acusada, na primeira entrevista do casal após o crime. Mas nas ruas, a opinião era unânime: “Safados, sangues-frio, deveriam ser presos e julgados à voto popular. Se não isso, mereciam ser expostos em praça pública para que o povo decidisse seu destino.” Entretanto, como já disse, toda unanimidade é burra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A perícia&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;“Eu jurei, diante do caixãozinho dela, que não sossego enquanto não descobrir quem fez isso com ela”, foi uma das frases do pai. Mas enquanto ele dizia isso, a minuciosa perícia da Polícia Científica concluía que os fatos foram os seguintes: a confusão começou no carro, enquanto voltavam do supermercado, onde a madrasta bateu na menina, que deixou nele uma prova cruel: seu próprio sangue. Como João, aquele do conto infantil Homônimo e Maria, deixando migalhas de pão como pistas do caminho, seu rubro e infantil líquido das veias marcaram todo o caminho do carro até o quarto, “todo enfeitadinho, do jeito que ela queria”. No quarto, aliás, os peritos descobriram que o sangue caiu de uma altura de 1,25m, precisamente a mesma de quando o pai, agora acusado de assassinato, carregava sua filha. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Além disso, para estancar o sangue da garota, os pais, antes maiores instituições da constituição familiar, hoje, talvez assassinos, usaram uma fralda que foi encontrada mergulhada no tanque junto a um produto que em sua propaganda prometia retirar qualquer tipo de manchas, mas não dizia para ser usado com resíduos humanos. “Isso não existe”, foi o que disseram eles na então entrevista.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Mas a perícia não parou por aí. Ao confundir o estado desacordado da filha, resultante da asfixiante ira da madrasta, o pai acreditou que sua “mocinha” estivesse morta. Então, usou a tesoura para cortar a grade proteção da janela e colocou a filha do lado de fora. Os resquícios da grade em sua camiseta, que ali estavam devido a uma forte pressão entre os dois corpos – grade e camiseta, e não pai e filha -, garantiam esse fato. Depois disso, abriu cada um de seus dedos a uma altura de seis andares e entregou a menina à morte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;12 minutos depois o resgate foi chamado. Em pouco tempo a polícia também chegou e desconfiou da versão contada pelos presentes na cena: uma terceira pessoa fez isso com a menina. Começava aí um dos maiores circos da mídia moderna.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;O circo da mídia&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Garantindo um aumento de 15 pontos no Ibope, a notícia esteve presente em todos os telejornais. O prédio da infelizmente famosa janela do sexto andar logo ganhou uma pequena multidão na entrada. A delegacia onde os envolvidos prestavam depoimentos ficou lotada – em São Paulo não foi registrado mais nenhum crime. Tanta gente que vendedores de algodão doce e pipoqueiros também marcaram presença, mas não para gritar “Justiça!” ou “Covardes!”, mas anunciando seus produtos mesmo. Após a entrevista, psiquiatras forenses analisaram cada uma das falas e reações “O tempo todo eles dizem que são uma família harmoniosa, mas em momento algum se olharam, se deram as mãos”. A emissora para a qual o casal a concedeu a entrevista ganhou um bom dinheiro revendendo as imagens para outros canais. E até um padre, famoso por suas missas recheadas de discos de platina e &lt;i style=""&gt;top 10&lt;/i&gt;, realizou um show pela paz. E nele estavam presentes milhares de pessoas, inclusive uma, que passou despercebida durante toda a história.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Os principais envolvidos na história são o pai, a madrasta e a menina. Os dois primeiro garantem, como álibi, que uma terceira pessoa esteve no apartamento e cometeu o crime. Mas quem? “É isso que nós gostaríamos de saber”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Os envolvidos&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;“Nunca encostei um dedo dela”, disse o pai. “Um dedo”, completou a madrasta. “Somos uma família harmoniosa”, emendou o primeiro. “Temos brigas sim, mas toda família tem”, continuou a segunda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Era nítido que não se amavam. Pelo menos não naquele momento. O pai, pintado como um dissimulado, esboçava algum sorriso. A madrasta, que carregava nesse título todo o terror das histórias infantis, chorava compulsivamente. Porém, se madrasta é, está substituindo uma figura de fundamental importância na instituição social primária. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A mãe da menina assassinada foi protagonista em pelo menos de dois momentos durante toda a história. O primeiro era no depoimento, no qual disse que a filha nunca reclamou de nada quando chegava da casa do pai. O segundo era no tal show da paz, realizado pelo padre. Lá, ela apareceu sorrindo e cantando. Sorrindo talvez por ter conseguido o que tinha sido o combustível de sua vida por tanto tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A história de antes&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Eles se conheceram no colégio. Ela usava meias até o joelho e saia rodada. Ele, gel no topete e jaqueta de couro. Ela se apaixonou quando ele se agachou para pegar o material seu material que tinha deixado cair. Ele, quando ficou sabendo, através das amigas dela, que ela o desejava tão bem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Casaram-se após quatro ansiosos anos para ela. Para ele, após um golpe de barriga que caiu feito um pato. Antes apaixonados, eles passaram a morar juntos sem trocar uma palavra. A menina cresceu sem presenciar um beijo do pai na mãe, mas sim, em suas amantes, que o homem fazia questão de levar em casa e lhe servir o café da manhã.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Nesses anos, enquanto a filha crescia na mesma proporção que o ódio de seus genitores, conseqüências terríveis marcariam para sempre a vida dessas três tristes almas. O pai, crente que foi vítima do golpe e que perdeu para sempre sua vítima, procurava fora de casa o amor que não tinha em casa. A mãe passou a ver a filha como o agente causador da discórdia entre ela e seu amado, semente que germinava distância entra ela e seu príncipe. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Era um sábado quando a mãe chegou em casa e encontrou o guarda-roupa vazio. No quarto da filha não mais estava o a caminha, as roupinhas e os brinquedos. Uma carta do marido dizia que não se veriam nunca mais. Que ela podia esquecê-los. Que foi um erro começar aquilo tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;O desfecho&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Lá, ela apareceu sorrindo e cantando. No show-missa, enquanto todos se mostravam indignados pelo cruel pai e terrível madrasta que matam a própria filha, só uma pessoa alcançara a verdadeira paz. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;O crime foi minuciosamente tramado. A madrasta nunca saiu de casa para ir ao supermercado. Antes de ir para casa encontrar o marido e irem juntos com os filhos ao supermercado, um lenço umedecido a desmaiou na saída do trabalho. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Em um ato frio, a mãe a arrastou para dentro do seu carro, dentro do qual tirou a roupa da desacordada e vestiu-a. Era o começo de seu disfarce. Com uma máscara de resina e esmalte, um penteado idêntico e a mesma maquiagem exagerada, ela passou pela madrasta. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Daí em diante a perícia acertou em tudo. E a criminosa também. Lá, no show-missa pelo fim da violência, ela apareceu sorrindo e cantando. Tinha alcançado sua verdadeira paz.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-651953278002394705?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/651953278002394705/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=651953278002394705&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/651953278002394705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/651953278002394705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2008/04/vingana-arremessada-pelo-sexto-andar.html' title='A vingança, arremessada pelo sexto andar.'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-6332506621112115627</id><published>2008-03-25T22:07:00.005-03:00</published><updated>2008-03-25T22:14:51.303-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>A cozinheirinha chinesa.</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;ou&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;"Intecâmbio".&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Rua Domingos de Moraes, Largo do Ana Rosa, Vila Mariana. Na saída do metrô, o cheiro do tradicional e oleoso yakisoba de rua de São Paulo atrai misteriosamente quem passa. O “glande”, R$ 4,00. O “pequeno” (grafia certa, pronúncia engraçada), R$ 3,00. Jantar barato e com sustância. &lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;                  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;- Por favor, qual é o tamanho do grande?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- “Glande”, “glande”. “Pequeno”, “pequeno”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Mas o grande é muito grande?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- “Glande” quatro “leais”. “Pequeno” “tlês” “leais”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Tá bom. Me vê um pequeno, por favor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- “Pequeno” “tlês” “leais”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Isso, o pequeno.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Tá bom.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;                  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Óleo, fatias de frango (bem pouco), repolho, sal, macarrão (muito macarrão) e shoio. Simples, rápido e saborosíssimo. &lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Enquanto apreciava a arte milenar de se cozinhar na rua e as unhas sujas da &lt;i style=""&gt;chef&lt;/i&gt;, habilmente ela jogou minha janta na pequena embalagem de isopor. Entreguei os três reais para ela e achei que a história tivesse acabado ali, como é o normal. Nada. O melhor estava por vir. &lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Kasimoa urgima huanga?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Como?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Uruki bariowa jimegi?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Desculpa, não entendi.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Kuanda irishio! – Disse ela, em um princípio de grito, incrédula por eu não conseguir entendê-la.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Eu poderia ter simplesmente desistido daquele filme do Jet Li que estava vivendo e seguido meu caminho. Mas uma revolta patriótica me fez retrucar aquela imigrante e trabalhadora ilegal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;- Eu. Moro. Brasil. Eu. Falar. Português. – continuei. - Você. Mora. Brasil. Você. Falar. Chinês. – aqui falei ainda mais pausado. - Ou. Você. Falar. Português. Ou. Você. China.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt; – WAROSHI RAMIRO FUJIENCA! – Falar ela não falava, mas entendia bem. – KON LI RIROZIMA!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Eu. Não. Entendo. Chinês!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- YOZIMA ZIROKI KIOGIMA SHIONIRO KON FURAJI. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Aceitei o desafio.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;                            &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;- Paralelepípedo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- KUSIZ YOUN MUNRIZOCA!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Inconstitucionalissimamente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- KORISHO UJIMAKATO YAMAHA WAUOSHIMA NAGASASHO!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Qüiproquó.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- ZIROKI KIOGIMA SHIONIRO KON FURAJI WAROSHI RAMIRO FUJIENCA!!!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Cu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- NAGASASHO WAUOSHIMA UJIMAKATO ZIROKI YOZIMA ZIROKI KIOGIMA SHIONIRO KON FURAJI!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Miojo é muito melhor!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- NAGASASHO WAUOSHIMA UJIMAKATO ZIROKI YOZIMA ZIROKI KIOGIMA SHIONIRO KON FURAJI UJIMAKATO ZIROKI YOZIMA ZIROKI KIOGIMA SHIONIRO KON FURAJI!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Não quero comprar tênis “nike”! (leia-se nique)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- ZIROKI YOZIMA ZIROKI KIOGIMA SHIONIRO KON FURAJI UJIMAKATO ZIROKI YOZIMA ZIROKI KIOGIMA SHIONIRO KON FURAJI!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Eu não tenho culpa se o Stand Center fechou! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- KON LI RIROZIMA! – e desabou em lágrimas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Droga. Tinha feito aquela cozinheirinha chinesa tão trabalhadora chorar. Estava me sentindo mal. Minha consciência pesou. Mesmo que ela não pague imposto, acaba alimentando milhões de brasileiros. Demonstrei meus sentimentos pra ela, como um pedido de desculpas. Acabei comprando um pen “dlive”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-6332506621112115627?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/6332506621112115627/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=6332506621112115627&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/6332506621112115627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/6332506621112115627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2008/03/cozinheirinha-chinesa.html' title='A cozinheirinha chinesa.'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-4199850212543367592</id><published>2008-03-24T18:19:00.001-03:00</published><updated>2008-03-24T18:19:48.283-03:00</updated><title type='text'>Resultado da pesquisa</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;ou&lt;br /&gt;A verdade dói.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Não posso começar qualquer post sem antes pedir desculpas ao público fiel (mãe?) do Conversas Empolgadas que por algum tempo veio até aqui e não viu atualização. Desculpem-me. Descobri que ócio criativo é uma bela desculpa no trabalho que não funciona mais. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Além disso, nesse período de tempo, uma pesquisa de satisfação dos leitores (mãe?) foi finalizada. Eu não sabia que a singela pergunta: “&lt;b&gt;Muitos (dos poucos) leitores que o Conversas Empolgadas conquistou dizem que os posts são muito, muito grandes. Sabendo que são raros os que chegam até o fim, até onde você lê?&lt;/b&gt;” podia trazer respostas tão sinceras. Eis o resultado oficial:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;10% disseram que lêem apenas título e subtítulo, assim como lêem jornais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;15% sugeriram mais imagens para o blog.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;21% culparam a quantidade de texto do blog pela ardência nos olhos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;52% confessaram que raramente chegam ao final de um texto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Respostas sinceras, autor também. Mentira. Como diria Cazuza, mentiras sinceras me interessam. Custava alguém responder que pelo menos uma vez leu um post até o final? Ok, vou me especializar em &lt;a href="http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&amp;amp;q=haicai+&amp;amp;btnG=Pesquisar&amp;amp;meta="&gt;haicai&lt;/a&gt;. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Quando eu era pequeno e estava contando uma história (o hábito é velho), odiava quando o interlocutor fingia que me escutava enquanto se embrenhava em seus próprios e mais interessantes pensamentos. Nessas horas, eu enfiava um fato absurdo no meio da história. Por exemplo: “Vovó! Vovó! Hoje no colégio eu fiz três gols! O primeiro foi de cabeça, com o cruzamento do Jéferson. O segundo foi de letra! E no último a Irmã Lucijane apareceu, levantou a saia e deixou a gente ver tudo!” Ela só afirmava com a cabeça.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Assim, não é a toa que hoje o Fidel Castro renuncia bem embaixo do nariz do capitalismo selvagem e da volta dos irmão Cavalera enquanto o Obama entra para história com um discurso sobre raças. Mal sabem eles que, freiras à parte, o Rio é onde eu quero morar. (mãe?)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-4199850212543367592?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/4199850212543367592/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=4199850212543367592&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/4199850212543367592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/4199850212543367592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2008/03/resultado-da-pesquisa.html' title='Resultado da pesquisa'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-1330540338439563727</id><published>2008-03-24T17:52:00.001-03:00</published><updated>2008-03-24T17:53:13.690-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Reflexos e transparências</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;ou&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Refletindo transparências.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;As pernas não mais aparentavam ter a força de antes. Tampouco tinham. Estavam bambas, fracas, gastas. Contudo, continuavam cruzadas elegantemente. Cocho, a direita, enquanto esticada e apoiada, acabava por tirar a esquerda do chão. Alinhadas, como a de uma top model, ou não, como a de um soldado da cavalaria, sustentavam todo o corpo, o que fazia parecer que eram maiores que este.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;O corpo não era surpreendente. Sua aparência não era moderna. Seu estilo conquistava somente &lt;i style=""&gt;kitschs&lt;/i&gt;. Rechonchudo, tinha uma longa circunferência que chamava atenção por onde passava. Não era novo, também não era velho. Tinha as marcas do tempo, mas não escondia as rugas. Seu ar remetia seriedade e conhecimento. Quem o cruzasse julgava-o estar vindo ou indo de uma biblioteca, cinema ou teatro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Pela manhã, era sempre visto com o jornal diário. E também com um pacote de papel marrom, onde se podia ler “Servir bem para servir sempre”. Pela praça, seu caminho de quase-aposentado, frequentemente a poeira o incomodava. A chuva também, mas com essa estava acostumado: um lenço à mão já resolvia seu problema.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Pela tarde, refletia as opiniões da TV, sua principal companhia, assim como pela manhã fazia com a manchete do dia. Foi do infindável tempo que passava no sofá que ficou cocho. Mas hoje de nada já importava, isso não o atrapalhava em qualquer atividade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;À noite, devido a pouca iluminação, resumia-se a se abandonar em uma poltrona. Antes do sono que não tinha, recebia sua visita. E ao contrário de todo o dia, essa hora não refletia nada. Apenas transparecia um olhar triste de mentira, de raiva, de remorso, de dúvida e de arrependimento. A visita se ia poucos minutos após ter vindo. Via-se então, por trás dele, as costumeiras lágrimas de seu dono, que o tirava calmamente do rosto. A perna direita era dobrada primeiro e a cocha vinha logo em seguida. No nariz do velho ficavam as marcas do peso de seu aro grosso e redondo. E com as mãos tremendo, o triste homem deitava-o em seu criado-mudo embaixo da janela, refletindo somente o nome do asilo no portão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-1330540338439563727?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/1330540338439563727/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=1330540338439563727&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/1330540338439563727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/1330540338439563727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2008/03/reflexos-e-transparncias.html' title='Reflexos e transparências'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-2559861986190343903</id><published>2008-02-18T11:21:00.000-03:00</published><updated>2008-02-18T11:22:24.758-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias'/><title type='text'>O vigésimo terceiro</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;ou&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;“Não sou jovem o suficiente para saber tudo.” Oscar Wilde&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Foi o vigésimo terceiro a chegar. E chegou silencioso, com ar sério. Pareceu ser o que impunha mais respeito aos outros vinte e dois. Talvez por ser o mais experiente, talvez por ser o ainda desconhecido. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Não que ele tenha se atrasado, mas foi o último a chegar. E a reunião não podia começar sem ele. &lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;“Bom dia.” – disse, abrindo um bonito sorriso. “E aí?”, “Beleza?”, “Bão?”, “Oi!” - responderam a sua maneira alguns dos vinte e dois. Os que ainda não sabiam falar sorriram e emitiram seus sons por entre as gengivas que até já mostravam alguns dentes. “É muito bom encontrá-los no dia de hoje. Por mais que eu tente evitar os clichês tão comuns nessas datas, sem você eu não existiria.” - continuou ele, atendo aos olhos observadores do décimo nono, vigésimo e vigésimo primeiro. Os outros décimos perdiam-se em viagens próprias, apesar de parecerem estar muito concentrados no que ouviam. Os de apenas um dígito corriam pela sala, gritavam, choravam ou dormiam. Mas a respiração profunda do vigésimo segundo foi o som que tomou a sala. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;“Aliviado, vigésimo segundo?” – perguntou o vigésimo terceiro. “Muito.” – respondeu o interlocutor. “Aliás” – continuou – “mais feliz que aliviado. Ou não. Sei lá. Estou aliviado sim, mas bastante feliz acima de tudo.” Com os olhos, o vigésimo terceiro pediu que continuasse. E ele assim o fez. “Quando eu estava aí na sua posição, tinha algumas coisas grandes pela frente. Estava no meio de um trabalho de conclusão que o décimo nono já tinha me avisado que seria traumático. Além disso, tinha que ganhar espaço no trabalho para me formar já empregado. E sabe? Conquistei tudo o que um vigésimo segundo pode conquistar. Estou orgulhoso, aliviado, porque sentia uma certa pressão, e feliz, por ter conseguido tudo o que consegui.” – E ao finalizar, os olhos do décimo sexto pra cima estavam todos virados para ele, surpresos, contentes. &lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;“E eu achando que era muito passar no vestibular” – disse o décimo sétimo. “Nem me diga! Achei que seria impossível levar o primeiro ano do colegial junto com o basquete!” – acrescentou o décimo quinto. “Hahaha e eu que queria ir pra Franca ou Ribeirão jogar basquete profissionalmente?!” – dava gargalhadas o décimo quarto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;“É, senhor vinte dois, parabéns. Realmente fiquei muito feliz ao olhar pra trás e ver seus méritos. Foi bom, né?! ... Mas agora é minha vez.” – e toda a sala se calou, inclusive os primeiros, quando o vigésimo terceiro se mostrou um pouco mais sério e preocupado ao dizer isso. &lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;“Relaxa, são todos iguais” – gritou o quinto, que nada tinha falado ainda. “Só não tem mais bolo de trenzinho e guaraná com capinha do He-Man.” E todos riram muito, desejando boa sorte ao tranqüilo vigésimo terceiro. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;a href="http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/02/1802.html"&gt;http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/02/1802.html&lt;/a&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-2559861986190343903?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/2559861986190343903/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=2559861986190343903&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/2559861986190343903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/2559861986190343903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2008/02/o-vigsimo-terceiro.html' title='O vigésimo terceiro'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-4723629980472963225</id><published>2008-02-13T14:10:00.001-03:00</published><updated>2008-02-13T14:12:51.322-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Músicas'/><title type='text'>Reencontro</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;ou&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;1&lt;sup&gt;as&lt;/sup&gt; namoradas e inspirações do Rio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Na cartinha entregue cheia de vergonha, os versos falavam de flores e jardim. No traço marcado pela pouca idade da letra, sois e luas juravam e revelam as primeiras declarações de amor. Ela, com 10 e cheia de pintas no rosto, tinha as maçãs do rosto coradas e aquecidas enquanto li a carta. Ele, aos 11, esperava a tão demorada resposta em frente à cantina do colégio. As amigas vieram lhe trazer o que ele tanto aguardava. Correu para o banheiro, onde podia ler a resposta sem que nenhum dos meninos o caçoasse. Seus olhos brilharam. Finalmente estava namorando.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;...&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;A chuva se mostrava incessante. A ressaca de reveillon do Rio de Janeiro vinha dessa forma. O Túnel Rebouças fora interditado de novo devido a desabamentos, bairros afastados estavam alagados e em algumas cidades próximas fora proclamado estado de calamidade pública. Definitivamente, os jornais cariocas do primeiro mês do ano deveriam ser os mesmo desde que ele se mudou para lá, há alguns anos. &lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Mas o Rio, o Rio continuava maravilhoso. Mesmo com o Cristo acima das nuvens densas e cinzas, as praias se mantinham lotadas, e seus vendedores ambulantes poliglotas faziam o mês em um dia. A preparação para o carnaval estava no auge. As quadras das escolas de samba atraiam os locais e os turistas. E no samba, as diferenças entre eles ficavam óbvias, desde como os pés se mexiam até a crença em um resultado honesto do desfile. Mas isso pouco importava. Nesse ano, os blocos começaram a ser redescobertos e tomavam as ruas. O clima estava ótimo e a chuva não impedia o futevôlei diário pela manhã. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;A paixão pelo Rio o arrebatara há alguns anos. E uma outra estava o invadindo por esses dias. Conheceu a escocesa no Rio Scenarium, um bar localizado no centro antigo – e talvez por isso tanto o fascinava. Ele fora com os amigos, mas uma ida ao banheiro fez com que passasse por um grupo de britânicos animado com as descobertas que fizeram em terras brasileiras. Mais pelo estilo do que pela beleza, a escocesa logo chamou sua atenção. Ele, negro, alto e swingado, era exatamente o que ela esperava encontrar no Brasil.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Era um romance com data de validade. Os dois sabiam que duraria até o vôo Rio de Janeiro – Paris / Paris – Edimburgo partir do Aeroporto Santos Dummont. E a data marcada na passagem estava chegando. Resolveram então se despedir no mesmo lugar onde se conheceram: o primeiro andar do Rio Scenarium, do lado direito da pista, perto da cadeira de dentista antiga. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Nesse dia, um grupo no palco homenageava o inesquecível Cartola. Com “&lt;i style=""&gt;Oh! Minha romântica senhora Tentação, / Não deixes que eu venha a sucumbir&lt;/i&gt;”, os dois se fizeram um só no grande sofá no estilo &lt;i style=""&gt;kitsch&lt;/i&gt;. Quando o grupo entoou “&lt;i style=""&gt;Verde que te quero Rosa - é a Mangueira / Rosa que te quero Verde - é a Mangueira&lt;/i&gt;”, improvisaram uns passos de gafieira em frente ao palco. E ao som de “&lt;i style=""&gt;Escurinha / Tu tem que ser minha de qualquer maneira / Eu te dou meu barraco / Te dou meu boteco&lt;/i&gt;”, ele lhe explicou o que significava “escurinha” e os dois brincaram com o contraste entre eles. Mas foi ao ouvir os versos “&lt;i style=""&gt;Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho / Vai reduzir as ilusões à pó&lt;/i&gt;” que ele reencontrou aquelas pintas que ele não via desde os 14 anos.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Nesse instante, uma viagem inesperada o tirou do salão e o levou direto para sua cidade natal. Disse que iria ao banheiro (assim como fez quando recebeu a carta-resposta aos onze anos) e deixou a escocesa esperando-o no sofá. Quis rever para acreditar. E o fez. Seus olhos procuraram os olhos dela. Como há mais de 15 anos, suas maçãs do rosto ficaram coradas e aquecidas quando seu olhar cruzou com o dele. Pela sua reação, um tipo de tropeço, um tipo de engasgo, ela também fez a viagem. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;“&lt;i style=""&gt;Nosso lar, em nosso lar sempre houve alegria / Eu vivia tão contente / Como contente ao teu lado estou&lt;/i&gt;”. Esses eram os versos que cantavam quando ela veio em sua direção.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;                                        &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;- Nossa! Meu Deus! Quanto tempo! – Disse ela.&lt;br /&gt;- Uau. Pois é. Quase não te reconheci. – Mentiu ele.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;“&lt;i style=""&gt;Tive, sim / Outro grande amor antes do teu&lt;/i&gt;”&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Ela sorriu e emendou:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Ah, isso é impossível! A gente não mudou nada! Olha só você! – Riu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- E o que você faz por aqui?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;“Tive, sim / O que ela sonhava eram os meus sonhos e assim”&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Estou de férias. Vim com uns amigos. E você?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Eu moro aqui. Aqui no Rio, digo, não aqui no bar. – Brincou. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Sério? Quem diria, hein?! De Minas para o Rio. Você está sozinho?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;“Íamos vivendo em paz&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Não. Vim com – Qual é a classificação do que estava tendo com a escocesa mesmo? – minha, minha namorada. - “&lt;i style=""&gt;Mas comparar com o teu amor seria o fim&lt;/i&gt;” - &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Você está fazendo o que da vida?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Humm Eu me formei lá na EFOA mesmo. Você é quem foi embora muito cedo. Sabe que até te esperei por um tempo? – Novamente com as maçãs coradas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;“&lt;i style=""&gt;E vou calar&lt;/i&gt;”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Sério? – fingiu estar surpreso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Sério. - “&lt;i style=""&gt;Pois não pretendo amor te magoar&lt;/i&gt;” – &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Mas nada como o tempo, né?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Foi ótimo te encontrar aqui. Mesmo. &lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;E despediram-se quando uma nova música já começava. “&lt;i style=""&gt;Ah, essas cordas de aço / Este minúsculo braço&lt;/i&gt;”. Ela voltou para o grupo com quem estava. Ele voltou para a escocesa. “&lt;i style=""&gt;Aquela mulher / Até hoje está nos esperando&lt;/i&gt;”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;No dia seguinte, despediu-se da escocesa para provavelmente nunca mais vê-la, como fizera há pouco mais de 15 anos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;                  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;“&lt;i style=""&gt;Deixe-me ir preciso andar,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Vou por aí a procurar,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Sorrir pra não chorar&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Deixe-me ir preciso andar,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Vou por aí a procurar,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Sorrir pra não chorar&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;”&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;              &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Quem quiser conhecer o cenário (sem trocadilhos) dessa história, vale a pena: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Rio Scenarium&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Rua do Lavradio, 20, Centro Antigo (próximo à Praça Tiradentes)&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Rio de Janeiro - RJ&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Tel.: (21)3147-9005&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.rioscenarium.com.br"&gt;http://www.rioscenarium.com.br &lt;/a&gt;  &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-4723629980472963225?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/4723629980472963225/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=4723629980472963225&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/4723629980472963225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/4723629980472963225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2008/02/reencontro.html' title='Reencontro'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-841679837279284664</id><published>2008-01-22T15:52:00.000-03:00</published><updated>2008-01-22T16:41:40.298-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Foto</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;ou&lt;br /&gt;Um pedaço do tempo no papel.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;A primeira rodada foi deles. Um dois o desafiava agora. Na mão, um três e um cinco sem valor. Com a maior carta, empate garantido. Mas a menor não asseguraria a vitória. O parceiro nada tinha. Ou, se tinha, nada de sinal. O único jeito era blefar. - e tudo isso passou pela sua cabeça em poucas frações de milésimo, sem que a dúvida transparecesse em seu rosto. “Truco”, entoou confiante. Era tudo ou nada. O tudo valia reaver o caminhão. O nada valia a aliança de ouro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Já estava no batente há quase 24 horas. Esse boteco fuleiro, onde se encontravam as melhores espécies de perdedores natos, era o seu terceiro emprego do pão nosso de cada dia. Com o sol, fazia bicos de pedreiro, encanador e pintor. Com a noite, entregava mussarelas e calabresas com ou sem cebola. E no primeiro ônibus da madrugada, servia cafés, pingas e cervejas em um beira de estrada, ganhando apenas o 10% do serviço. Serviço que indicava o fim da jornada. Mas no caso daqueles viciados que molhavam as cartas no álcool, era só o começo de mais um péssimo dia, ele pensava. Mas um flash interrompeu sua linha de raciocínio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Nunca vivera paixão assim. Mal havia chegado à tão esperada cidade grande, à terra das oportunidades, conheceu aquele que diz ter sido o homem da sua vida. Amaram-se de repente e ainda quando a coisa estava quente, ele levou o pouco que ela havia trazido, proveniente da venda de tudo o que tinha na cidade natal. Resistiu à vida fácil e mergulhou num pedregulho de empreitadas e homens. Com uma filha nos braços, conseguiu montar um bar que pouco dava além da comida da menina. Tornou-se dura. As únicas emoções que seus olhos transmitiam era a certeza de que todo esse inferno existia graças a um homem repugnante, como aquele que agora perdia tudo na mesa de truco.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;A viagem já durava quase um dia inteiro e o volante pesava tanto quanto suas pálpebras. No retrovisor, seus filhos, ainda pequenos, dormiam. Eram as criaturas que ele mais amava na Terra. E por isso não quis arriscar suas vidas. Decidiu parar na primeira bodega que encontrasse para tomar um café e acordar. Sem que as crianças acordassem, parou o carro e se dirigiu ao balcão. Interrompeu a atendente que olhava com raiva para uma mesa onde quatro homens jogavam carteado e pediu um café. Obedecendo ao grito da mulher, uma jovem linda, de cabelos encaracolados, saiu da cozinha e lhe trouxe o café. O café então não tinha gosto nem aroma, não se sabe se estava quente ou frio, pois o homem não o bebeu. Ele se embebedou da beleza da menina e tinha a certeza que nunca vivera paixão assim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;A vontade de fazer xixi o acordou. O cinto de segurança estava apertando sua bexiga. E claro que nada disso passava pela sua cabeça de dez anos, só a vontade de fazer xixi. Estranhou o carro parado e o pai ausente dele. Viu que sua irmã mais nova dormia na cadeirinha. Viu também que estavam em frente a uma casa velha, mal cuidada, cheia de homens sujos e – com exceção da mesa com os quatro que gritavam – silenciosos. Decidiu procurar o pai. Antes de descer, por empolgação com a viagem, pegou a câmera com a qual veio tirando fotos da estrada. Avistou o pai no balcão e armou a câmera. Sem que ele percebesse, tirou uma foto no exato instante em que o pai recebia – com uma cara muito engraçada! – o copo da mão de uma moça.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Mal tinha nome e já sabia manejar uma vassoura. Nunca soube o que é brincar, a não ser que as brincadeiras fossem se imaginar cozinheira ou cantora, embalada pelo rádio do bar em que crescera. Conhecia os fregueses “da casa” desde que andava só de calcinha e descalça ajudando o serviço da mãe. Um desses fregueses era o que agora apostava o caminhão e uma aliança igual a sua na mesa de truco. Era um canalha. Foi conquistada ainda inocente, e assim se entregou a ele. A partir de então ele mamava nas garrafas da mãe e seu amor como marido se resumia a algumas palavras machistas e atos românticos na cama. Mas hoje, se aquele cachorro perdesse tudo no carteado mais uma vez, hoje, hoje seria o fim. E talvez nem precisasse esperar as cartas decidirem isso por ela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;A menina no carro dormia, indiferente à aliança apostada ou à batalha do garçom, ao asco da mulher rejeitada ou a paixão despontada no pai, aos sonhos da menina esperançosa ou ao flash do irmão mais velho. A menina dormia. E tudo isso era descartável para ela.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;- x -&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, me desculpem a demora desse novo post. Muitas pessoas me cobraram e eu mesmo senti falta. Só que nenhum numerólogo ou ou "ólogo" do post anterior me avisou que o "muito trabalho" viria logo no primeiro mês do ano.&lt;br /&gt;Mas também nesse começo de ano, o Reano, entre jobs e briefings, me convidou para escrever no blog dele, o &lt;a href="http://www.descartavel.info/"&gt;Descartável&lt;/a&gt;. Acompanhem lá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-841679837279284664?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/841679837279284664/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=841679837279284664&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/841679837279284664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/841679837279284664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2008/01/foto.html' title='Foto'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-4988847739450614239</id><published>2008-01-03T13:30:00.000-03:00</published><updated>2008-01-22T16:41:45.708-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Feliz ano todo.</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;ou&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;O ano das realizações, segundo os números, os orixás, um mago e outros brasileiros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Entre o Natal e o Reveillon, enquanto o calor irreconhecível em Alfenas me impedia de sair de casa depois do almoço (seria o calor ou o feijão tropeiro?), assisti a várias retrospectivas e expectativas de fim de ano. Em uma delas, estavam reunidos em um mesmo programa, uma numeróloga, um babalolixá, uma taróloga e um criador de mantras. No mínimo interessante. Não dava pra perder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A taróloga começou a conversa apresentando seus baralhos tradicional e italiano. Disse ela que a carta regente de 2008 é o Mago, a primeira do Tarô. Ele tem sobre a cabeça uma flor de lótus prata, uma moldura dourada e outros elementos que o tornam divino (de divindade e não um elogio exaltado de beleza). Além disso, tem um rubi, que é a pedra dos sábios, e “&lt;a href="http://mortesubita.org/jack/alquimia/tratados-alquimicos/iniciacao-ao-hermetismo/introducao-ao-hermetismo"&gt;também o símbolo da quintessência de toda a ciência hermética&lt;/a&gt;”. O sol aparece como plano de fundo junto com a lua, “&lt;a href="http://mortesubita.org/jack/alquimia/tratados-alquimicos/iniciacao-ao-hermetismo/introducao-ao-hermetismo"&gt;como o "plus" e o "minus" no macro a no microcosmo, ou os fluidos elétrico a magnético&lt;/a&gt;”. Interessante, não?&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Entre suas explicações sobre o que o mago poderia trazer para 2008, o babalolixá concordava plenamente, usando argumentos da sua ciência e feliz com as coincidências – com rima mesmo. Babalorixá é um sacerdote da Umbanda, religião africana. São conhecidos como os zeladores dos santos e orientam as pessoas jogando búzios e intercedendo os Orixás.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Os dois diziam que 2008 será um ano de realizações, devido a atuação do mago e dos orixás. Mas disseram que não era pra deixar na mão deles, que temos que trabalhar para conseguir o que queremos. Se assim for, eles até dão uma forcinha.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Depois deles, entrou em cena a numeróloga, que dizia que anos “1”, como 2008 (2 + 0 + 0 + 8 = 10; 1 + 0 = 1), são anos de grandes realizações. Como exemplo, citou 1945 (1 + 4 + 5 = 10; 1 + 0 = 1 &lt;span style="font-family: Wingdings;"&gt;&lt;span style=""&gt;à&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; o 9 nunca se conta, daí a expressão “novesfora”), ano do fim da segunda guerra e a reconstrução do mundo, e 1990 e sua queda do Murro de Berlim. Acho que os alemães não quiseram esperar um ano “1” para reunir o país. Enfim, com soma ou não, era mais uma que afirmava que o ano era de realizações, se se trabalhar muito para isso.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Por fim, um engenheiro estudioso de mantras passou uma &lt;a href="http://www.amauryjr.com.br/index.php?option=com_content&amp;amp;task=view&amp;amp;id=605&amp;amp;Itemid=1"&gt;lista&lt;/a&gt; para ser dita em 2008, desde do reveillon até 31 de dezembro. Sei que a contagem regressiva já foi faz três dias, mas vou deixar uns aqui para os leitores que acreditam: &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;Para:&lt;/i&gt; a virada do ano e para promover harmonia dimensional ao longo de 2008&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;Use:&lt;/i&gt; “Coisas do Azul 2008”&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;Para:&lt;/i&gt; ajudá-lo a fortalecer e impulsionar as atividades empresariais&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;Use:&lt;/i&gt; “Zuriméx Evâmbe Gertép Lepóvi”&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;Para:&lt;/i&gt; criar e ampliar capacidade de sedução&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;Use:&lt;/i&gt; “Goufêma Liâmes Zêmbin Pínfen”&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;O programa acabou e 2007 também. O ano das realizações está aí. Mas lembre-se: é pra trabalhar muito. Só assim os números, os orixás, o mago e os mantras podem ajudar.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Em que eu acredito? Não sei. Mas dúvida, vou trabalhar bastante em 2008. E se você também está achando que esse é um dos posts mais estranhos do Conversas Empolgadas, ele é só pra te desejar um feliz ano novo, ou como diriam lá em Minas, Feliz Ano Todo. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Obs.:&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; Faço amarração do amor. Se a pessoa não voltar em uma semana, dinheiro devolvido.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-4988847739450614239?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/4988847739450614239/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=4988847739450614239&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/4988847739450614239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/4988847739450614239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2008/01/feliz-ano-todo.html' title='Feliz ano todo.'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-5579565539785056832</id><published>2007-12-20T15:33:00.000-03:00</published><updated>2008-01-03T09:28:52.682-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Músicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Versos, jabs e diretos.</title><content type='html'>&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;ou&lt;br /&gt;A boa briga entre Noel Rosa e Wilson Batista.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As guerras pela dominação dos morros - leia-se pelos centros de distribuição de drogas - continuou em 2007. Talvez tenha sido o seu pior ano, deixando imagens assustadoras da batalha entre o exército e os traficantes. Situação muito bem mostrada pelo estrondoso sucesso de Tropa de Elite. Mas enquanto essa guerra não acaba, mostro uma briga no mesmo cenário, mas em outra época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Meu chapéu do lado / Tamanco arrastando / Lenço no pescoço / Navalha no bolso / Eu passo gingando / Provoco e desafio / Eu tenho orgulho / Em ser tão vadio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sei que eles falam / Deste meu proceder / Eu vejo quem trabalha / Andar no misere / Eu sou vadio / Porque tive inclinação / Eu me lembro, era criança / Tirava samba-canção / Comigo não / Eu quero ver quem tem razão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E eles tocam / E você canta / E eu não dou&lt;/span&gt;”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ano era de 1934. A voz era de Silvio Caldas. Na rádio, o lançamento da música Lenço no pescoço, de Wilson Batista. Para Noel Rosa, uma exaltação à má malandragem. Na cabeça dele, além do chapéu de lado, uma resposta, chamada Rapaz Folgado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Deixa de arrastar o teu tamanco / Pois tamanco nunca foi sandália / E tira do pescoço o lenço branco / Compra sapato e gravata / Joga fora esta navalha que te atrapalha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Com chapéu do lado deste rata / Da polícia quero que escapes / Fazendo um samba-canção / Já te dei papel e lápis / Arranja um amor e um violão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Malandro é palavra derrotista / Que só serve pra tirar / Todo o valor do sambista / Proponho ao povo civilizado / Não te chamar de malandro / E sim de rapaz folgado&lt;/span&gt;”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim começou o duelo entre os dois. Junto com ele, a criação de sambas dos mais clássicos que temos hoje. O Rio de 1930 já era a terra do samba, que descia dos morros e alcançava toda a cidade, inclusive a Vila Isabel – fato usado na resposta de Wilson Batista, Mocinho da Vila:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Você que é mocinho da Vila / Fala muito de violão / Barracão e outras coisas mais / Se não quiser perder o seu nome / Cuide do seu microfone / E deixe quem é malandro em paz / Injusto é seu comentário / Fala de malandro quem é otário (...)&lt;/span&gt;”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wilson Batista, que compôs seu primeiro samba aos 16 anos (Na estrada da vida - lançado por Aracy Cortes no Teatro Recreio) e teve seu primeiro samba gravado por Benedito Lacerda e Osvaldo Silva (Por favor, vai embora), despertou o que havia de melhor em Noel ao citar a amada Vila Isabel do compositor. O mocinho da Vila criou a genial Feitiço da Vila:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quem nasce lá na Vila / Nem sequer vacila / Ao abraçar o samba / Que faz dançar os galhos, / Do arvoredo e faz a lua, / Nascer mais cedo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lá, em Vila Isabel, / Quem é bacharel / Não tem medo de bamba. / São Paulo dá café, / Minas dá leite, / E a Vila Isabel dá samba.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A vila tem um feitiço sem farofa / Sem vela e sem vintém / Que nos faz bem / Tendo nome de princesa / Transformou o samba / Num feitiço descente / Que prende a gente&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O sol da Vila é triste / Samba não assiste / Porque a gente implora: / "Sol, pelo amor de Deus, / não vem agora / que as morenas / vão logo embora&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sei tudo o que faço / sei por onde passo / paixão não me aniquila / Mas, tenho que dizer, / modéstia à parte, / meus senhores, / eu sou da Vila&lt;/span&gt;”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feitiço da Vila logo se tornou uma clássico do samba e Noel, que faleceria tuberculoso com apenas 27 anos e com quase 260 composições, se tornou o Poeta da Vila, apelido que remete a qualidade de suas letras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas para Wilson, isso não bastava. O samba Conversa fiada era direto, sem meias palavras:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;span style="font-style: italic;"&gt;É conversa fiada / Dizerem que os sambas / Na Vila têm feitiço, / Eu fui ver para crer / E não vi nada disso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Vila é tranqüila / Porém é preciso cuidado: / antes de irem dormir / Dêem duas voltas no cadeado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu fui lá na Vila ver o arvoredo se mexer / E conhecer o berço dos folgados / A luz nessa noite demorou tanto, / Me assassinaram um samba, / Veio daí o meu pranto.&lt;/span&gt;”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os versos ofensivos de Wilson Batista despertaram novamente o melhor de Noel. Surge então, em parceria com Vadico na voz de Aracy de Almeida, a máxima Palpite infeliz, uma resposta alto-nível do Poeta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quem é você que não sabe o que diz? / Meu Deus do Céu, que palpite infeliz! / Salve Estácio, Salgueiro, Mangueira, / Oswaldo Cruz e Matriz / Que sempre souberam muito bem / Que a Vila Não quer abafar ninguém, / Só quer mostrar que faz samba também&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fazer poema lá na Vila é um brinquedo / Ao som do samba dança até o arvoredo / Eu já chamei você pra ver / Você não viu porque não quis / Quem é você que não sabe o que diz?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Vila é uma cidade independente / Que tira samba mas não quer tirar patente / Pra que ligar a quem não sabe / Aonde tem o seu nariz? / Quem é você que não sabe o que diz?&lt;/span&gt;”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Vila estava muito bem protegida com os versos de Noel. Mas para ele, essa briga era bobagem. Ao contrário de Wilson, que perdeu a compostura de malandro e apelou criando uma música que fazia referência ao queixo defeituoso de Noel, chamando-o de Frankenstein da Vila:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Boa impressão nunca se tem / Quando se encontra um certo alguém / Mas como diz o refrão, / ‘Por uma cara feia / Perde-se um bom coração’&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Entre os feios, / Estás na primeira fila / Eu te batizo, / Fantasma da Vila&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Esta indireta é contigo / E depois não vás dizer / Que eu não sei o que digo / Sou teu amigo&lt;/span&gt;”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa vez, Noel não respondeu aos versos do amigo Wilson. E então ele continuou com Terra de cego:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Perde a mania de bamba / Todos sabem qual é / O teu diploma no samba / És o abafa da Vila, eu bem sei / Mas na terra de cego / Quem tem um olho, é rei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Para terminar a discussão / Não deves apelar / Para um baralho à mão / Em versos podes bem abafar / Pois não fica bonito / Um bacharel brigar&lt;/span&gt;”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os leitores que estranharam o termo “amigo” usado acima, saibam que os riam muito da polêmica. Para acabar de vez com aquilo, Noel aproveita a música Terra de cego e faz uma nova letra para encaixar na melodia antes usada por Wilson. Assim surge Deixa de ser convencido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Deixa de ser convencido / Todos sabem qual é / Teu velho modo de vida / és um perfeito artista / Eu bem sei/ (...) E no picadeiro desta vida / serei o domador / serás a fera abatida (...)&lt;/span&gt;”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas para Noel a disputa estava encerrada. Num encontro casual entre os compositores, que riram muito da propalada polêmica musical. Noel então joga uma pá de cal definitiva na “falsa inimizade” com Wilson Batista, e usando a música que este usara em Terra de Cego, Noel escreveu os versos para o samba Deixa de ser convencido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A polêmica se encerra aí, com cada um seguindo o seu caminho e criando clássicos do samba. Briga boa é assim. E eu vou seguindo, infelizmente ileso, com meu saudosismo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-5579565539785056832?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/5579565539785056832/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=5579565539785056832&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/5579565539785056832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/5579565539785056832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/12/versos-jabs-e-diretos.html' title='Versos, jabs e diretos.'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-844129193724427022</id><published>2007-12-11T11:30:00.000-03:00</published><updated>2007-12-11T11:35:00.597-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Recomendação de leitura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Músicas'/><title type='text'>Mais grave, mais agudo, mais eco, mais tudo!</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;ou&lt;br /&gt;Fome de cantar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Ele foi o gordinho mais simpático da Tijuca. Também foi Tião Marmiteiro, foi Jimmy The Brazilian, foi Racional, foi independente, foi louco, foi mais, foi menos, foi tudo. Tim Maia do Brasil, isso ele será sempre. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Vale Tudo – O som e a fúria de Tim Maia&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;, escrito por Nelson Motta, é um livro para ser devorado, assim como gostava de fazer o biografado, comendo tudo o que via pela frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor, que era amigo do Tim (“Alô Nelsonmotta”) e com quem o Rei da simpatia fez muitos trabalhos, coleta as muitas e inacreditáveis histórias de Tim, desde a sua infância, sua adolescência com os amigos Roberto, Erasmo e Jorge Bem, sua passagem aventureira pelos EUA, suas prisões, seu início de carreira, suas faltas aos shows, sua relação com as drogas, o sexo e os técnicos do som. São histórias fantásticas, que apresentam à fundo a alma “quem não dança segura a criança” do grande Maia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Entretanto, como biografia, o livro não é bom. Pouco contextualizado historicamente, não há uma visão geral das épocas em que tudo acontecia. O autor “se limita” a contar a vida de Tim – o que é excelente e não pede mais do que isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou contar trechos aqui, apesar de quem convive comigo já saber muitas histórias do Tim Maia do Brasil devida a minha empolgação com o livro. Portanto, fiquem com a voz e as reclamações do som do único Tim Maia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/zqRrmqDc8Vk&amp;rel=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/zqRrmqDc8Vk&amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt; &lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/MfWj3sVRuds&amp;rel=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/MfWj3sVRuds&amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt; &lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/7VII-Ap2La4&amp;rel=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/7VII-Ap2La4&amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt; &lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/KjWrn5DtVFQ&amp;rel=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/KjWrn5DtVFQ&amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-844129193724427022?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/844129193724427022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=844129193724427022&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/844129193724427022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/844129193724427022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/12/mais-grave-mais-agudo-mais-eco-mais.html' title='Mais grave, mais agudo, mais eco, mais tudo!'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-150084376527314890</id><published>2007-12-03T10:55:00.000-03:00</published><updated>2007-12-11T11:34:39.332-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Recomendação de leitura'/><title type='text'>Meu quintal</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;ou&lt;br /&gt;Aparando.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;br /&gt;Equilibrou o aço vermelho nas suas duas rodas e o levou até o gramado. Puxou o acionador e a corrente começou a correr, fazendo o seu trabalho. As mãos sentiram o metal que absorvia o calor do sol daquela manhã.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Seu rosto era um maracujá passado, como os que davam no pé que nascia na cerca do quintal. As rugas eram marcas do tempo e da luta calada. Desceu a lâmina do cortador até a grama e começou a sua empreitada diária. Deu o primeiro passo e viu as primeiras gramas cortadas voarem para o lado da máquina que tinha nas mãos. Cortava a grama do quintal traçando um percurso pré-definido. Começava encostado aonde o verde se acabava do lado direito. Atravessava-o até o outro lado. Lá, fazia uma curva para a esquerda e voltava para o lado de cá. Ia assim até o verde se acabar do lado esquerdo, algo em torno de infinitas idas e vindas. Entretanto isso não era o fim do trabalho. Apanhou o garfo de roça e acumulou toda a grama picotada em um canto. Levou algumas horas para completar essa etapa. Apanhou a lona e jogou nela, com a pá, todos os verdes mortos que já se iam ficando amarelados. E só depois de se livrar dos restos do quintal, que o trabalho acabou. E seu rosto ficava, a cada dia desse trabalho, ainda mais parecido com um maracujá passado.&lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Do outro lado, no vizinho, o quintal era cimentado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;“O homem imaturo é aquele que quer morrer gloriosamente por uma causa. O maduro contenta-se em viver humildemente por ela”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;O apanhador no campo de centeio – J. D. Salinger&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Leia um ótimo artigo sobre esse livro em:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2421"&gt;http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2421&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-150084376527314890?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/150084376527314890/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=150084376527314890&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/150084376527314890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/150084376527314890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/12/meu-quintal.html' title='Meu quintal'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-8692270976289287994</id><published>2007-11-30T17:45:00.000-03:00</published><updated>2007-12-03T08:50:59.943-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Sinucado</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;ou&lt;br /&gt;Jogo dos pares.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Logo na primeira tacada, matou duas bolas e deixou a terceira na boca. “A boca é minha, rapá!”, brincou com o seu desafiante. As que primeiro caíram foram a vermelha lisa 3 e azul 10. Ficou na boca a laranja 5. “Deixa ela lá. De lá ela não sai”, disse. As ímpares eram suas, mas a vez era do outro. Começou derrubando a 6 verde. Na jogada seguinte a irmã de cor 14 também foi para o buraco. Molhou os lábios na cerveja enquanto olhava a mesa de cima. Pensou na próxima jogada. Levantou a aba do seu chapéu, mirou e encaçapou a azulada 2 em um lance incrível. A bola branca rolou até ficar de frente para a lilás listrada 12. O ponto seria certo - se não fosse um obstáculo. “Nessa caçapa não entra nada”, disse o dono da laranja 5. Por conta disso, o dono das pares forçou uma jogada a fim de empurrar a 4, lilás, para a boca direita do centro. Ela não entrou e isso deu a vez aos ímpares, que nesse momento tinha mais bolas na mesa. Matou a amarela que abria a contagem seguida de sua irmã 9. Logo depois a 7, marrom, fez um telefone com a vermelha 11 e a derrubou. Quatro a dois até agora. A negra oito aguardava ansiosa a sua vez de entrar no jogo. “Engraçado esse jogo de sinuca, né? A bola branca sempre fode a preta no fim”, disse um arrancando o riso do outro. Como quem tinha feito a ligação foi a mulata de pele lisa 7, era a vez dela cair. Assim se fez. Mas mal feito. Acabou se sinucando entre as pares da mesma cor, porém lisa e listrada, 4 e 12. A única saída era derrubar a alaranjada 5 que fechava uma boca e atrapalhava o jogo do adversário. Não teve escolha. A cinco foi pra redinha e devolveu a branca em uma ótima posição para matar 15 marrom. Perfeita tacada. Só lhe faltava a laranja 13. Mas talvez por ser sua última, não acertou o golpe. Caminho aberto, 12 encaçapada. Uma pra cada. Muita mesa para pouca bola. Foi a vez da 4 cair. Finalmente a bola oito, preta, lisa, foi grudada na parede da mesa verde. Sem querer, com o taco levantado, o homem que estava próximo de descolá-la acertou o lustre que iluminava o veludo verde. A mesa agora parecia que se mexia. Sem referência, a bola oito nem chegou perto de encerrar o jogo. Azar da 13, número do azar ou da sorte, que caiu e equilibrou a partida. A partir daí a oito resistiu bravamente. Passava perto das entradas que a levariam para um tombo, mas não caía. O segundo casco já ia pela metade quando finalmente a preta 8 caiu – mas nenhum dos dois a derrubou. Um moleque entrou correndo pelo bar e deu um tapa na bola. “Pega esse moleque”, disse um. “Vamos voltar”, disse o outro. Mas não tinham mais nenhuma ficha para abrir a gaveta e recuperar a negra 8. Os tacos ficaram abandonados na mesa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Na esquina, o moleque ganhou um trocado de duas donas de casa que esperavam seus maridos voltarem para casa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-8692270976289287994?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/8692270976289287994/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=8692270976289287994&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/8692270976289287994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/8692270976289287994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/11/sinucado.html' title='Sinucado'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-916357451565497342</id><published>2007-11-28T15:57:00.000-03:00</published><updated>2007-12-01T09:50:05.483-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Publicidade'/><title type='text'>Números de um blog sem números</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;ou&lt;br /&gt;Os humildes resultados do Conversas Empolgadas.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Há exatos 15 dias eu cadastrei o http://conversasempolgadas.blogspot.com no Google Analytics, uma ferramenta que oferece informações sobre os acessos e visitas em sites. E, em primeira mão, vou mostrar o desempenho do Conversas Empolgadas para vocês.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Nesse período, o blog recebeu 168 visitas. A maioria veio até aqui nos dias em que houve novas postagens (foram 4 em 15 dias). Desse total de visitas, 73 são visitantes únicos, sendo desses 42,68% novos leitores do Conversas. O restante, 57,14%, são leitores que voltaram a nos visitar. E o tempo médio que essas 168 visitas permaneceram no blog foi de 03min e 19s (um tempo ótimo! Graças ao textos longos ;-) ).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;33,93% chegam aqui direto pela url do blog, 42,26% por sites de referência e &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;23,81% pelo Google. Quem mais me manda leitores são, na ordem: &lt;a href="http://asminhasverdades.blogspot.com/"&gt;http://asminhasverdades.blogspot.com&lt;/a&gt; - do meu amigo Polas, o Blogger, &lt;a href="http://deubrancodenovo.blogspot.com/"&gt;http://deubrancodenovo.blogspot.com&lt;/a&gt; – do Bruno, o Orkut, &lt;a href="http://passevergonha.blogspot.com/"&gt;http://passevergonha.blogspot.com&lt;/a&gt; – do Diego – e &lt;a href="http://115db.blogspot.com/"&gt;http://115db.blogspot.com&lt;/a&gt; – do Peru.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Os leitores que chegaram aqui pelo Google pesquisaram por: “conversas empolgadas”, “conversas”, “cine paraíso alfenas”, “martinho da vila batuque na cozinha”, “as mídias tradicionais vão acabar?”, “batismo vinicios 11-11-07”, “celina julien”, “cola sofá de couro”, “como as comunidades do orkut conseguem influenciar o consumo da sociedade” e “contos de bruxas”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;As 168 visitas vieram de 4 países (não é incrível?): Brasil – 160 visitas, Portugal – 6, Hungria (pois é, acreditem) – 1 e EUA – 1.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;No Brasil, o Conversas Empolgadas já chegou longe: Porto Velho (1), Fortaleza(1), Recife(1), Salvador(1), Vitória da Conquista(1), Brasília(1), Belo Horizonte (12), Juiz de Fora (4), Rio de Janeiro (7), Alfenas (12), São Carlos (1) (&lt;b style=""&gt;Ah, Zé! Não ficou nem um minuto no blog!&lt;/b&gt;), Lorena (1), São José dos Campos (2), Sorocaba (1), Osasco (1), São Vicente (1), São Paulo (103), Cascavel (1) e Novo Hamburgo (1).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Em Portugal, esse blog passou em Felgueiras, Castelo Branco, São João da Madeira, Lisboa, Sacavem e Gondomar, mas não ficou mais do que 10 segundos em cada uma.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Na surpreendente Hungria, o blog foi visto na cidade de Szentendre. E por mais louco que isso pode parecer, esse leitor ficou 43 segundos no blog. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;E nos EUA, ele foi lido em Nova York. Na verdade, nem foi lido. Tempo mínimo de permanência. (&lt;b style=""&gt;Está me devendo em Senhorita Sampaio?&lt;/b&gt;)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;E pelo que percebi, são leitores bastante fiéis: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_sEsjSeqA1Vg/R026jsP24EI/AAAAAAAAArY/hP2GtC82Cmg/s1600-h/lealdade_conversasempolgadas.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_sEsjSeqA1Vg/R026jsP24EI/AAAAAAAAArY/hP2GtC82Cmg/s400/lealdade_conversasempolgadas.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5137967872235462722" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Bom, são esses os dados que considero o mais importantes. Por eles gostaria de agradecer vocês que sempre aparecem por aqui, lêem, reclamam do tamanho dos textos, deixam comentários e sempre voltam. Muito obrigado. Estou fazendo com que esse blog fique sempre mais agradável (não, não pretendo diminuir os posts, como podem ver), com um layout novo, barra de vídeos, enquete, Twitter e outras inovações que descubro por aí para fazer vocês voltarem sempre. Valeu!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-916357451565497342?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/916357451565497342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=916357451565497342&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/916357451565497342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/916357451565497342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/11/nmeros-de-um-blog-sem-nmeros.html' title='Números de um blog sem números'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_sEsjSeqA1Vg/R026jsP24EI/AAAAAAAAArY/hP2GtC82Cmg/s72-c/lealdade_conversasempolgadas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-1453871664841160483</id><published>2007-11-27T09:54:00.000-03:00</published><updated>2007-11-28T09:52:53.722-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Notícias de uma terça-feira sem ano definido</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;ou&lt;br /&gt;E quem disse que você não vive em 68?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Em muitas conversas com os amigos, percebi que muitos deles gostariam de ter vivido em 1968. “Hoje a gente não tem pelo que lutar” é o argumento que vence. E de maneira alguma eu discordo disso. A ditadura estava em seu auge. Sabe-se lá quantos militantes sobreviviam às investidas do exército. Cabra-cega, O que é isso companheiro e os inúmeros filmes produzidos sobre o tema contam melhor a luta dos estudantes e opositores que qualquer descrição que eu coloque aqui.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Depois de uma dessas conversas em que muitos elegeram 1968 como um bom ano para se ter a idade que temos hoje, pesquisei as notícias do dia:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Courier;"&gt;A última semana de campanha eleitoral da Venezuela começou ontem com violentos protestos no interior do país, deixando um saldo de um operário de 19 anos morto e 80 presos, segundo o governo federal. O jovem foi baleado em meio a manifestações contra o projeto de reforma constitucional do presidente Hugo Chávez, que irá a referendo neste domingo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Courier;"&gt;Por Fabiano Maisonnave, na &lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Courier;"&gt;Folha&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;, em uma terça-feira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Courier;"&gt;A cidade de Sucre, centro-sul da Bolívia, amanheceu ontem sem governo e sem polícia após dois dias de intensos confrontos entre manifestantes e policiais por causa da aprovação em plenário do texto da nova Constituição. Ontem, um estudante baleado no fim de semana morreu no hospital, elevando para quatro o total de mortos nos confrontos - três civis e um policial.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Courier;"&gt;No Estadão, também de terça-feira.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Courier;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Courier;"&gt;O presidente da Bolívia, Evo Morales, respondeu ontem aos protestos da oposição contra o projeto da nova Constituição dizendo que o povo identificará os "traidores" da nação. "Ocupar escritórios do governo não é democracia, desobediência civil não é democracia. Esperamos que o povo boliviano identifique esses traidores, essas pessoas que são contra a nação e querem prejudicar o processo de mudança." Manifestantes antigoverno protestaram ontem em várias regiões dominadas pela oposição, ocupando prédios estatais e convocando à desobediência civil.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Courier;"&gt;Ainda na Folha na mesma terça-feira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Courier;"&gt;“Um, dois, três, Lula outra vez.” O presidente Lula foi recebido com esse grito por cerca de 2 mil pessoas mobilizadas pelo Movimento Nacional de Lula pela Moradia na abertura da 3ª Conferência Nacional das Cidades ontem à noite. Ele chegou ao Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, acompanhado dos ministros Márcio Fortes (Cidades) e Marina Silva (Meio Ambiente). Diante de um mar de mãos levantadas, com três dedos sinalizando o terceiro mandato, o presidente fez um improviso no discurso. “Eu tenho em mente que a passagem pelo governo de um homem ou uma mulher tem data de entrada e de saída, mas os compromissos de luta são para toda a vida”, disse Lula. “E quando terminar a Presidência da República, aconteça o que acontecer, vamos estar juntos em outras batalhas para melhorar a vida do povo.” Na saída, um clima de histeria tomou conta do centro de convenções, com dezenas de participantes da conferência tentando se aproximar de Lula, abraçá-lo e tirar fotos com ele.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Courier;"&gt;&lt;br /&gt;Poucas páginas depois, mas ainda no Estadão da mesma terça.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Courier;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;A terça-feira destes jornais é hoje. Mas poderia ser qualquer uma de 68. O que muda é a mão que você usa para passar a página. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-1453871664841160483?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/1453871664841160483/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=1453871664841160483&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/1453871664841160483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/1453871664841160483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/11/notcias-de-uma-tera-feira-sem-ano.html' title='Notícias de uma terça-feira sem ano definido'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-5873929195218225507</id><published>2007-11-21T13:52:00.000-03:00</published><updated>2007-11-21T13:55:53.170-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Recomendação de leitura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias'/><title type='text'>Minha saga Potter</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;ou&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;O autor até hoje esperando a sua coruja.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Obs.: &lt;/span&gt;Não se preocupem que esse post &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;não tem nenhum spoiler&lt;/span&gt;. Sou totalmente contra quem faz isso.  Se com filme dá raiva quando alguém conta um pedaço, imagina com um série que você já leu seis livros?)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando meu pai quis me dar um livro sobre a história de um garoto que aos onze anos se descobria bruxo, eu achei muito infantil. Afinal, eu já tinha 13 anos e aquele era um livro para crianças.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Pouco tempo depois, no meu aniversário de 15 anos, vendo toda a repercussão, papai me deu aquele livro que eu há pouco tinha rejeitado: Harry Potter e a Pedra Filosofal. Nunca vou esquecer esse dia. Ganhei-o em uma segunda-feira. Na terça-feira eu já acordei em Hogwarts, tendo a certeza de que logo, logo uma coruja iria entrar pela sacada do meu quarto e me entregar uma carta de matrícula no castelo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Como disse meu pai nesse fim de semana, “quando o Vi ganhou esse livro, ficou louco”. E tinha razão. Minha mãe tinha uma viagem para São Paulo na quinta-feira. Eu fui com ela e comprei os dois outros livros da série: Harry Potter e a Câmara Secreta e o recém-lançado Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban. Na viagem de volta já vinha devorando e adentrando a Câmara Secreta. Na sexta já tinha saído completamente viciado do lugar e fui até a prisão dos bruxos descobrir a paixão por livros. No domingo eu já tinha acabado o último. Com 15 anos, com um pequeno, quase nulo, costume de leitura e obrigado a engolir o romantismo e o realismo na escola, eu li três livros em menos de uma semana.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;O problema agora seria esperar mais um ano até o quarto livro fosse lançado. Não tive escolha a não ser procurar mais coisa para ler enquanto não bebia do Cálice de fogo. Minha primeira aquisição foi Morte na Atlântida, de Clive Cusler. Mais um vício, que agora compartilha com o Julien e o Samuel. Mas nada dos Camões e Josés de Alencar que obrigavam as escolas, é claro. E também, nenhuma leitura que eu não interrompi no dia em que o novo Harry Potter chegou às lojas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Mais três dias para devorar as 583 páginas do livro. E mais um ano de espera. Daí, mais descobertas nas estantes de casa e das livrarias das cidades grandes. Quem sabe até aqueles obrigados na escola e no vestibular. Mas enquanto isso, me tornava um Pottermaníaco, com carteirinha de clube, moeda de ouro de Gringotes e tudo mais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;As próximas 702 páginas me foram entregues em São Paulo, quando eu já estava na faculdade, com 18 ou 19 anos. Quem me prendia em casa agora era a Ordem de Fênix, da qual levantei a bandeira. Até quando eu iria continuar lendo aquele livro infanto-juvenil? Não iria muito adiante. Até porque a autora prometera sete livros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Em 2005 eu embarcava para uma viagem rumo ao cone sul do nosso continente. Eu estava em Buenos Aires quando o Enigma do príncipe foi lançado em sua língua original. Vi turistas de diversos lugares do mundo esgotarem os exemplares de todas as lojas portenhas em apenas uma manhã. Fiquei louco de novo. Assim que chegou aqui, o li em dois dias. E com 20, 21 ia à pré-estréias dos filmes e comprava os joguinhos. O vício continuava.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Hoje porém, depois de querer ler aqueles livros obrigatórios, de excursionar por toda a América Latina através de seus maiores autores e querer conhecer sempre os melhores, mais uma vez J. K. Rowling me levou de volta ao mundo bruxo que eu, aos treze, não quis conhecer. E o último livro foi o mais sensacional. Foi enquanto eu o lia que meu pai disse: “Quando o Vi ganhou esse livro, ficou louco”. É, é verdade. Ainda estou esperando a coruja entrar pela janela do meu quarto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-5873929195218225507?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/5873929195218225507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=5873929195218225507&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/5873929195218225507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/5873929195218225507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/11/minha-saga-potter.html' title='Minha saga Potter'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-832235825989758290</id><published>2007-11-20T16:50:00.000-03:00</published><updated>2007-11-20T20:47:01.626-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Músicas'/><title type='text'>Ele voltou.</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;ou&lt;br /&gt;O autor em busca do que nunca sumiu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Ele passou pelas mãos de muitos. Os profissionais o tinham nas cordas e nos lábios, no couro e na madeira. Os amadores o tiravam dos copos de cerveja, das mesas de metal ou de um lápis qualquer que estava atrás da orelha. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Das mãos, foi para os pés. Sapatos bicolores, bico fino, sandálias ou pele rachada mesmo. O chão de taboa corrida para os bailes. O asfalto para o espírito festeiro, ativo. E o relevo, o morro, o chão de terra para os bem aventurados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Dos pés, chegou ao papel. Papel de pão, guardanapo, caderno, caderno de pauta, de carta e de registro. Depois veio o papel moeda, que o transformou em grandes discos de borracha preta. A cor dos pretos, no rádio dos brancos. E aí o preto ficou branco e o branco ficou preto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Nasceu o ícone de um país e se espalhou por todo o mundo. Do mundo chegou a Marte. De Marte voltou para ver como estava. E ele não estava bem. Quem não o conheceu, não podia mais ver para crer. Quem já não o esquecia, não podia reconhecer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Os profissionais faziam das cordas, dos lábios, do couro e da madeira algo novo. Mas nem tudo que é novo é moderno. E ele não era mais o mesmo. Só parecia ser pelos copos de cerveja, mesas de metal e o lápis. Tá legal, tá legal. Eu aceito o seu argumento. Mas ele já não era o mesmo. Definitivamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;E depois dessa época, reconheceram os mestres. Os mestres de uma época de ouro. Assim, com cara de novo, ele está voltando, passando pelas mãos, pés e lábios de muitos, assumindo papéis que nunca perdeu. Mas de novo não tem nada, graças a Deus. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Obs.:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Ouçam os novos:&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt; Diogo Nogueira, Mariana Aydar, Fabiana Cozza, Teresa Cristina e o Grupo Semente e outros que surgem retomando o que é bom.&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;Ouçam os velhos:&lt;/i&gt; Cartola, Paulinho da Viola, Nelson Cavaquinho, Clara Nunes, João Nogueira, Caymmi, Noel Rosa e tantos outros que fariam deste mais um post gigantesco.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-832235825989758290?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/832235825989758290/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=832235825989758290&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/832235825989758290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/832235825989758290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/11/ele-voltou.html' title='Ele voltou.'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-4145578917171996336</id><published>2007-11-12T10:05:00.000-03:00</published><updated>2007-11-12T10:08:32.141-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Recomendação de leitura'/><title type='text'>O velho, o autor e o mar</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;ou&lt;br /&gt;Os velhos Ernest Hemingway, Carlos Drummond de Andrade e Paulinho da Viola navegando pela mente do autor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;"A vela fora remendada em vários pontos com velhos sacos de farinha e, assim enrolada, parecia a bandeira de uma derrota permanente." Essa derrota era insistente. Durava já 84 dias. E Santiago precisava provar a si mesmo e a todos que dele caçavam ou se compadeciam que ainda era grande na sua profissão. Aliás, pescador não era uma profissão, era o seu destino. Caso contrário, gostaria talvez de ser como DiMaggio, o melhor jogador de baseball que já viu jogar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Mas das areias do mar de Havana, todos vêem tremular a bandeira do velho Santiago, voltando de sua pescaria diária acompanhado do menino Manolín e de nenhum peixe. Da experiência do velho ninguém desconfia, mas sua falta de sorte já lhe garante a fama de &lt;i style=""&gt;salao&lt;/i&gt;. Por isso os pais de Manolín o proíbem acompanhar Santiago.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Sozinho e desmoralizado, o velho, "Tudo o que nele existia era velho, com exceção dos olhos, que eram da cor do mar, alegres e indomáveis", decide desafiar o mar sozinho, disposto a lutar até o fim se preciso – mas onde estaria o fim?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;E esta é apenas a primeira pergunta das tão intrigantes que Ernest Hemingway lançou ao mar de suas linhas em 1952. Para mim, a mais importante hoje é a que me questiona sobre o que me faria ir ao mar aberto, à mercê das correntes e tempestades. Que peixe me faria suportar ter as mãos cortadas por segurar as linhas e não querê-lo soltar jamais? Que espadarte me faria enfrentar a cegueira causada pelo sol e os tubarões atacando meu barco, minha base?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Mas, ao mesmo tempo em que todas as questões vêem na minha rede, me pergunto quão útil é conhecer esse peixe. Posso talvez nunca encontrá-lo ou jamais pescá-lo, posso ter medo de ir ao mar sem arma nenhuma, ou posso mesmo desgostá-lo a pouco depois de conhecê-lo. Medos sim, falta de razão não. Conhecer o meu peixe é conhecer parte da “máquina do mundo”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;No seu livro &lt;b style=""&gt;Claro Enigma&lt;/b&gt;, Carlos Drummond de Andrade publicou o poema &lt;b style=""&gt;A máquina do tempo&lt;/b&gt;, que em 2000 foi eleito o melhor poema brasileiro de todos os tempos, por um grupo significativo de escritores e críticos, a pedido do caderno “MAIS” publicado aos domingos pelo jornal “Folha de São Paulo”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:13;"  &gt;A Máquina do Mundo&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Carlos Drummond de Andrade&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/strong&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;E como eu palmilhasse vagamente&lt;br /&gt;uma estrada de Minas, pedregosa,&lt;br /&gt;e no fecho da tarde um sino rouco&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;se misturasse ao som de meus sapatos&lt;br /&gt;que era pausado e seco; e aves pairassem&lt;br /&gt;no céu de chumbo, e suas formas pretas&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;lentamente se fossem diluindo&lt;br /&gt;na escuridão maior, vinda dos montes&lt;br /&gt;e de meu próprio ser desenganado,&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;a máquina do mundo se entreabriu&lt;br /&gt;para quem de a romper já se esquivava&lt;br /&gt;e só de o ter pensado se carpia.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Abriu-se majestosa e circunspecta,&lt;br /&gt;sem emitir um som que fosse impuro&lt;br /&gt;nem um clarão maior que o tolerável&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;pelas pupilas gastas na inspeção&lt;br /&gt;contínua e dolorosa do deserto,&lt;br /&gt;e pela mente exausta de mentar&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;toda uma realidade que transcende&lt;br /&gt;a própria imagem sua debuxada&lt;br /&gt;no rosto do mistério, nos abismos.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Abriu-se em calma pura, e convidando&lt;br /&gt;quantos sentidos e intuições restavam&lt;br /&gt;a quem de os ter usado os já perdera&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;e nem desejaria recobrá-los,&lt;br /&gt;se em vão e para sempre repetimos&lt;br /&gt;os mesmos sem roteiro tristes périplos,&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;convidando-os a todos, em coorte,&lt;br /&gt;a se aplicarem sobre o pasto inédito&lt;br /&gt;da natureza mítica das coisas,&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;assim me disse, embora voz alguma&lt;br /&gt;ou sopro ou eco ou simples percussão&lt;br /&gt;atestasse que alguém, sobre a montanha,&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;a outro alguém, noturno e miserável,&lt;br /&gt;em colóquio se estava dirigindo:&lt;br /&gt;"O que procuraste em ti ou fora de&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;teu ser restrito e nunca se mostrou,&lt;br /&gt;mesmo afetando dar-se ou se rendendo,&lt;br /&gt;e a cada instante mais se retraindo,&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;olha, repara, ausculta: essa riqueza&lt;br /&gt;sobrante a toda pérola, essa ciência&lt;br /&gt;sublime e formidável, mas hermética,&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;essa total explicação da vida,&lt;br /&gt;esse nexo primeiro e singular,&lt;br /&gt;que nem concebes mais, pois tão esquivo&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;se revelou ante a pesquisa ardente&lt;br /&gt;em que te consumiste... vê, contempla,&lt;br /&gt;abre teu peito para agasalhá-lo.”&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;As mais soberbas pontes e edifícios,&lt;br /&gt;o que nas oficinas se elabora,&lt;br /&gt;o que pensado foi e logo atinge&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;distância superior ao pensamento,&lt;br /&gt;os recursos da terra dominados,&lt;br /&gt;e as paixões e os impulsos e os tormentos&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;e tudo que define o ser terrestre&lt;br /&gt;ou se prolonga até nos animais&lt;br /&gt;e chega às plantas para se embeber&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;no sono rancoroso dos minérios,&lt;br /&gt;dá volta ao mundo e torna a se engolfar,&lt;br /&gt;na estranha ordem geométrica de tudo,&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;e o absurdo original e seus enigmas,&lt;br /&gt;suas verdades altas mais que todos&lt;br /&gt;monumentos erguidos à verdade:&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;e a memória dos deuses, e o solene&lt;br /&gt;sentimento de morte, que floresce&lt;br /&gt;no caule da existência mais gloriosa,&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;tudo se apresentou nesse relance&lt;br /&gt;e me chamou para seu reino augusto,&lt;br /&gt;afinal submetido à vista humana.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Mas, como eu relutasse em responder&lt;br /&gt;a tal apelo assim maravilhoso,&lt;br /&gt;pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;a esperança mais mínima — esse anelo&lt;br /&gt;de ver desvanecida a treva espessa&lt;br /&gt;que entre os raios do sol inda se filtra;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;como defuntas crenças convocadas&lt;br /&gt;presto e fremente não se produzissem&lt;br /&gt;a de novo tingir a neutra face&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;que vou pelos caminhos demonstrando,&lt;br /&gt;e como se outro ser, não mais aquele&lt;br /&gt;habitante de mim há tantos anos,&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;passasse a comandar minha vontade&lt;br /&gt;que, já de si volúvel, se cerrava&lt;br /&gt;semelhante a essas flores reticentes&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;em si mesmas abertas e fechadas;&lt;br /&gt;como se um dom tardio já não fora&lt;br /&gt;apetecível, antes despiciendo,&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;baixei os olhos, incurioso, lasso,&lt;br /&gt;desdenhando colher a coisa oferta&lt;br /&gt;que se abria gratuita a meu engenho.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A treva mais estrita já pousara&lt;br /&gt;sobre a estrada de Minas, pedregosa,&lt;br /&gt;e a máquina do mundo, repelida,&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;se foi miudamente recompondo,&lt;br /&gt;enquanto eu, avaliando o que perdera,&lt;br /&gt;seguia vagaroso, de mãos pensas.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;O peixe seria uma parte da máquina do mundo e talvez não seja interessante conhecê-la – pelo menos não antes de completar 100 anos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;D’O velho e o mar fico com a mensagem da luta, da prova e da coragem. Mas no meu fone de ouvido segue tocando &lt;b style=""&gt;Timoneiro&lt;/b&gt;, do Paulinho da Viola.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Não sou eu quem me navega&lt;br /&gt;Quem me navega é o mar&lt;br /&gt;Não sou eu quem me navega&lt;br /&gt;Quem me navega é o mar&lt;br /&gt;É ele quem me carrega&lt;br /&gt;Como nem fosse levar&lt;br /&gt;É ele quem me navega&lt;br /&gt;Como nem fosse levar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quanto mais remo mais rezo&lt;br /&gt;Pra nunca mais se acabar&lt;br /&gt;Essa viagem que faz&lt;br /&gt;O mar em torno do mar&lt;br /&gt;Meu velho um dia falou&lt;br /&gt;Com seu jeito de avisar:&lt;br /&gt;- Olha, o mar não tem cabelos&lt;br /&gt;Que a gente possa agarrar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou eu quem me navega&lt;br /&gt;Quem me navega é o mar&lt;br /&gt;Não sou eu quem me navega&lt;br /&gt;Quem me navega é o mar&lt;br /&gt;É ele quem me navega&lt;br /&gt;Como nem fosse levar&lt;br /&gt;É ele quem me navega&lt;br /&gt;Como nem fosse levar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Timoneiro nunca fui&lt;br /&gt;Que eu não sou de velejar&lt;br /&gt;O leme da minha vida&lt;br /&gt;Deus é quem faz governar&lt;br /&gt;E quando alguém me pergunta&lt;br /&gt;Como se faz pra nadar&lt;br /&gt;Explico que eu não navego&lt;br /&gt;Quem me navega é o mar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou eu quem me navega&lt;br /&gt;Quem me navega é o mar&lt;br /&gt;Não sou eu quem me navega&lt;br /&gt;Quem me navega é o mar&lt;br /&gt;É ele quem me navega&lt;br /&gt;Como nem fosse levar&lt;br /&gt;É ele quem me navega&lt;br /&gt;Como nem fosse levar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rede do meu destino&lt;br /&gt;Parece a de um pescador&lt;br /&gt;Quando retorna vazia&lt;br /&gt;Vem carregada de dor&lt;br /&gt;Vivo num redemoinho&lt;br /&gt;Deus bem sabe o que ele faz&lt;br /&gt;A onda que me carrega&lt;br /&gt;Ela mesma é quem me traz &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-4145578917171996336?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/4145578917171996336/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=4145578917171996336&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/4145578917171996336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/4145578917171996336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/11/o-velho-e-o-mar.html' title='O velho, o autor e o mar'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-6027218436831940764</id><published>2007-10-30T16:18:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:58:24.040-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Músicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Shows'/><title type='text'>Vinicinho da Vila</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;ou&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;O autor na casa onde todo mundo é bamba.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;“Olha que domingo é dia santo, menino!” Foi a primeira coisa que eu ouvi ao entrar na cozinha com meu cavaquinho debaixo do braço. Era a Dona Divina, tia de toda a família e cozinheira de mão cheia. “Vê não esquece da folha de louro que eu gosto, Didi.” Respondeu por mim o anfitrião, com sua voz arrastada e rouca. “E eu não sei que você gosta, fio? Por acaso eu já esqueci da folha de louro fio?” Dizia isso com a mão apoiada na grande e larga cintura, logo acima de onde amarrava o avental. “Olha que eu vou contar aquela história pro menino, Didi.” E os dois compartilharam uma gargalhada com cheiro de feijão preto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Fomos direto para o quintal, e antes de chegar nele já escutava o cavaco do Wanderson Martins acompanhado pelos batuques do Ovídio Brito e Tunico Ferreira. Logo depois de mim, chegaram o moleque Gabriel de Aquino, Mané do Cavaco e o Paulinho da Aba. Devem ter se perdido pela Serra dos Pretos Forros ou pela Boca do Mato, mas não chegaram tarde para começar o samba.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;E ele começou animado, com a cadência azul, amarela e branca da Vila. Por aí ficou um bom tempo, e eu acompanhando tudo no braço curto do meu cavaquinho, com os dedos ardendo em fogo animado e malandro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;E para cada música que puxavam, uma história era contada. Martinho entoava apaixonado seus versos, com aquela voz única. Lembrou do começo, de quando recusou um convite da gravadora por querer ser “apenas” compositor, e não cantor. Contou de quando era sargento do exército e os compromissos com a música em São Paulo dividiam suas atenções. Mostrou boa memória ao descrever as viagens para a Angola e seus vizinhos africanos, para Paris e Suíça. Da Vila então, enchia a boca para contar as tantas e tantas histórias. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Embaixo daquela árvore, entoando as notas famosas dos batuques da cozinha, a tarde ia e vinha, infinita. Dona Didi anunciou a feijoada quando nem precisava, o cheiro já nos convidava a continuar o batuque lá. “Olha que de batuque na cozinha eu não gosto, hein?” – piadista a Dona Didi, não?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;E entre sambas e história se seguiu o show do Martinho da Vila, que aconteceu na excelente casa de show do Teatro Fecap, no dia 28 de outubro. Durante as quase duas horas, era essa a sensação. Abaixo, um pouco do que eu mais gosto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/zg5FovHR2nA&amp;rel=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/zg5FovHR2nA&amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt; &lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/zAgUsY8Wyys&amp;rel=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/zAgUsY8Wyys&amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt; &lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/t8xTTCFrAlg&amp;rel=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/t8xTTCFrAlg&amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-6027218436831940764?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/6027218436831940764/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=6027218436831940764&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/6027218436831940764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/6027218436831940764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/10/vinicinho-da-vila.html' title='Vinicinho da Vila'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-2917074312879924529</id><published>2007-10-25T10:17:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:41:47.977-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>O gato</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;ou&lt;br /&gt;Sete por uma.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;O gato, sete vidas ele tinha. Não acreditava nesses ditos populares, o gato. Mesmo assim, tinha ele sete vidas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Mas um dia, lhe tiraram toda a comida. Com uma vida a menos ficou o gato. Porém, seis vidas lhes restaram e de fome não morreu, o gato. Passou a vida a vagar faminto pelas ruas, pele e osso, sem recheio, o gato. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Com muita sede acordou uma madrugada, o gato. Percebeu que esparramaram toda a sua água, toda. Com uma vida a menos ficou o gato. Porém, cinco vidas lhes restaram e de sede não morreu, o gato. Seguiu a vida com cada gota que do céu caía, a chuva.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Depois de muito tempo juntos, viajaram todos, os amigos do gato. Com uma vida a menos ficou o gato. Porém, quatro vidas lhes restaram e de solidão não morreu, o gato. Só ficou saudoso, só ficou só. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Um dia, sem querer, do gato tiraram uma grande alegria. Com uma vida a menos ficou o gato. Porém, três vidas lhes restaram e não morreu de tristeza, o gato. Continuou a vida reclamando dela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Em uma noite, do gato tiraram o coração. Com uma vida a menos ficou o gato. Porém, duas vidas lhes restaram, mas sem seu amor não quis viver, o gato, mesmo com toda uma vida pela frente.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-2917074312879924529?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/2917074312879924529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=2917074312879924529&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/2917074312879924529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/2917074312879924529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/10/o-gato.html' title='O gato'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-3590290592512524694</id><published>2007-10-22T16:44:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:58:24.041-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Músicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Shows'/><title type='text'>La negra</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;ou&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Cantando como a cigarra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Senti-me como um menino frente a Deus, com a certeza de que aquele sentimento era tão frágil como um segundo. E por isso eu sei que durante a noite do dia 18 de outubro de 2007, eu voltei aos meus dezessete. Cantei como o irmão americano que sou, junto a todas as vozes que ali estavam, aplaudindo com todas as mãos, todas, tendo a certeza de que minha pele estava em contato com a pele de toda a América.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;E eu não estava só. Enquanto guiava toda a platéia aos seus respectivos dezessete anos, &lt;i style=""&gt;La negra&lt;/i&gt;, com 72, mostrou que está longe de se aposentar. Sua voz continua tão potente e corajosamente linda como antes, passando a certeza de que seguirá &lt;i style=""&gt;trabajando, trabajando &lt;/i&gt;sí e cantando por cantar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Mercedes Sosa, apelidada de &lt;i style=""&gt;La negra&lt;/i&gt; por causa de seus longos e negros cabelos, nasceu em Tucumán, na Argentina. Lá, aos quinze anos, foi descoberta cantando em uma competição na rádio da cidade. Como prêmio, ganhou um contrato de dois meses. É dessa época que ela carrega suas raízes populares e o seu estilo folclórico característico – como seu CD &lt;i style=""&gt;La voz de la zafra&lt;/i&gt; ou a canção &lt;i style=""&gt;Duerme negrito&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;object height="355" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/vUZwywZivIY&amp;amp;rel=1"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/vUZwywZivIY&amp;amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" height="355" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Mas sem dúvida alguma, foi a preocupação sócio-política que marcou a sua carreira. Militante ativa contra as ditaduras militares, é dela A voz da canção de protesto latino-americana. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Essa preocupação se refletiu no repertório da cantora. Tanto que ela é um dos nomes mais importantes da &lt;i style=""&gt;Nueva Canción&lt;/i&gt;, um movimento musical latino-americano da década de 60, que tinha entra suas ideologias a luta pelos direitos humanos e a batalha contra a desigualdade social. Exilada, foi perseguida pelo governo argentino e proibida de se apresentar no Brasil e Uruguai por vários anos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Contando-nos sobre esse período, &lt;i style=""&gt;La negra&lt;/i&gt; cantou a música &lt;i style=""&gt;Yo tengo tantos hermanos&lt;/i&gt;:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Yo tengo tantos hermanos que no los puedo contar.&lt;br /&gt;En el valle, la montaña, en la pampa y en el mar.&lt;br /&gt;Cada cual con sus trabajos, con sus sueños, cada cual&lt;br /&gt;Con la esperanza adelante, con los recuerdos detrás.&lt;br /&gt;Yo tengo tantos hermanos que no los puedo contar.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Gente de mano caliente por eso de la amistad.&lt;br /&gt;Con un lloro pa llorarlo, con un rezo pa rezar.&lt;br /&gt;Con un horizonte abierto que siempre está más allá.&lt;br /&gt;Y esa fuerza pa buscarlo con tesón y voluntad.&lt;br /&gt;Cuando parece más cerca es cuando se aleja más.&lt;br /&gt;Yo tengo tantos hermanos que no los puedo contar.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Y así seguimos andando, curtidos de soledad.&lt;br /&gt;Nos perdemos por el mundo, nos volvemos á encontrar.&lt;br /&gt;Y así nos reconocemos, por el lejano mirar,&lt;br /&gt;Por la copla que mordemos, semilla de inmensidad.&lt;br /&gt;Y así seguimos andando, curtidos de soledad.&lt;br /&gt;Y en nosotros nuestros muertos pa que nadie quede atrás.&lt;br /&gt;Yo tengo tantos hermanos que no los puedo contar,&lt;br /&gt;Y una &lt;span style=""&gt;hermana&lt;/span&gt; muy hermosa que se llama &lt;span style=""&gt;Libertad&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;E assim foi durante todo o show. Antes de cada música, uma história. E a cada história, um sentimento diante dela. Fui romântico, fui indignado, fui bravo, morri e vivi, &lt;i style=""&gt;como la cigarra&lt;/i&gt;. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;object height="355" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/-Ca4Wkt_IQk&amp;amp;rel=1"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/-Ca4Wkt_IQk&amp;amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" height="355" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Assim como essa música, uma das minhas preferidas, &lt;i style=""&gt;Alfonsina y el mar&lt;/i&gt; também foi aplaudidíssima quando ela entoou os primeiros versos. Não é a toa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;“Te vas Alfonsina / Con tu soledad / ¿Qué poemas nuevos / Fuíste a buscar? / Una voz antigüa / De viento y de sal / Te requiebra el alma / Y la está llevando / Y te vas hacia allá / Como en suemos / Dormida, Alfonsina / Vestida de mar.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;object height="355" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/LKp4zCZ5h_c&amp;amp;rel=1"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/LKp4zCZ5h_c&amp;amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" height="355" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Mas Mercedes Sosa não é somente a mulher que lutou contra as injustiças de sua época. Ela, antes de tudo, é romântica. Provou isso cantando "Insensatez", do Tom Jobim e Vinicius – apesar do receio: "Adoro essas músicas. Elas não envelhecem nunca. Mas penso que os brasileiros não gostam muito quando eu as canto." Por quê? – perguntou a jornalista da Folha de São Paulo. "Acho que me conhecem mais como cantora latino-americana e tenho a sensação de que consideram estranho ouvir essas canções em português pela minha voz”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Mas não foi nem um pouco estranho, Mercedes. Até porque latino-americanos também somos nós, brasileiros. Insensatez ficou tão bonito na sua voz como a &lt;i style=""&gt;Canción de las simples cosas&lt;/i&gt;, tão romântica quanto:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;“Al fin la tristeza es la muerte lenta de las simples cosas”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;“Por eso muchacho no partas ahora soñando el regreso, / Que el amor es simple, y a las cosas simples las devora el tiempo.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;object height="355" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/NgA879_sK8c&amp;amp;rel=1"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/NgA879_sK8c&amp;amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" height="355" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Mas confesso que fui ao show ansioso pelas letras afiadas, de punho fechado e que carregam a bandeira da liberdade. E fui tão bem atendido como os que procuravam o romantismo da sua voz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Durante o show, pensei sobre a importância que dessa mulher para seu povo. Suas músicas davam esperança a toda a gente, davam força para seguir vivendo e sobrevivendo.&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_sEsjSeqA1Vg/Rx0KxsaFpiI/AAAAAAAAAow/WdQ0uc0BwCw/s1600-h/mercedes.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_sEsjSeqA1Vg/Rx0KxsaFpiI/AAAAAAAAAow/WdQ0uc0BwCw/s400/mercedes.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5124263799867942434" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;object height="355" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/CxAhD5Q3rVg&amp;amp;rel=1"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/CxAhD5Q3rVg&amp;amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" height="355" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Escutei canções que eu achava impossíveis e pedi a Deus que eu não seja indiferente a muitas coisas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;object height="355" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/q6nXAmVbnys&amp;amp;rel=1"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/q6nXAmVbnys&amp;amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" height="355" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;object height="355" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/SIrot1Flczg&amp;amp;rel=1"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/SIrot1Flczg&amp;amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" height="355" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Sem dúvida, foi o show mais emocionante que já presenciei. Conhecer A negra é como viver um século, é como &lt;i style=""&gt;volver a ser de repente tan frágil como un segundo / Volver a sentir profundo como un niño frente a dios&lt;/i&gt;, acredite. E vendo-a, aos 72 anos, pude ter uma certeza: tudo muda, menos o seu amor pela liberdade e pela vontade de seguir cantando. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;“&lt;i style=""&gt;Pero no cambia mi amor / por mas lejos que me encuentre / ni el recuerdo ni el dolor / de mi pueblo y de mi gente&lt;/i&gt;”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;object height="355" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/bkan9AmOWwQ&amp;amp;rel=1"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/bkan9AmOWwQ&amp;amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" height="355" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-3590290592512524694?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/3590290592512524694/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=3590290592512524694&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/3590290592512524694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/3590290592512524694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/10/la-negra.html' title='La negra'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_sEsjSeqA1Vg/Rx0KxsaFpiI/AAAAAAAAAow/WdQ0uc0BwCw/s72-c/mercedes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-6288294851753243480</id><published>2007-10-16T14:16:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:34:01.474-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias'/><title type='text'>E eu achava que era grande</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_sEsjSeqA1Vg/RxTzf8aFpfI/AAAAAAAAAmg/hxCEjmIzNRA/s1600-h/TIME.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_sEsjSeqA1Vg/RxTzf8aFpfI/AAAAAAAAAmg/hxCEjmIzNRA/s400/TIME.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5121986406344140274" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Em 2000, com meus 15 anos, eu realmente acreditava que já era grande o suficiente para ir para a NBA. Aliás, na minha imaginação, minha carreira já estava toda definida: dali a dois anos eu estaria jogando em um grande time do Brasil. Seria a revelação do campeonato nacional e ganharia meu lugar na seleção. Em 2004, durante as Olimpíadas de Atenas, sairia do banco de reservas para ajudar o Brasil a conquistar o bronze ou a prata. Sabia que o ouro não seria possível. Mas a passagem por Atenas me levaria para a NBA. Isso tudo com apenas 20, 21 anos. Em 2008, em Pequim, levaria o Brasil ao ouro olímpico e seria o herói do basquete brasileiro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Meus planos só iam até aí. Também, pra que mais? - E tudo isso com esse tamanho que vocês estão vendo na foto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Hoje eu tenho 22. Não fiz nada disso. Abandonei a minha “carreira profissional” do basquete com 18 anos. Minha NBA foram JOJU’s inesquecíveis. Minha medalha de ouro é essa aí, que o DVD – esse pivô magrelo com umbigo na testa - me passou.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;obs.: Esse time mete medo em alguém? Era impossível ganharmos alguma coisa ;-)&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt; &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-6288294851753243480?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/6288294851753243480/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=6288294851753243480&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/6288294851753243480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/6288294851753243480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/10/e-eu-achava-que-era-grande.html' title='E eu achava que era grande'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_sEsjSeqA1Vg/RxTzf8aFpfI/AAAAAAAAAmg/hxCEjmIzNRA/s72-c/TIME.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-8936666595656074733</id><published>2007-09-27T15:16:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:41:47.978-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>O homem que não tinha lembranças</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;ou&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;O Livro-Tese das Recordações Passadas – assim mesmo, com o pleonasmo.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;Deparou-se um dia com a certeza: não tinha lembranças. O homem não tinha lembranças. Entenda bem: não é que ele não tinha as suas memórias. Isso ele tinha sim, aos montes. Mas o fato é que ele não estava presente nas lembranças de ninguém. Era um homem, definitivamente, sem lembranças.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Como ele pôde chegar a essa tão indigesta afirmação? Simples. Eleutério Pretérito – esse era o nome do homem -, anotou todas as suas recordações, boas e ruins, em um diário. Chamou-o de o Livro-Tese das Recordações Passadas – ignorando a premissa de que recordações só podem vir mesmo do passado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Começou a registrar as memórias do início da sua vida. Da primeira infância, o pouco que sabia lhe foi contado por familiares. Portanto, como não queria comprometer a Tese com histórias de terceiros, ignorou a fase. Forçou-se então a recordar os primeiros anos, os primeiros presentes de Natal, o dia em que aprendeu a andar de bicicleta, as festinhas de aniversário, o time de futebol, a escola, os amigos de então... A primeira fase de sua vida já estava no Livro-Tese das Recordações Passadas, porém, logo percebeu que não poderia comprovar a sua lembrança – por isso entendemos sua presença na lembrança alheia- com ninguém daquela época. Os avós, pais e tios já haviam falecido. Os primos e amigos estavam dispersos, não tinha sequer idéia das cidades por onde andavam. Desses, as últimas notícias eram do tempo da faculdade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Eleutério Pretérito então decidiu por procurar-se em lembranças não tão longínquas. Concentrou-se na adolescência. No Livro-Tese das Recordações Passadas, anotou as primeiras linhas desse capítulo iniciando-o pelos treze anos. Buscou nos arquivos de outrora sua primeira namorada. Não, não. Sua primeira paixão, a qual não foi correspondida. Foi um amor platônico, portanto não havia como perguntar a menina se ele estava nas suas lembranças. Passou então, agora sim, à primeira namorada - aquela com a qual ainda se anda de mãos dadas escondendo os beijos interrompidos pela vergonha. Virgínia era o nome da menina meio tímida, meio feia. Era ela quem o ajudou com as provas de Ciências. Ela também era o destinatário de suas cartas com poeminhas tão óbvios, tão clichês. Aos leitores que já se adiantam, não foi Virgínia a primeira mulher de Eleutério Pretérito. Mas esse sim é um fato para se recordar e que, normalmente, os dois se lembrariam. Mas ele, o homem que não tinha lembranças, perdeu a virgindade em uma Casa de Tolerância. A Dama da noite era impossível encontrar. Devia ter alcançado seus setenta anos, já que não era nova quando deu a Eleutério Pretérito o título de Homem. E desde que ela se mudou da cidade (Ele se apaixonou pela mulher. Visitava-a semanalmente. Sofreu uma grande desilusão quando ela se mudou.), nunca mais soube da velha dama. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Virgínia também não seria uma busca fácil, apesar de uma ótima peça para que se descobrisse em alguma memória. Fez os telefonemas necessários, olhou nos arquivos da escola, procurou pela família. Tinha dela apenas uma foto, que não foi suficiente para que a encontrasse. Virgínia era hoje apenas um nome e uma imagem amarelada – não só no papel.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;O Livro-Tese das Recordações Passadas começou a ganhar páginas, mas nenhuma ainda podia ser comprovada por seus personagens. Achou nas gavetas algumas lembranças de festas de debutantes. Entretanto, de poucas lembrava mais que do nome. A fase era de começar a beber. E ele não lembra mais do que isso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;Passou pelas idéias do homem procurar seus professores. Voltou ao colégio e descobriu o endereço de alguns – daqueles que ainda estava vivos. Ao todo, eram três. Apresentou-se, “Eleutério Pretérito, está lembrado?”. Nenhum deles o reconheceu de primeira vista. Depois de um café, um continuou a não lembrar-se; mas os outros dois disseram que sim, recordavam, vagamente, “de um tal de Elomar, não, Ênio, não, El... como é mesmo?”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Quando avançou em seu Livro-tese, arrependeu-se de ter parado de ir aos encontros anuais da Turma de Contabilidade de 1976. A maioria eram homens e poucos o convidaram para seus casamentos. Não foi padrinho de ninguém. Durante os cinco anos, preocupava-se demais em pagar a faculdade e as contas do aluguel na cidade nova. Não teve tempo de divagar em bares e botecos. Não teve tempo de namorar. Não teve tempo de ter mestres. Em suas próprias memórias da época de faculdade, ele praticamente não se via. Qual era a possibilidade de alguém se lembrar dele? Recuperou uma antiga agenda. Ligou para todos os conhecidos de então– de quem se lembrava, é claro. Dos 25 totais, 8 não conheciam a pessoa procurada (haviam de ter se mudado), 4 faleceram (Eleutério se emocionou ao saber de 2), 4 não lembravam dele nem das histórias que contava (coincidentemente, as quatro pessoas eram mulheres) e os outros 9 lembravam das histórias que ele contou, mas não sabiam onde um tal de Eleutério Pretérito se encaixava naquilo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Eleutério Pretérito continuava sem lembranças. E essa verdade já começava a o afligir. Ainda mais agora, em que suas memórias entravam em um terreno facilmente desprovido de estabilidade: o mundo adulto. Traçou seu caminho profissional: a primeira firma em que trabalhara faliu. A segunda foi vendida para um investidor internacional. A terceira, e última, pela qual se aposentou, mudou de nome e cidade. O dono decidiu levá-la para o Centro-Oeste, atrás de uma esperança de Brasil agropecuário e lucrativo. Mas em todas elas, passava o dia em uma salinha isolada do barulho e consequentemente das pessoas – já que as planilhas e fechamentos mensais demandavam extrema concentração. No fim do ano, no tradicional amigo oculto, ouvia sempre um “Não o conheço muito bem” ou “Sei que ele é do financeiro, mas não conheço direito” ou “Ah, ele é da contabilidade e tem um nome engraçado”. Descrições rasas de uma pessoa praticamente desconhecida para todos. Mas e as histórias do trabalho? As festas da firma? Eleutério Pretérito até que as tinha. Porém era mais fácil o relógio na parede da sua sala o reconhecer que uma pessoa que vinha apenas pedir cálculos ou tirar dúvidas de impostos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Fechou o Livro-Tese das Recordações Passadas, ainda cheios de páginas em branco, com a certeza de que não tinha lembranças. Onde existiria Eleutério Pretérito, o nome e a pessoa juntos, além das linhas desse livro?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;O homem, que não estava presente nas memórias de ninguém, passou os dias seguintes ao fechamento do livro deprimido. Sentiu como se sua vida não tivesse existido. Como se não tivesse sido importante para ninguém. Nem sequer uma única pessoa. – E desse sentimento tirou a idéia que poderia o salvar. Durante sua vida, Eleutério Pretérito deve ter ajudado alguém. E o receptor de sua caridade absolutamente não o pode ter esquecido. Nem a ele nem a história comum que os dois tinham. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;O homem sem lembranças buscou então qual foi a última vez em que ajudou alguém. Achou um menino, criança, chamado Júnior, que, apesar desse nome, não tinha passado. O garoto morava em um abrigo de crianças abandonadas e, em uma dessas campanhas de telemarketing, foi “adotado” pelo homem. Eleutério Pretérito pagava anualmente uma quantia destinada a educação dele e no aniversário mandava um presente. Nunca se viram, na verdade. Mas todo Natal, Júnior enviava um cartão para o homem: “Querido Padrinho Eleutério Pretérito”...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;O homem que não se achava presente nas lembranças de ninguém teve uma esperança de se encontrar no menino sem passado. Ligou para o orfanato e combinou com a responsável uma visita ao garoto. Então, em uma tarde de sábado, pegou o Júnior, sem primeiro nome nem nada, para tomar um sorvete. Logo quando chegou, o menino correu para abraçá-lo. “Oi Padrinho Eleutério”. O homem respondeu com um oi surpreso, “Você me conhece?”. “É claro, padrinho. Você não recebe meus cartões de Natal?”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Tomaram o sorvete e às seis, como combinado, Eleutério Pretérito deixou Júnior no orfanato. Deu para ele, de recordação daquele dia, uma bola e um livro. O homem sem lembranças finalmente se encontrou em uma memória, mesmo que em uma sem passado. E o menino, antes sem pretérito, tinha agora muitas páginas em branco para continuar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-8936666595656074733?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/8936666595656074733/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=8936666595656074733&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/8936666595656074733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/8936666595656074733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/09/o-homem-que-no-tinha-lembranas.html' title='O homem que não tinha lembranças'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-5202506930801346727</id><published>2007-09-25T17:37:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:41:47.978-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>O homem que queria ser fiel</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;ou&lt;br /&gt;A incrível busca do homem fiel.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;&lt;br /&gt;O homem queria ser fiel. Sentia a necessidade disso. Não que ele não o fosse com sua mulher. Era. Demais. Mas queria algo maior, queria ser mais fiel. Duas mulheres? Humm. Bom, é maior que a fidelidade a uma, mas ser fiel a duas significaria não ser com uma, o que daria no mesmo. Precisava achar alguma coisa para depositar toda a sua fidelidade. Talvez uma religião, já que tantos se chamam fiéis. Procurou a maior do mundo, o catolicismo. Mas não conseguiu se entregar, tinha dogmas demais. Uma maçã que destrói o paraíso, um espírito que fecunda uma mulher, um homem que anda sobre as águas, não dá. Ou melhor, não deu. O catolicismo não ganhou o tão prezado fiel. Tentou o Espiritismo, mas quando descobriu que Alan Kardec não era o autor do livro, mas sim quem o ditava de outro mundo, ficou descrente. Daí pro Budismo, Xintoísmo e outros ismos, mas achou que nenhum deles era grande demais para sustentar sua fidelidade. Afiliou-se a um partido político. Mas desses não precisou de nenhum dogma, crença, santo ou qualquer outro decoro parlamentar para ter sua fidelidade ferida. Políticos pulando de galho em galho, vestindo outras camisas, outras máscaras. Não. Queria algo para se orgulhar de ser fiel. Algo que batesse no peito e gritasse na cara do inimigo os conceitos desse seu algo. Pensou em um mestre, um símbolo. Mas os seus heróis, que buscou no passado, ou acreditavam na esquerda de antes ou aceitaram a ditadura de depois. Acabou gritando durante alguns dias algumas frases que na sua criação eram verdadeiros discursos, mas que, como clichês, entoavam-se tão enjoativas... Buscou então as escolas artísticas, mas achou que hoje havia tantas e nenhuma, convergidas e dispersas. Nas bibliotecas, empenhou-se em descobrir correntes filosóficas. Enfim, esteve próximo de injetar esses conceitos e pensamentos nas suas veias mais fiéis, mas sentiu falta do prático, das ruas, da ação. Não se via um fiel acadêmico. Queria uma luta, em que suas palavras fiéis grunhissem nos seus dentes rangendo. Queria bater no peito algo que escutou e que confia cegamente. Por fim, passou em uma banca e comprou os jornais para procurar o que tanto buscava. Começou lendo todas as matérias de cabo a rabo. Depois, passou a ler as chamadas, alguns parágrafos e as entrelinhas. Leu Olavo de Carvalho, leu sobre o Foro de São Paulo. Leu os direitistas, os esquerdistas, os centro-alguma coisa, leu os declarados, os parciais, os declarados parciais... Chegou em casa desiludido. Abriu a porta e encontrou a mulher conversando com o encanador. “A caixa estava entupida” disse ela. Depois disso, o homem que queria ser fiel decidiu sê-lo a duas mulheres.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-5202506930801346727?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/5202506930801346727/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=5202506930801346727&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/5202506930801346727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/5202506930801346727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/09/o-homem-que-queria-ser-fiel.html' title='O homem que queria ser fiel'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-2026550456895818518</id><published>2007-09-24T17:34:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:41:47.978-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>O buquê da Camélia</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;ou&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;br /&gt;Bem me quer, mal me quer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Houve uma explosão de palmas e risos quando viram que foi ela quem o pegou. Como um animal faminto, Aristela venceu o pouco terreno disputado à tapa pelas encalhadas. Mas fez tudo isso por pura diversão. Aristela, ao contrário do que vocês, leitores, podem pensar, nunca quis se casar. Ou pelo menos, para mim, nunca demonstrou esse sentimento. Era para se divertir e conseguiu. Durante toda a festa, não soltou o buquê. Abraçava-o com furor e paixão em meio às piadas de todos na mesa. Ela mesma dizia chacotas, às gargalhadas. Mas ali, com o buquê da noiva nas mãos, a esperança acabou por embriagá-la no fim da noite. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Aristela era filha de Woodstock. Seus pais desprezavam, estagnados em uma época de suas alegrias e realizações mais imediatas, a TV e a recém-nascida Internet. Pregavam ainda a paz e o amor, mas odiavam a intromissão norte-americana no mundo. Quando criança, muitos livros e poucos desenhos animados. Poucos, quase nada. Mas ela, assim como os pais, saiu de casa cedo. Porém, ao contrário deles, foi atrás de emprego. Trabalhou para pagar a faculdade e formou-se em Jornalismo. Formada, execrou as ofertas marrons, mesmo que tenha passado intensas dificuldades por isso. Dizia que um jornalista é, antes de tudo, alguém fiel aos seus conceitos. Para mim, isso serve para todos, não só para os jornalistas. Mas ela dizia que com eles era maior. Tudo bem. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;A moça tornou-se uma mulher moderna. Ligou-se a tecnologia. Comprou um celular logo que pode e banda larga era prioridade em casa, apartamento que dividia com uma amiga que conheceu na faculdade. E era exatamente essa amiga que estava se casando agora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Entretanto, o fato de Aristela ter prioridade em construir sua vida não a impediu de namorar. Ela só não acreditava em casamento, mas quanto aos relacionamentos puxou completamente para os pais: desapegada, livre, solta. Mas o buquê, o buquê tão perfumado, aquelas arranjo tão perfumado, tinha essência demais para a camélia que ela se via. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Eu estava lá, na mesa, junto com ela. Era um dos que ria das suas piadas e talvez tenha sido o primeiro a perceber sua (des)ilusão. No fim da noite, mais embriagada pelo perfume que pelo champagne, me tirou para dançar. Nunca fomos amigos. Nossa única ligação é a noiva, nossa amiga em comum. Algumas vezes fui à sua casa – na verdade, na casa da outra – e a encontrava, mas trocamos poucas palavras. A verdade é que nunca sentamos em uma mesa de bar para conversarmos. Tampouco a achava bonita. Porém confesso que aquele buquê a deixou radiante. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Da pista fomos para minha casa. Nos amamos enquanto durou a garrafa de vinho que levamos da festa. Para restabelecer a razão e a vergonha, dormimos. O buquê despetalou-se na cama.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-2026550456895818518?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/2026550456895818518/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=2026550456895818518&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/2026550456895818518'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/2026550456895818518'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/09/o-buqu-da-camlia.html' title='O buquê da Camélia'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-7167022986886133500</id><published>2007-09-17T18:02:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:48:18.798-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Recomendação de leitura'/><title type='text'>Uma trégua para o drama</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Um exército atuando embrenhado nas mais densas matas da floresta amazônica começa a sentir a sua força viril reprimida pela distância da família e das mulheres de vida fácil. Preocupados com os resultados de tantos hormônios guardados (pois os homens já começavam a abusar das moradoras da região), os altos postos criam um serviço de, digamos, visitadoras, para acalmar os jovens cabos e soldados. Para organizá-lo, escolhem o Capitão Pantaleão Pantoja, um homem extremamente correto, sistemático e metódico, que tem o exército como sua maior prioridade. Aí começa a história do livro Pantaleão e as Visitadoras, de Mario Vargas Llosa. Este foi o primeiro livro de comédia que eu li, dando risada a cada página. O peruano já é um dos meus autores preferidos depois do Pantaleão. Como sempre, usando uma linguagem simples e com jogadas de texto geniais, Llosa consegue contar essa história de uma maneira surpreendente e um final fantástico. Vale muito a pena.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div  style="border-style: none none solid; padding: 0cm 0cm 1pt;color:-moz-use-text-color -moz-use-text-color windowtext;"&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="border: medium none ; padding: 0cm;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Prestes a completar 50 anos, um homem rabugento passa a ter na contagem do tempo que falta para conseguir a aposentadoria sua única distração. Em um emprego medíocre, viúvo conformado e distanciado dos filhos, ele encontra em uma nova funcionária, bem mais nova, um trégua para sua vida amena e desgostosa. Essa é a história é a de A trégua, do uruguaio Mário Benedetti. Esse livro me surpreendeu, porque sou receoso a livros-diários. Mas este, que tem essa forma, é ótimo e traz conclusões íntimas do dia-a-dia de quem, como muitos de nós, deixa o cotidiano tomar conta da vida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-7167022986886133500?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/7167022986886133500/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=7167022986886133500&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/7167022986886133500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/7167022986886133500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/09/recomendao-de-leitura-uma-trgua-para-o.html' title='Uma trégua para o drama'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-7534880804350714831</id><published>2007-09-05T18:34:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:41:47.978-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>A infiltração</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;ou&lt;/span&gt;&lt;o:p style="font-style: italic;"&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;- sem subtítulo.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Deitou-se com os olhos fixos no teto. O nojo impregnava a sua pele com um odor repulsivo, sórdido, dele. O lençol, azul claro, gemia um movimento lento e choroso. A cama, de madeira antiga, estalava o sol da manhã com um grito aveludado. Os chinelos acompanhavam tudo de baixo, contemplativos em seu olhar baixo, submisso, mas que acompanhou cada passo do que se passou. E olhos dele, os olhos dele, continuavam fixos no teto, com sua inadmissível mancha de infiltração marrom. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Pela janela entrou o primeiro sol do dia, enfrentando os espectros que fediam cachaça de segunda e batom barato. A cortina espantava-se violentamente com cada partícula de pó que se repousava nela e as espantava todas, com belos e harmoniosos movimentos. O som da rua passou a invadir o ouvido que na noite anterior também foi invadido por uma língua viciada em cigarro e álcool. Buzinas soaram como aquelas músicas que o cegaram há poucas horas. Mas nada tinha maior volume que a respiração insegura e orgulhosa daquele corpo deitado tortamente na cama. E o teto, o teto com sua inadmissível mancha de infiltração marrom, continuava encarado pelos olhos fixos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;E o chão sujo, pegajoso, marcado por pegadas de memórias encadeadas, que sempre esteve geometricamente disposto a encarar o teto, o teto com sua inadmissível mancha de infiltração marrom, não tinha seus olhos fixos nele. Os olhos eram do homem. As lágrimas eram do homem. O nojo era do homem. A infiltração era do teto, mas o homem definitivamente não a encarava como lágrimas do teto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-7534880804350714831?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/7534880804350714831/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=7534880804350714831&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/7534880804350714831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/7534880804350714831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/09/infiltrao.html' title='A infiltração'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-991685335989029821</id><published>2007-07-20T18:37:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:41:47.979-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Biografia de uma noite sempre desconhecida</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;ou&lt;br /&gt;Inspirado em "Livro, quando te fecho abro a vida.", de Pablo Neruda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Era um sábado frio que se aproximava das sete da noite quando decidi conhecer uma grande livraria recém-inaugurada que está sendo muito bem elogiada. Como denunciado pela minha feição, seu tamanho realmente me surpreendeu e tive a certeza de que passaria ali algumas horas daquela noite. Comecei dando uma volta por todo o lugar, evitando parar nas prateleiras que mais me interessam. Perdi um tempo com os CD’s e DVD’s e voltei para as seções que iriam me deter. Além da qualidade da livraria, suas coleções, as edições especiais, a organização, a quantidade e profundidade dos temas, o ambiente era muito agradável. Sofás e puffs centralizavam a área de leitura, colaborando com a decoração agradável do local. Um bonito casal dividia um Neruda no puff laranja, um jovem no sofá, todo vestido de negro, se deliciava, apesar de sua expressão não mostrar isso, com um policial de Rubem Fonseca. O casal de idosos compartilhava suas opiniões sobre os respectivos livros: o dele, “68. O ano que não terminou”; o dela, “Mongólia”, Prêmio Jabuti daquele ano. Perto deles, a seção de auto-ajuda estava sendo disputada por uma parte dos inúmeros leitores que lotavam a livraria naquele dia. Eu me dirigi para a área dos livros estrangeiros. A literatura latino-americana me encanta e deixa meu espanhol em dia. Tomei um Llosa e fui me sentar para viajar por ele. Nos puffs e sofás, só um lugar sobrava. Era ao lado de uma jovem bonita que, duvidei em um primeiro estante, se emocionava com o livro que tinha nas mãos. Comecei a ler o livro que selecionei enquanto a curiosidade de saber o título que tanto mexia com aquela menina foi me consumindo. Ela tinha um lenço nas mãos e já avançava para as páginas finais do livro. Devia estar ali há um bom tempo. Eu mesmo tenho o costume de ler alguns livros na livraria sem adquiri-los, mas jamais em uma sentada só. Passava pelas linhas de Llosa sem que elas prendessem minha atenção. Levantei. Devolvi o livro à sua prateleira e comecei a buscar por outros temas de meu interesse. Passei pela poesia nacional, contos contemporâneos, crônicas antigas e biografias. Nesta última, quando me ative ao mais novo lançamento de Ruy Castro, a menina apareceu a meu lado, com os olhos e o nariz vermelhos, devolvendo o que lia a estante de onde o tirou. Colocou o livro sem emparelhá-lo com outros dos seus. Pareceu-me que não havia mais nenhuma cópia, só aquela mesmo, que ela lia com tanta alegria e emoção. Esperei a moça se afastar alguns passos de mim, não contive a curiosidade e apanhei aquele exemplar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O susto e o horror me tomaram. Li e reli inúmeras vezes aquele título. Era inacreditável. Desconhecia o autor. Tampouco tinha conhecimento da editora. Meu tremor quase me impediu de segurar o livro, por pouco não indo ao chão. Mesmo assim, tive a certeza de que não largaria o livro por nada. Minha mão o cerrava de tal maneira que denunciava minha apreensão. Aquele livro, aquele livro, como podia estar ali, junto com todas aquelas biografias? Aquele livro, aquele livro, era a minha biografia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei ao sofá. Minhas pernas estavam fracas, minha cabeça tinha todos os impulsos que os neurônios podiam transmitir. Tinha minha vida ali, em minhas mãos. Podia saber ali, em poucas horas, tudo a respeito de mim, desde meu nascimento até minha morte. Minha trajetória, tudo o que eu passei e que iria passar. E nessa hora, mais do que nunca, o livro começou a pesar. Desproporcionalmente pesado, a ponto de não agüentá-lo. Abri a capa, pulei a nota explicativa do autor e fui logo para a primeira página. Era uma releitura dos fatos que aconteceram no ano do meu nascimento. Comecei a ler, afoito. Passei pela vida dos meus avós, meus pais e já entrava na infância quando percebi que algo atrapalhava minha leitura. A imagem daquela menina, chorosa e feliz, não saia da minha cabeça. Quem era ela? Quem foi ela na minha vida? Quem fui eu para a ela? Era o meu grande amor ou alguém que fiz um grande mal? Juntei umas folhas entre o dedão e o indicador direitos e adiantei até o meio do livro. Respirei fundo e enfiei o rosto naquelas páginas. Nenhuma nome de mulher aparecia na 256, nem na 257, nem na 258. Adiantei mais um pouco. Nada. Eu estava certo de que aquela jovem leitura fez parte da minha vida. Tinha certeza. Parei. Eu tinha que encontrá-la. Levantei pronto para ir embora. Mas não queria largar o livro. Tinha que saber o final. Fui até a fila do caixa. Duas pessoas estavam na minha frente. Estava apressado. Ela ainda devia estar por perto da livraria. Em um café, talvez. A fila demorava porque uma senhora havia esquecido a senha de seu cartão. À essa hora, o final já não me interessava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí desesperado pelas portas automáticas da loja. Na minha mão nenhuma sacola. O livro ficou como a garota o deixou, na prateleira – que nesse momento era feita de terra.&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-991685335989029821?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/991685335989029821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=991685335989029821&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/991685335989029821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/991685335989029821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/07/biografia-de-uma-noite-sempre.html' title='Biografia de uma noite sempre desconhecida'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-27550633549158369</id><published>2007-07-19T18:15:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:41:47.979-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>O cochicho</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;ou&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O autor cochichando.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O almoço desse domingo corria bem, animado como sempre. A matriarca, na ponta da mesa, era agradada pelas noras, que elogiavam a comida e pediam receitas. “Essa vai comigo para o túmulo!”, dizia ela, antecipando as gargalhadas enquanto alguns davam três batidas à mesa para espantar o azar. Dona Júlia tinha quatro filhos e apenas uma menina. A maioria deles já era casada, restando a solteirisse apenas ao caçula e a única senhorita da casa. “Ficou pra tia, não é minha filha?”, perguntava a matriarca, em um misto de franqueza, provocação e pena. E se isso era o que restava àquela dama ainda não deflorada, tinha um bom trabalho pela frente. Carlos, o mais velho, tinha dois filhos. Jorge, o segundo, tinha gêmeos e uma caçula. Depois dela, o quarto era o Geraldo, cuja esposa esperava o irmãozinho que a Angélica tanto pediu. Rafael, o caçula, apesar de solteiro, também tinha uma criança. E domingo era dia de ficar com ela, segunda mandava a justiça. A senhorita, tia por profissão, tinha trabalho nas reuniões de família. A avó adorava a casa cheia, barulhenta, cheia de crianças que faziam dali um grande parque de diversões, uma ilha deserta a explorar ou um mundo de fantasias que só elas viam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Geralmente, a mesa era ocupada sempre com os mesmos lugares. Ao lado direito da grande mãe, Carlos e sua esposa. No esquerdo, Rafael e aquele pequeno ser que tanto mudara sua vida. A seu lado, a esposa de Geraldo e ele, de frente para a que ficou para tia. O restante das cadeiras era ocupado de tempos em tempos pelas crianças, que raramente paravam de brincar. A outra ponta da mesa estava sempre vazia, em memória do pai, que parecia admirar de onde quer que estivesse a harmonia da família que deixou. Todas conversavam, compartilhavam alegrias e problemas, davam boas novas e choravam decepções. A mãe aconselhava todos ativamente. Os almoços de domingo eram esperados durante toda a semana. E quando o próximo domingo era Natal então, a ansiedade tomava conta de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E era esse o clima que tomava conta da casa neste domingo. Uma bela leitoa assada dava ainda mais alegria àquela mesa. Em meio a toda comilança e conversas e crianças e gritos e birras e gargalhadas, a que ficou para tia cutucou Carlos e lhe confidenciou algo em um cochicho. Logo depois disso, levantou-se para ir socorrer um dos sobrinhos que brincava com uma faca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A feição de Carlos se transformou. Estava estupefato. O mundo parecia transcorrer dentro de sua cabeça. Estava perplexo. Os olhos ficaram vidrados. Encaravam sem apetite uma feijoada que agora esfriava em seu prato. “Não deixe transparecer, por favor.” Saiu do seu transe com o pedido da irmã, que passou atrás dele brincando com uma das crianças. Carlos se levantou. Primeiro iria até o banheiro, mas imaginou ser abafado demais para refrescar os pensamentos. Dirigiu-se até a grande sacada da casa, aonde logo depois chegou Rafael.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que foi, Carlos?&lt;br /&gt;- Nada. Só vim me refrescar um pouco.&lt;br /&gt;- E desde quando a cozinha é abafada?&lt;br /&gt;- Acho que a mamãe exagerou na pimenta hoje.&lt;br /&gt;- Pimenta deve ter o que a Lu te contou. Eu vi vocês cochichando.&lt;br /&gt;- Rafael...&lt;br /&gt;- O que era?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Geraldo notou a falta dos dois. Disse à mulher que ia olhar as crianças e começou a procurá-los pela casa. Passou pelos quartos até seu olhar encontrar a figura dos dois irmãos. Carlos estava cochichando alguma coisa ao pé do ouvido de Rafael.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está tudo bem? – Perguntou Geraldo, assustando-os e impedindo que a feição de Rafael se transformasse como a do primogênito. Nenhum dos dois respondeu. – O que aconteceu? – insistiu inutilmente, já que um chamado da mão livrava os dois da pressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À mesa, a mãe propôs uma oração em homenagem ao pai, pois hoje era aniversário de 15 anos de sua morte. Ao final da oração, voltaram os gritos e a correria, e os três tentavam esconder o clima daquela situação. Rafael sentiu seu braço ser puxado e teve que cochichar para Geraldo o ocorrido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento, as respectivas esposas já sabiam, via cochichos disfarçados, o fato que deixava aflito aquele almoço. A mãe começou a retirar os pratos. A mesa não era a mesma. O sabor da feijoada não era o mesmo. A festança já não era a mesma. Apenas as crianças corriam como antes, gritavam como antes, se divertiam como antes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-27550633549158369?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/27550633549158369/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=27550633549158369&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/27550633549158369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/27550633549158369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/07/o-cochicho.html' title='O cochicho'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-3968408432376556827</id><published>2007-07-19T16:29:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:41:47.980-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Atrasado</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;ou&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Embrenhando nos contos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deveria existir outra palavra para substituir “atrasado”. Porque quando digo que saí atrasado para o almoço, significa que eu quis me atrasar, e não que alguma coisa aconteceu para eu perder o horário. Acontece que os almoços com o pessoal da empresa não passam de simplesmente almoços com o pessoal da empresa. Para mim, é funcional. Preciso estar bem alimentado para trabalhar. Se não estiver, me dá fome. Para matar a fome e voltar a trabalhar, almoço. É isso. Almoço em dias úteis, com o pessoal da empresa, é funcional. E hoje eu queria realmente me alimentar, e não apenas repor o que me faz falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei que meia hora se passasse desde que todos deixaram a caneta cair e foram para um restaurante próximo daqui. Até que insistiram para eu ir, mas a insistência, às vezes, é burra. Burra e inconveniente. Outras vezes é solidária. Depende, na verdade, de quem ela está sendo dirigida. Por exemplo, hoje, para mim, ela foi burra. O pior de ser um cabeça-dura é saber que está sendo. Hoje eu estou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dado os trinta minutos, desci e decidi caminhar até um lugar mais distante que o habitual. Talvez os músculos das pernas exercitassem meu conformismo com a rotina. Lembrei-me de um shopping próximo e, como tinha mesmo que pagar umas contas atrasadas – nunca lembro delas -, fui até lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A porta se abriu automaticamente. O ar seco condicionado invadiu-me as narinas, logo quando meus pulmões pediam mais fôlego depois dessa caminhada. Estava cheio, como sempre. A praça de alimentação zunia. O som não era de pessoas falando. Era um som estranho, indefinido, como se todos os sons submersos escolhessem subir aos céus. Aquilo me ensurdecia. Mas não era eu que estava surdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salada de alface, tomate e palmito, acompanhado por arroz, feijão e um filé de frango. Suco de laranja para adoçar um pouco. Braço em noventa graus para carregar a bandeja ao mesmo tempo em que se procura uma mesa. Sentei. Tirei os talheres o saco plástico e tive vontade de estourá-lo. Não estourei. Havia quatro lugares à mesa. Imaginei dividindo minhas máscaras para poder compartilhar com elas um bom almoço. Mas eram elas que me traziam a solidão dos piores dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Com licença. Tem alguém sentado aqui? – Perguntou um homem com uma sacola da livraria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, tem. O meu “eu” filha da puta, estúpido e sem escrúpulos. Pode sentar na do lado, porque nela está meu “eu” bem educado, que certamente irá ceder-lhe o lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Pode se sentar. – Eu respondi.&lt;br /&gt;- Com licença. – E se sentou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada de conversas, como sempre. Nem com o desconhecido ao meu lado, nem com a comida, que a esse momento já era mais do funcional. Faca na mão esquerda, garfo na direita. Canudo para não ter o esforço de levar o copo até a boca. Um pedaço de frango grelhado fincado no garfo, arroz e feijão apoiados nele, com a ajuda da faca. O desconhecido está comendo o mesmo que eu. Entretanto me parece que o seu prato está muito mais saboroso. Olha só, mastiga com gosto. O que será que ele está pensando? Meu Deus, como pode comer com uma cara tão boa. E o pior é que comprou no mesmo lugar que eu. Ai!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ops! Desculpa. – Ele havia chutado meu pé.&lt;br /&gt;- Tudo bem. – Respondi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em que será que ele está pensando? Preciso passar na livraria. O que será que ele comprou lá? Meu Deus, cada dia que passa essa comida está pior. Vou deixar esse pedaço de frango. Já esfriou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que comecei a almoçar nos shoppings, deixo comida no prato. Sempre esfriam rápido demais, ou perdem o tempero, ou o tempero me enjoa. Alguma dessas alternativas também são argumentos do desconhecido que agora divide comigo esta mesa. Assim como eu, deixou um pedaço do grelhado no prato. Abandonou os talheres na mesma posição que eu. Tinha o costume de tirar a carteira e guardá-la no bolso da frente durante o almoço, &lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;assim como eu&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. Levantei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei a bandeja sobre o lixo e me afastei dali. As escadas rolantes carregaram meus receios e minha respiração afoita. Tomei o caminho do trabalho e pela primeira vez em inúmeras voltas de ponteiros dos dias, me surpreendeu um estado de espírito tranqüilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando me embriagava daquilo, lembrei das contas, esquecidas mais uma vez. Caminhei novamente até o shopping, já sabendo que iria me atrasar – e dessa vez porque alguma coisa aconteceu. Fui até ao banco. A fila não estava grande, para minha sorte. Vi minha senha ser chamada ao caixa 07.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Contas. A gente nunca lembra delas, não é? – Disse o bancário. Para minha surpresa, era o meu companheiro de mesa.&lt;br /&gt;- A gente nunca lembra delas. – Repeti, literalmente, com a impressão de ter acabado de dizer isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-3968408432376556827?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/3968408432376556827/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=3968408432376556827&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/3968408432376556827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/3968408432376556827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/07/atrasado.html' title='Atrasado'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-145125946145702238</id><published>2007-07-13T15:35:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:48:32.686-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Recomendação de leitura'/><title type='text'>Meu ser revolucionário</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;ou&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O espírito revolucionário do autor, suas conclusões e O Século das Luzes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 18, 19 anos eu tinha fôlego de sobra para mudar o mundo. Viajaria para a África, seria voluntário em algum país em guerra. Não, não. A América Latina seria o meu destino. Isso. Um lugar com histórico socialista. Já sei. Iria fazer o mesmo caminho que Che Guevara e Alberto Granada fizeram juntos ainda jovens. Sairia da Argentina e subiria até a Venezuela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, aos 22, eu continuo com o mesmo fôlego. Mas ele não é mais destinos à ideais revolucionários. Aliás, não fui para África nem América Latina. Ou melhor, visitei alguns países dela. Entretanto não fui querendo mudar alguma coisa. Queria aproveitá-los como eles eram mesmo. Sem tirar nem pôr (já assistiu ao “O último rei da Escócia”?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso negar que esse espírito revolucionário me deu conhecimento. Li sobre o socialismo, conheci Pablo Neruda, sua luta e seu amigo Allende, García Lorca, Alberti, conheci a direita, a esquerda e suas contradições, fui ao sem fim ano de 68... E hoje, sei que, como me disse o Rodrigo, o mau de toda revolução é a letra “R”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na prática, quis denunciar a pobreza e a tristeza do Vale do Jequitinhonha. Junto com meu amigo Gustavo, acabamos levando um tapa de luva e fazendo um filme sobre o nosso preconceito “sul-maravilha”, como dizia Henfil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fim desses poucos anos empunhando imaginariamente gritos de ordem, sei que o que há de mais magnífico em qualquer revolução é a transformação que ela causa nas pessoas. O mesmo que concluiu Sofia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;“Pois talvez seja isso mesmo que a Revolução fez de mais magnífico: transformar muita gente”&lt;/span&gt;, disse ela, depois de todo o desenrolar do romance &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Século das luzes, de Alejo Carpentier&lt;/span&gt;. Uma revolução, muito mais que mudar o mundo, muda gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos e Sofia, filhos de um comerciante cubano, e Esteban, sobrinho do tio falecido, moram em uma mansão na capital cubana e compartilham uma sana juventude de espírito. Viajam pelas prateleiras de uma enorme biblioteca e descobrem um pouco do mundo sem abrir as portas de casa. Victor Hugues, comerciante franco-maçom, chega grandioso a essa casa e traz consigo os ideais da revolução que acabam por alimentar as viagens dos jovens em busca de um objetivo para suas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como diria Vinícius, “a vida é a arte do encontro” e assim como esse maravilhoso livro que apresenta um retrato fiel de uma época, quando os ideais iluministas se espalhavam forçosamente pela humanidade tão pouco conhecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, nenhuma revolução é 100% fiel a seus princípios. Nem as mínimas revoluções internas de uma pessoa, nem as grandes, como a francesa do século XVIII. Essa mesmo se contradizia envolvendo-se com o contrabando de negros. E que igualdade, fraternidade e liberdade é essa que leva uma máquina de terror como cartão de visitas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;“Esta noite vi a Máquina se alçar novamente. Era, na proa, como porta aberta sobre o vasto céu que já nos trazia cheiros de terra por sobre um Oceano tão sossegado, tão dono do ritmo, que a nave, levemente levada, parecia adormecer no rumo, suspensa entre um ontem e um amanhã”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uns se conformam, como Carlos, outros vão atrás, outros se decepcionam, outros, outros... e a vida continua, compreendida ou não, conformando-se ou não. Talvez seja esse o “R” que atrapalha toda evolução: a razão, ou pelo menos, o excesso dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Século das luzes, de Alejo Carpentier&lt;/span&gt;, é um livro para ser lido com o espírito sedento. Denso, é a descrição real de uma época em que a razão é extremamente valorizada. Razão como a de hoje, carregada demais de sentimento para ser livre de irracionalidades.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-145125946145702238?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/145125946145702238/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=145125946145702238&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/145125946145702238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/145125946145702238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/07/meu-ser-revolucionrio.html' title='Meu ser revolucionário'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-7357770667063216578</id><published>2007-07-05T15:49:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:43:19.665-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Continuados'/><title type='text'>Rua dos afagos - segundo capítulo</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O contrato&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;- Já está na hora de você se arrumar, Henrique. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Me arrumar, vó?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- É. Se casar.&lt;br /&gt;- Calma, vó. A senhora é muito apressada. – respondeu ele, com alguns sorrisos que não demonstravam uma leve frustração.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Apressada nada, menino. Você está com quanto? Trinta, trinta e um...&lt;br /&gt;- 32, vó.&lt;br /&gt;- Viu só! E cadê meus bisnetinhos? Olha Henrique, se eu morrer sem ter bisnetos você vai ser o culpado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Bate na madeira, vó! – ainda sorrindo, mas sem conseguir esconder o rubor das maçãs do rosto. – Nem fala isso. Ó, já vou indo porque a senhora já está falando besteira.&lt;br /&gt;- Besteira nada! Não volte aqui se não for para apresentar uma mulher de quem sua mãe sentiria orgulho. – Disse isso já em meio aos beijos de despedida do neto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;A velha morava sozinha já há alguns anos. Tinha razão em querer vidas novas naquela casa. Henrique pensou em apresentar para a avó a Elza, aquela mocinha que durante algum tempo era o motivo de suas visitas freqüentes à matriarca. Imaginou a cara enrugada da velha ao se deparar com sua ex-emprega como mãe de seus bisnetos. Enquanto imaginava a situação, ria. E pela primeira vez não conseguiu usar essa arma contra uma melancolia que o incomodava sempre que esse assunto vinha à tona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seus 32 anos, Henrique teve muitas mulheres em seus braços. Mais precisamente em sua cama, pois foram poucas a quem ele realmente ofereceu o ombro. Parecia estar envolvido em uma mágica pela qual todos os homens desejam ser enfeitiçados: era um imã de fêmeas. E aprendeu logo cedo os segredos a usar suas armas. Usava os músculos para impressionar as mais frágeis; mostrava-se carente para as que tinham um forte instinto materno; a facilidade para aprender e, às vezes até isso, uma forçada falta de conhecimento eram fatais com as que primavam pela inteligência; os dotes físicos eram infalíveis com as insaciáveis; a lista de inúmeros amigos e conhecidos era mais que suficientes com as populares; a lábia se encaixava perfeitamente nas mentes vazias das que as tinham; a vasta experiência valia para as inocentes... E assim cresceu entre braços e sussurros, entre desejos e realizações. Era capaz de devastar toda uma nova floresta, e isso fazia com que todos os machos daquele meio ambiente o invejassem e, principalmente, o admirassem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Mas hoje todos eles estavam se casando ou a um passo de. Quando questionado por alguém, respondia efusivo que faltava muito para curtir a vida como gostaria. Mas hoje o questionamento de sua avó lhe custou algumas rugas. Quis fugir daquele assunto. Saiu do seu caminho habitual e se dirigiu para a Rua dos afagos. Rua, aliás, que já era mais habitual que qualquer outro destino.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Emília não o esperava naquela hora. Aliás, nenhuma das meninas-mulheres esperavam um cliente àquela hora da tarde. Domingo era o dia em que os homens passavam com suas famílias ou almoçavam com suas mães. Logo pensou em tragédia quando o viu chegando. Talvez tivesse acontecido alguma coisa com a mãe ou quem sabe algo com a empresa que tanto lhe dava lucro. Mas Emília não teve muito tempo para pensar hipóteses. Henrique estacionou o carro em frente ao quarto rosa e saiu rápido dele. Só deu tempo de ela apoiar a vassoura na parede e ele já a puxava pelo braço para dentro do quarto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;                      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;- Quero te fazer uma proposta. – disse ele sentando-se na cama.&lt;br /&gt;- Está tudo bem?&lt;br /&gt;- Sim, está. Mas quero te fazer uma proposta.&lt;br /&gt;- Fala. – respondeu a menina de cachos loiros, nervosa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Quero que seja minha mulher.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Mulher? – Emília soltou uma estridente gargalhada. – Por acaso o senhor está me pedindo em casamento? – Continuou, com um olhar esperto, que demonstrava certa malandragem.&lt;br /&gt;- Quase isso, Mi. Vou pagar você para ser minha mulher. Você vai morar comigo, vou te dar uma mesada, você vai ser a Sra. Matos.&lt;br /&gt;- Quanto?&lt;br /&gt;- Dois mil mensais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Emília gargalhou de novo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Eu tiro muito mais que isso todo mês.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Quatro mil.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Cinco.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Cinco sem contar hoje.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Fechado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;E fizeram ali o último sexo como profissional e cliente. A partir dali eram o casal Matos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Apresentou-a para os amigos tomando cuidado para que alguns não a reconhecessem. Levou-a a jantares da empresa, caminhou de mãos dadas, fez viagens à dois. A avó adorou a nova integrante de sua família e cobrou os bisnetos. “Calma, Dona Matilde. Logo, logo vem.” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Henrique agora era casado. A mulher era uma rica dona de casa, que saía para fazer compras, que pedia pratos especiais às empregadas para agradar o marido, que cozia e que quando ele pedia, assim como ficou combinado, oferecia seus principais serviços.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;A farsa ia sendo bem conduzida e não apontava para nenhum clichê romântico. Ele continuava exigindo que dentro do quarto ela fosse uma da vida. Ela desfrutava da nova vida rica e tampouco sentia falta da de antes. Os dois conheciam e aceitavam integralmente cada artigo descrito no contrato imaginário. Era uma empresa com uma saúde financeira mais que aceitável.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Em um domingo como aquele quando tudo começou a avó de Henrique faleceu de velhice. Enquanto o alívio se me misturava algumas poucas lágrimas, ele decidiu acabar com o casamento que já durava oito meses. Desesperada diante de uma perda irreparável – a riqueza, Emília jurou a morte de Henrique se ele a deixasse na mão. O homem, macho incondicional, se atreveu a uma última negociação: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;                &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;- É dinheiro? Quanto você quer?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Muito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Muito quanto? Um último mês? Um programa? Seus direitos de demissão?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Uns sete mil.&lt;br /&gt;- Três mil, Mi.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Cinco.&lt;br /&gt;- Cinco sem contar hoje. – Emília o surpreendeu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Se você quer, fechado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Lá na Rua. – Foi a exigência da mulher.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Henrique estacionou o carro em frente ao quarto rosa que tanto lhes fazia falta. Ela desceu sem as roupas elegantes que durante alguns meses tinha como pele. Emília bateu três vezes com as pontas das unhas. Como não houve resposta, entrou. E ali os dois se amaram como dois jovens sem lembrar do dinheiro ou interesses. Era a primeira vez que faziam amor na vida. E fizeram ali o último. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-7357770667063216578?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/7357770667063216578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=7357770667063216578&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/7357770667063216578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/7357770667063216578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/07/rua-dos-afagos-segundo-captulo.html' title='Rua dos afagos - segundo capítulo'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-2881304207842096039</id><published>2007-07-04T17:41:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:43:19.665-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Continuados'/><title type='text'>Rua dos afagos - primeiro capítulo</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;ou&lt;br /&gt;O autor sonhando em ser um autor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Os virgens&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:100%;"  &gt;Algumas já contavam o dinheiro ganho naquela longa noite estranha, que acontecia com freqüência incerta e precedia acontecimentos inesperados. Quem tinha experiência ali, sabia disso. As mais velhas apelidavam aquilo que aconteceu hoje de “Noite dos virgens”. E quando uma roda de companheiras já jurava&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;que nada aconteceria&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; em voz alta, tão alta quanto esperançariam silenciosamente em seus travesseiros, chegou mais um deles. Veio andando timidamente, averiguando com um olhar ligeiro cada um dos detalhes daquele lugar. Sua respiração denunciava um coração acelerado e angustiado. Seus lábios compartilhavam de uma saliva curiosa, ansiosa de provar uma pele nova, salgada, diferente daquelas que conhecia. Vinha a passos lentos, acompanhado de um punhado de olhos intrigados. E talvez o mais receoso quanto às lendas das Noites dos virgens foi que se aproximou dele:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Procurando alguém em especial, querido?&lt;br /&gt;- Eu... não. Pode ser você mesmo. Pode ser?&lt;br /&gt;- Depende. O que você quer?&lt;br /&gt;- Tenho cinqüenta reais.&lt;br /&gt;- Vem. Vou ver o que posso fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher foi na frente, indicando o caminho. O menino a seguiu como um filhote. Como se entre os paralelepípedos da rua não houvesse vãos onde qualquer salto fino se engastalha, ela ia desfilando suas qualidades como se estivesse em uma passarela. As surpresas dali davam pouco tempo para o menino se excitar. Do outro lado da calçada, iluminados por uma luz fraca, algumas vermelhas, outras amareladas, quartos geminados dispensavam placas indicativas. Tinham perfeição geométrica em sua construção: um cubo cujas paredes eram feitas de tiras longas de uma madeira pobre, colocadas horizontalmente até se encontrarem em uma aresta. Cobrindo o cubo, um triângulo com a hipotenusa encostada na última tira. Também de madeira pobre, e nesse caso mais suja, o telhado geralmente tinha cores distintas do casebre. Os tons ocres refletiam as sombras e almas daquele lugar. Amarelo, rosa, verde, azul. Tudo sem um ponto de brilho, sem um ponto de vida. Vida, aliás, que ali mesmo nascia e ali mesmo morria. As técnicas anticoncepcionais muitas vezes falhavam e os gritos de um aborto se misturavam aos gemidos ou fingimento de um prazer intenso. Tudo isso era escondido por grandes portas sempre acompanhadas por um olho-mágico. Foi em frente a uma dessas que ela parou. Não estava trancada. Mas antes de conferir isso, bateu três vezes com as pontas das unhas. Como não houve resposta, entrou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um segundo mudo e opaco impediu que o menino entrasse no quarto assim que a mulher o chamou. Assim que suas pernas tomaram uma atitude, sentiu o cheiro de batom barato que impregnava o local. Lembrou das empregadas de sua casa, que toda sexta-feira se exibiam para ele antes de sair atrás de algumas presas. Sempre com um “Como é assanhado esse menino!”, as moças sempre se safavam de suas empreitadas. Conseguia regalias que muitos na sua idade não tinham, como acariciar um seio delas. Mas nada que se comparasse ao que decidiu fazer hoje. Sentou-se na cama enquanto ela já se despia. Passou o olhar por todo o quarto. Viu correntes, algemas, chicotes, máscaras, ervas, algumas roupa de cantos e nenhuma poeira. Continuaria olhando, se ela não tirasse a sua camiseta, impedindo-lhe a visão. Ele fez logo o que sabia: colocou a mão naquele seio pesado e macio. Percebendo o que não queria, a mulher fez todo o trabalho. Foi-se ali o último virgem dos 13 que passaram por aqueles quartos naquela noite.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-2881304207842096039?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/2881304207842096039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=2881304207842096039&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/2881304207842096039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/2881304207842096039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/07/o-primeiro-captulo.html' title='Rua dos afagos - primeiro capítulo'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-7676969411885220876</id><published>2007-07-02T19:19:00.001-03:00</published><updated>2007-10-30T16:46:42.237-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opiniões soltas'/><title type='text'>Chutar e correr</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;ou&lt;br /&gt;O autor metido em projetos de diretores de arte.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Nem todo mundo que chutou, corre. Nem todos que correm, chutaram. Mas na maioria das vezes que se vê alguém correndo uma pergunta foi feita, isso foi. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;O certo é que chutar é arte. Correr é realidade. E como qualquer uma das artes, não é possível viver só de chutes. O que já não pode ser dito de correr, que é ter os pés no chão, o dia-a-dia. Mas... qual era mesmo a pergunta?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Chutar em uma prova de múltipla escolha, chutar a bola de volta para os moleques, chutar uma latinha de refrigerante, chutar a quina da cama logo ao acordar, chutar os números da Mega Sena, chutar a resposta enquanto assiste a um programa de auditório. Enfim, até dá pra sobreviver chutando, mas não dá pra correr sempre pro abraço.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Já correr é ordinário, comum. “Tô na correria.” “Vivo correndo da minha ex.” “Tô correndo atrás.” Correr é ter certeza do que fez. Se tiver correndo pra longe, pode ter certeza que o que fez, fez mal. Se não, até que fez bem, mas aí vem logo outra pergunta. Mas... qual era mesmo a pergunta?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Quem pergunta quer resposta. Pra responder, ou chuta ou corre de uma vez. Pro abraço ou pra longe. Quem tem certeza fica quieto. É assim que funciona. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-7676969411885220876?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/7676969411885220876/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=7676969411885220876&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/7676969411885220876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/7676969411885220876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/07/chutar-e-correr.html' title='Chutar e correr'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-5943223509898109744</id><published>2007-06-05T14:37:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:58:05.415-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Músicas'/><title type='text'>Carta de um sertão em mim</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;em&gt;ou&lt;br /&gt;O que tanto escuto ultimamente.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Estou partindo com uma calça nova de riscado e um paletó de linho branco que até no mês passado, lá no campo, ainda era flor. Sob meu chapéu quebrado trazia o sorriso ingênuo e franco de um rapaz novo, encantado. Na cabeça, só uma certeza: “Deixemos de coisa, cuidemos da vida. Pois, se não, chega a morte ou coisa parecida e nos arrasta moço sem ter visto a vida.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela estrela, a minha, é dela. Por isso eu peço: “Vida, vento, vela! Leve-me daqui!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas guerreiros, os verdadeiros guerreiros, são pessoas, são fortes, são frágeis. Guerreiros são meninos no fundo do peito e precisam de um descanso, de um remanso. Precisam de um sonho que os tornem perfeitos. Quem acredita em sereias, sabe os segredos do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é triste ver este homem, guerreiro menino, com a barra de seu tempo sobre seus ombros. Eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza. Eu só queria ter no mato um gosto de framboesa, para correr entre os canteiros e esconder minha tristeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podem voar mundos, morrer astros, que tu és como um deus, princípio e fim! E não é coisa de momento, raiva passageira ou mania que dá e passa. Disso tudo, só uma palavra me devora: aquela que meu coração não diz. Só o que me cega, o que me faz infeliz, é o brilho do olhar que eu não sofri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas de uma coisa fique certa, amor, a porta vai estar sempre aberta, amor. E no dia em que a poesia se arrebenta é que as pedras vão cantar.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-5943223509898109744?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/5943223509898109744/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=5943223509898109744&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/5943223509898109744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/5943223509898109744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/06/cartas-de-um-serto-em-mim.html' title='Carta de um sertão em mim'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-7210334748213083797</id><published>2007-05-10T12:23:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:47:26.062-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Deus e o Diabo na terra do samba.</title><content type='html'>&lt;em&gt;ou&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Aproveitando uma conversa que tive com meu pai.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;“&lt;strong&gt;Viaje para o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Aproveite os pacotes promocionais para 2007.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Se Deus é brasileiro, o diabo é conterrâneo. Visite esse país de desejos e pecados, de população de muita fé e samba no pé.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei qual foi a agência de viagens que conseguiu, mas trouxe os dois maiores clientes do mundo para visitar o Brasil. Com muito orgulho e uma multidão calorosa e emocionada, recebemos o representante de Deus na Terra, como a mais numerosa religião do mundo o reconhece. Nem tão calorosa foi a recepção do presidente norte americano, que para muitos é o próprio Diabo (ou o filho dele), com registro no cartório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A que devemos essa honra? Acredito ser ao fato de que nós, brasileiros, acendemos todos os dias uma vela para Deus e outra para o Diabo. Rezamos de joelho para o primeiro e de quatro ao segundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De maneira alguma quero fazer aqui uma novela de cavalaria ou um roteiro de filme do Hector Babenco. Nada de heróis e vilões. Eu mesmo clamo o diabo quando vejo algum idoso comprando ingresso para o neto não pegar fila e agradeço aos céus quando o farmacêutico me vende remédio sem que eu apresente a receita. Como disse, é uma vela pra Deus e outra pro diabo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomo a liberdade de publicar aqui, em primeira mão, o relatório que o Papa irá enviar para Deus assim que deixar o Brasil:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Digníssimo chefe,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a viagem foi ótima. Realmente tudo que dizem sobre o Brasil país é verdade. Você acertou em cheio quando o criou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se preocupe com esse território, pois tenho certeza que a população está do nosso lado. Concluo isso não só após ler os jornais, mas pelo convívio que tive com essa gente. Mesmo sendo pouco tempo, me encantei com a alegria e a receptividade desse povo. Uma hospitalidade que não se vê nos países do hemisfério em que vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que alguns não gostaram da minha visita. Mas esses praticamente não os vi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua situação aqui está ótima, e por muito tempo não terá que se preocupar. Os governantes estão a nosso favor. A população, mesmo que não demonstre fidelidade extrema, sempre chama Seu nome nas mais diversas situações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o próximo relatório,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Papa Bento XVI&lt;/em&gt;.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu consegui esse relatório? Fácil. Foi o mesmo que o Bush mandou para o chefe dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O céu deve ser muito chato, na verdade. Como diz o título de uma popular comunidade do Orkut: “Só vou pro céu se for open bar”. Já o inferno dever ser quente demais. Nada melhor para a consciência que vir para o trópico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-7210334748213083797?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/7210334748213083797/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=7210334748213083797&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/7210334748213083797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/7210334748213083797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/05/deus-e-o-diabo-na-terra-do-samba.html' title='Deus e o Diabo na terra do samba.'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-432101909805596785</id><published>2007-04-11T16:38:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:58:24.042-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Músicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Shows'/><title type='text'>Quando eu vos falo do Samba de Bamba...</title><content type='html'>&lt;em&gt;ou&lt;br /&gt;A história do maior dos grupos.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Prefácio&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Coube a mim, tarefa que me honra e orgulha, contar essa história para os que não a viveram. Infalível frente ao imortal tempo, antagonista de tamanha força, as lendas desse grupo de amigos devem ser repassadas porque já não existem heróis românticos e sonhadores, que traçavam alianças com forças de correntes portuárias, e que as desfaziam com a suavidade da brisa salgada. O tempo, o tempo. Às memórias que já se enferrujaram, relembrem da inoxidável força dessa amizade. Aos que com ela conviveram, que levem como modelo de sonho e juventude. Aos que compartilharam dela, meu eterno abraço.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;O início&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Passa pro Vini, por favor. – sussurrou para a garota que sentava entre a gente.&lt;br /&gt;- Vini, o Léo mandou te entregar.&lt;br /&gt;- Silêncio, por favor! – a professora olhou para trás no momento em que eu agradeci a entrega com um tinino. Olhei para o Léo e ele me acenou com a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vini, você está aprendendo a tocar cavaquinho?”.&lt;br /&gt;Escrevi: “Tô. Encontrei com seu irmão na praça ontem e ele sabe tocar, né?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não vou pedir de novo, hein? – quando devolvi o bilhete, a professora exerceu sua autoridade que, realmente, nos metia medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- No recreio a gente conversa. – eu disse, tentando manter a voz ainda indefinida pela idade em um sussurro.&lt;br /&gt;- Beleza. – o Léo respondeu.&lt;br /&gt;- O que está acontecendo, posso saber meninos? – droga. Silêncio até o recreio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No intervalo, entre mini-cachorros-quentes e um copo de refrigerante, lanche que custava R$ 1,00, combinamos uma reunião lá em casa, para definirmos a formação do grupo. Chamamos todos, até quem passava longe de um pagode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hora combinada, todos foram chegando, a pé e de bicicleta. Evandro, Juliano, Lucas, Fernando, Bruninho, eu, Samuel e seu violão e Léo. Sentamos na sala de visitas, já imaginando a capa do primeiro CD, que seria no bar, lá em cima. Logo o Samuka, roqueiro incorrigível, percebeu qual eram nossas intenções e saiu do grupo. Mas jamais poderá mudar a história: ele era um dos integrantes no dia da criação de um dos maiores grupos musicais que Alfenas já ouviu. A formação ficou assim: Evandro, Lucas e Léo na percussão, Bruninho no chocalho, Juliano no primeiro cavaquinho, eu no segundo e Fernando “cantando e encantando”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas semanas seguintes, começamos a pensar no nome que logo não sairia da cabeça das meninas da cidade. Em sala de aula, pois não havia matéria mais interessante que aquela, fizemos uma votação. E por pouco Querubim não venceu a marca que até hoje nos caracteriza: Samba de Bamba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Começam as histórias&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ano era 2001 e para nós foi mesmo uma odisséia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ensaios só ficaram sérios depois do terceiro. Eu mesmo me atrasei para o segundo, na casa do Evandro, para ir ver o Nense jogar. Nesse mesmo dia, quando já guardávamos os instrumentos, conheci o grupo Fundo de Quintal, “aquele CD branco”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ensaios passaram a ser na casa do Léo, Juliano e Bruninho, pois além de ter um bom espaço e poucos vizinhos (que renderam história), ficava perto da minha e da do Evandro. Os ensaios deram certo e em pouco tempo conquistamos o colégio, ganhamos inimigos roqueiros e colocamos nosso site no ar. “Vai que um produtor se interessa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso primeiro show foi em uma das inúmeras festas lá no sítio. Uma partida de futebol de areia inaugurou o dia. Churrasco, família e amigos reunidos. “Deus me livre” era a canção que abria o show. E abriu com sucesso. Tocamos muitas vezes lá no sítio. Confesso que jogamos mais futebol que tocamos, mas ali eram nossas primeiras apresentações. O círculo familiar nos apoiava, é verdade. Além dos aniversários no sítio, tocamos também no aniversário do pai do Léo, exímio churrasqueiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;A primeira grande apresentação&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinados, ganhamos espaço no colégio. A primeira amostra foi em um intervalo que tínhamos alguns instrumentos em mãos e fizemos uma roda no meio do pátio. E aí até a coordenadora Clarissa e a irmã Lucijane caíram no samba. Daí pra frente, qualquer evento do colégio éramos convidados para tocar. Inclusive em um Dia dos professores, para o qual compusemos uma música que conquistou os homenageados, que até a usavam de referência em outras aulas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(..)Esse dia é o seu dia&lt;br /&gt;Do qual eu nunca esqueceria&lt;br /&gt;Parabéns professor amigo&lt;br /&gt;Te levarei sempre comigo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um de nossos maiores públicos. Todo o colégio parou para nos ouvir, das quintas séries aos terceiros anos. Empolgamos. Ganhamos fama. Conquistamos quem cada um queria. Atraímos inveja, que nos trouxe inimigos que pouco puderam fazer nos anos de vida do Samba de Bamba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Os inimigos&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando não compartilhavam do uniforme, que consistia de uma calça azul-marinho, com uma faixa lateral que acompanhava nossos passos com o nome do colégio, e uma camiseta branca, de detalhes azuis e emblema no peito, eles usavam preto. Em suas camisas, nomes de banda. Em suas bocas, Legião Urbana e Capital Inicial. Em suas mãos, não mais as mãos das agora ex-namoradas. Em suas cabeças, nada que mereça mais que essas poucas linhas desse sub-capítulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;O primeiro grande show&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos tocar em um bar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim foi anunciado nosso tour. Ensaiamos muito para aquele que seria nosso primeiro grande show. Ele iria acontecer em um bar descendo a praça, de fachada pobre, mas com um grande espaço nos fundos. Os cartazes foram espalhados pela cidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Combinamos com o dono do lugar que, como ainda não éramos tão conhecidos, não cobraríamos nada, só um lanche depois de tocar a noite toda. Fechamos o acordo e o dia chegou. À tarde, fomos ao lugar organizar as caixas de som e testamos o equipamento. Passamos nosso som debaixo de um céu nublado que nos preocupava. Será que as pessoas viriam se chovesse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos ao local uma hora antes do combinado. O frio que caía àquela hora disfarçava nosso nervosismo. Afinamos os instrumentos, ajeitamos os lugares, as pastas, a ordem da música e, imersos nessas preocupações, não vimos o bar encher de gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com “Deus me livre” mais uma vez, mostramos todo nosso talento. Começávamos ali um show que até hoje escutamos. O lugar estava cheio, sabíamos que nunca o dono tinha conseguido colocar tanta gente em seu bar. Nós conseguimos. E estávamos tocando tudo o que sabíamos. Os familiares comparecem, é claro, mas se viram em número bem inferior que os colegas do Colégio das Irmãs e até do Atenas. A noite era nossa. E a terminamos felizes, comendo o sanduíche prometido pelo dono. E com os R$ 50,00 que ele havia nos dado de cachê, mesmo com o desejo de enquadrá-los, compramos uma timba no dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Auge&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dono do lugar nos convidou para tocarmos na semana seguinte. Ele realmente nunca tinha visto seu bar tão cheio e queria repetir a dose. Dessa vez negociamos. Combinamos de cobrar um couvert de R$ 3,00 por pessoa, dos quais um ficaria com a gente e o restante com o dono. E lógico, ele nos daria os sanduíches no final da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já estávamos bem mais tranqüilos. Mas se pudéssemos prever quantas pessoas colocaríamos ali dentro, não tínhamos ficado tão calmos assim. Enquanto afinávamos os instrumentos, notamos as pessoas chegando. Elas chegavam em turmas, em casais, animadas, com frio, enfim, elas chegavam. E chegavam aos montes. Se a noite passada o bar estava cheio, nessa já não cabia mais ninguém. Teve gente que não conseguiu entrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os familiares já não estavam todos presentes, mas nos colégios as notícias do primeiro show se espalharam e quem não foi no primeiro dia, veio nesse. Quem já tinha vindo, repetiu a dose. Tocamos, tocamos, tocamos. Como fomos inocentes na primeira noite. Era aquela a nossa noite. Dávamos o ritmo do mundo. Se parássemos de tocar, a Terra parava de girar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa noite experimentamos muito do que o início da fama trás. As meninas jogaram charme, novos pedidos de shows apareceram, um outro grupo de pagode, invejoso, fez propaganda contra, tiramos fotos, muitas fotos, e o dono do lugar nos passou a perna. Pagou apenas R$ 80,00 pela noite, o que deveria ser no mínimo R$ 200,00, pelo que vimos dentro daquele bar que ficou tão pequeno. Prometemos nunca mais tocar ali. E com o dinheiro compramos um surdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Samba de Bamba Futebol Clube&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto nossa carreira musical deslanchava, as provas e trabalhos continuavam nos cobrando os estudos. As conversas de vestibular já começavam. Alguns professores dramatizavam aquela fase e alunos se descabelavam. A gente preferiu se dedicar aos campeonatos de futebol da escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de decidir posições, táticas e esquemas, escolhemos as cores do Samba de Bamba Futebol Clube: laranja e preto. Nosso escudo era formado por um pandeiro em primeiro plano, cruzado por trás por um cavaquinho e um banjo, lembrando o escudo corinthiano. No nosso manto, ele fica na altura do coração. Um pouco mais pra baixo, salientada pela barriga que temos hoje, a frase: “Samba, mulher e pagode”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escalação era: Gustavo no gol, Lucas Lac de fixo, Léo SdB e Evandro, nosso craque, no meio e eu, Viny, de pivô. Na reserva, Fernando e seu futebol arte. Era uma escalação que não assustava nem sequer um time da sexta série. O outro segundo ano tinha o Pablo no gol, o Vinícius, o Ivã, o Dieyzer e outros que estavam no time da cidade. O primeiro ano fez uma seleção que também apavorava, com Betinho, Luiz Cláudio, Garoba e outros moleques extremamente habilidosos. Seria um campeonato difícil, praticamente impossível. E por isso foi tão gostoso chegar até a final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o desespero do Dieyzer, que mudou de sala para integrar aquele elenco de grandes jogadores, eles perderam a semifinal para a seleção do primeiro ano. Nós chegamos a final até com facilidade pela equipe que tínhamos. Mas nela já não conseguimos jogar o necessário para ganharmos. Até saímos na frente, com um gol chorado, depois de uma dividida com o Betinho, do Léo. Mas perto do final, uma falha do Lucas facilitou o inevitável empate. Pouco depois o próprio Betinho, em uma arrancada cruzando a quadra e culminando num chute da lateral direita, virou o jogo. Éramos vice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano seguinte, o Samba de Bamba Futebol Clube ganhou reforços. O Tiaguinho, que gostava de acompanhar nossos ensaios, voltou para o colégio e ganhou a posição de fixo, que exercia muito bem. No gol, o loiro Daniel ganhou a vaga do fiel Gustavo; e para o ataque, um reforço fundamental: Saulo e sua bomba da perna direita. Tornamo-nos invencíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ganhamos os dois primeiros jogos com facilidade. Até eu fazia gols com graça, cobertura, chapéu, pé direito, canhota, cabeça. Mas quem fazia a diferença mesmo era o Saulo e o Evandro. Essa facilidade com que ganhamos os jogos fez com que o nosso terceiro adversário propusesse-nos uma oferta: pagariam nossos lanches por uma semana se nós, já classificados para a próxima fase, abríssemos as pernas. Assim eles também avançavam e desclassificavam a seleção do antigo primeiro ano que nos venceu no ano anterior. A Zulmira, nossa eterna e saudosa professora de Educação Física, descobriu o que eles queriam e nos avisou: “Se vocês perderem o jogo, estão desclassificados do campeonato”. Um aviso injusto, pois aquela seria a partida mais difícil do ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcamos um e logo eles empataram. Assim foi com o segundo e o terceiro gols. O primeiro tempo terminou num empate de oito gols. Começamos o segundo tomando a virada e aí éramos nós quem corríamos atrás do empate. Fizemos isso até o sete a sete. Nessa hora, quando faltavam poucos minutos para o apito final, pedimos tempo. A Zulmira apareceu no nosso banco e disse: “Tá avisado, hein? Vocês serão desclassificados!”. Eu juro, aquilo não era por querer. Voltamos tensos, raçudos, buscando o gol da vitória. O problema é que o outro time também voltou assim para a quadra. Mas um lance naquele jogo garantiria nosso destino e marcaria a minha vida: confusão na área adversária, chutes perdidos, divididas, espalmadas e a bola sobra no pé do Léo, na lateral direita. Eu corri pra área. Ele levantou a cabeça e cruzou. A sorte é que não tive muito tempo para pensar que aquilo era pra ser feito no campo e não na quadra, e dei um voleio inesquecivelmente plástico. Golaço. Apito final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O campeonato avançou sem muitas dificuldades até a final. O destino foi duplamente irônico: mais uma vez a outra sala perdeu-se no caminho e a final estava marcada para ser a revanche do ano anterior. Nós contra eles. De novo. Só que dessa vez, nada tirava o nosso título. Com o craque Luiz Cláudio, que depois eu o veria jogar das arquibancadas do Campo do Alfenense, suspenso por um cartão vermelho na semifinal, o jogo teve quinze gols. Deles, só um. Nossos, quatorze. Consagramos-nos campeões, com o goleiro menos vazado e os três artilheiros da competição: Saulo, Evandro e eu. Seria nosso último campeonato na escola. E o último ano de vida do Samba de Bamba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Histórias para a vida&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O grupo Samba de Bamba continuava se apresentando. Tocávamos em aniversários, repúblicas, festas da paróquia. Entretanto, nenhuma festa renderia tantas risadas quando a da Carolina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ow, vamos tocar em uma festa de quinze anos. – anunciou o Lucas. – É de uma menina lá do bairro. Ela é meio louquinha, mas é uma festa de quinze anos de graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto, o argumento nos convenceu. Não ganharíamos nada, só a entrada na festa mesmo, com direito a comida e bebida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos cedo na casa da Carol. A festa seria a céu aberto, no enorme quintal do lugar. Já não era o salão que esperávamos, mas tudo bem. O importante é que era festa de quinze anos. É. Parecia mais de doze.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa seguia desanimada. Nosso som não animava ninguém. Nem a nós mesmos. Algumas pessoas pediam para abaixar o volume. Outras batucavam com os talheres o fundo do prato. Mas nenhuma se levantava e vinha dançar na nossa frente. A verdade é que foi a pior festa de nossas vidas. Principalmente pelo fato de que no meio de uma música chegou um carro de telemensagens e abafou nossas caixas de som. Aproveitamos para dar um tempo lá fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as piadinhas sobre a dona da festa, o Lucas lembrou que ali perto morava uma das meninas mais bonitas do colégio. Não tivemos dúvida: vamos fazer uma serenata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As serenatas eram comuns pra gente. Já havíamos feito uma na despedida da Elyanne, tocantinense ex-namorada do Evandro. Também batemos pernas até a distante casa da Mariana, em seu aniversário, comemorado com seus amigos da outras sala, para cantar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quem está batendo na portinha do seu coração?&lt;br /&gt;Quem está batendo na portinha do seu coração?&lt;br /&gt;Mariaaaaaaaaana&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso foi mesmo fácil tomarmos a decisão de sair da festa da Carol para fazermos uma serenata para aquela linda menina que tanto desejávamos. Recolhemos a timba, o chocalho, a meia lua e o cavaquinho e descemos a rua até a residência da moça. Chegando lá, a casa estava com as luzes apagadas. Pensamos: “Devem estar dormindo. Mas vamos fazer assim mesmo.” Tocamos, tocamos, tocamos. E nada da menina aparecer na janela. Nem sequer seu pai apareceu para nos botar para correr dali. Insistimos. Tocamos mais alto. Variamos o repertório. Tocamos até canções do rei Roberto Carlos. Nada. Nem um sinal de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desanimados, voltamos pra festa da Carol, que àquela hora já estava no fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Carol, a gente pode deixar as caixas de som aí para pegarmos amanhã de manhã?&lt;br /&gt;- Não. – nos surpreendeu.&lt;br /&gt;- Mas é que não temos carro e as caixas são pesadas. Estamos longe de casa. Não dá pra carregar.&lt;br /&gt;- Não, não dá pra deixar aqui. O cachorro fica solto.&lt;br /&gt;- Mas não dá pra deixar lá dentro?&lt;br /&gt;- Não. Pode chover. - É. Ela era mesmo meio louquinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caixas de som, surdo, timba, cavaquinhos, pedestais, microfones, fios, instrumentos. Atravessamos o Jardim São Carlos com tudo aquilo nos braços. Chegando na casa do Lucas, deixamos as coisas e entramos todos os onze, contando as irmãs, primas e também o Diogo, que já então integrava o grupo, dentro de um carro. Fechamos a noite de ouro dando muita risada em um desses carrinhos de lanche. O mesmo não estava fazendo a menina para quem fizemos a serenata. Estavam todos em casa, mas ela e a família tampouco estavam dormindo. Eles estavam velando o avô que havia falecido naquela manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Despedidas&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro do grupo houve brigas sim. Eu queria que tocássemos samba de verdade, não só pagode e axé. O Juliano voltava-se mais para seu outro grupo. Houve brigas por garotas (lembra da vizinha?). Dividiam-nas não só essa vez. Mas nada disso foi mais decisivo para separar nosso grupo que o próprio tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Fernando cantava e encantava em Belo Horizonte, onde foi estudar para ao vestibular. Eu e o Evandro viemos para São Paulo, o mesmo que faria o Lucas mais tarde. Outros sonhos se tornaram prioridade. Quando nos tornamos calouros, raspávamos as cabeças uns dos outros sem perceber que estávamos deixando a melhor fase de nossas vidas para trás. O Samba de Bamba chegou ao fim. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Quando eu vos falo do Samba de Bamba é Samba de Bamba até o fim!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-432101909805596785?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/432101909805596785/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=432101909805596785&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/432101909805596785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/432101909805596785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/04/quando-eu-vos-falo-do-samba-de-bamba.html' title='Quando eu vos falo do Samba de Bamba...'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-8777101332601322800</id><published>2007-04-05T15:13:00.004-03:00</published><updated>2007-10-30T16:43:19.665-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Continuados'/><title type='text'>Pela Avenida Paulista - Introdução</title><content type='html'>Década de 60. Revoluções, guerrilhas, filosofia, liberdade. Mudança. Júlio Cortazar lança um marco literário, &lt;em&gt;O Jogo da Amarelinha&lt;/em&gt;, que representa fielmente todas as ebulições da época. Fantástico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pela Avenida Paulista&lt;/strong&gt; é minha homenagem a esse argentino de coração, um dos principais nomes do boom da literatura latino americana. Sua leitura pode acontecer na seqüência normal de capítulos, começando pelo primeiro, seguido do 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º, 8º e terminando no nono. Pode também apresentar a seguinte ordem: 9 – 4 – 3 – 1 – 6 – 5 – 2 – 8 – 7. Embaixo de cada capítulo, para facilitar a ordem, há o número do capítulo seguinte para você seguir. Boa leitura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-8777101332601322800?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/8777101332601322800/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=8777101332601322800&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/8777101332601322800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/8777101332601322800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/04/pela-avenida-paulista-introduo.html' title='Pela Avenida Paulista - Introdução'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-5080221108803397947</id><published>2007-04-05T15:13:00.003-03:00</published><updated>2007-10-30T16:43:19.665-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Continuados'/><title type='text'>Pela Avenida Paulista - Capítulo 1</title><content type='html'>Saltou na estação Consolação, o que sempre fazia quando precisava pensar. O suor das inúmeras formigas operárias que tentavam entrar sem educação alguma no vagão disfarçava a garoa que logo atingiu o seu rosto quando subiu a escadaria. Ventava pouco, mas o choque térmico fez com que ele levantasse a gola do casaco para esconder o pescoço. Caminhou por inércia; se não andasse, o mundo o faria caminhar. Mal pensava no caminho que iria fazer. Sabia que na próxima esquina havia uma lanchonete que gostava. Como se flutuasse escapando dos esbarrões das pessoas apressadas sabe-se lá por que, entrou na lanchonete passando sob uma grande placa que comunicava o nome do lugar com fontes divertidas e coloridas, que substituía a letra O por uma laranja e colocava um cacho de uvas dentro de um V. O balconista pediu para que escolhesse os ingredientes da sua vitamina. “Hum. Maça, mamãe, banana, morango.” Disse sem vontade, sentindo que o que menos queria naquela hora era tomar decisões, mesmo banais como essa. “E leite condensado.” Acrescentou, acreditando que o açúcar fosse mudar alguma coisa. &lt;em&gt;(6)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-5080221108803397947?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/5080221108803397947/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=5080221108803397947&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/5080221108803397947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/5080221108803397947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/04/pela-avenida-paulista_721.html' title='Pela Avenida Paulista - Capítulo 1'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-2387799261377903646</id><published>2007-04-05T15:13:00.001-03:00</published><updated>2007-10-30T16:43:19.666-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Continuados'/><title type='text'>Pela Avenida Paulista - Capítulo 2</title><content type='html'>Tinha medo de fechar a loja sozinha. Mas como dizia sua mãe: “Os olhos do dona engordam o gado”. Sempre era a última a sair. Fechava o caixa, se estendia ao telefone com fornecedores, preparava a vitrina para a manhã seguinte, lia uma ou outra teoria de marketing pensando no seu negócio. As funcionárias respeitavam rigorosamente o expediente. Seis horas em ponto caía a caneta. Apagou as luzes. A vida estava difícil. Os impostos altos, as contas altas, os clientes querendo pagar cada vez menos. Resolveu parar em algum lugar para beber. A Paulista estava cheia como sempre. Os botecos dominados pelos homens com as gravatas desarrumadas e confortáveis. Parou em um bar de esquina. Pediu uma mesa para uma pessoa. “Só a Sra. mesmo?” estranhou o garçom baixinho. “Só.” respondeu enquanto seus trinta e poucos anos passavam pela sua cabeça cobrando um, pelo menos um, relacionamento sério. Pediu uma cerveja. “Mentira. Tem whisky?” Talvez uma bebida mais forte ajudaria. Os destilados transformam uma noite. Olhou para as mesas vizinhas. Olhou para a avenida, tão bonita a qualquer hora. Mexeu o gelo com os dedos. &lt;em&gt;(8)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-2387799261377903646?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/2387799261377903646/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=2387799261377903646&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/2387799261377903646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/2387799261377903646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/04/pela-avenida-paulista_4293.html' title='Pela Avenida Paulista - Capítulo 2'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-5827997162479063980</id><published>2007-04-05T15:12:00.004-03:00</published><updated>2007-10-30T16:43:19.666-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Continuados'/><title type='text'>Pela Avenida Paulista - Capítulo 3</title><content type='html'>Imagina um currículo assim: inglês fluente, espanhol intermediário, domínio do pacote Office e uma boa vagina. Ou melhor: “Especialidade: pompoarismo” Ah! Contratada na hora! É revoltante. Não é possível que tem que ser assim. Sem querer transformar o mundo em uma grande novela de cavalaria, mas o mal não pode vencer no fim. Não pode. Eu sei que eu deveria me preocupar com o meu trabalho, mas é foda ver como algumas pessoas escolhem um caminho tão mais fácil. Pára! Pára! Tenho que parar de pensar nela. Estou ficando mal com isso. Você trabalha bem, está super bem cotado. Desencana dessa menina. Esquece. Faz o seu trabalho. Nossa, ficou genial essa vitamina. Podia ter colocado mais morango. Hum. Um queijo quente cairia bem agora. Não. Acabei de comer. Ok. “Um queijo quente, por favor.” Preciso ligar em casa. Ai, droga. Ele vem pedir dinheiro. “Não tenho nada.” “Já disse, não tenho.” “Amigo, faz o seguinte, fecha a minha e dá o meu queijo quente pro cara aqui, pode ser?” Foda-se. Não estava com fome mesmo. Será que agüento chegar até em casa a pé. Vou pegar um táxi. Não, vou a pé mesmo. Andar até esvaziar a cabeça. &lt;em&gt;(1)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-5827997162479063980?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/5827997162479063980/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=5827997162479063980&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/5827997162479063980'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/5827997162479063980'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/04/pela-avenida-paulista_9665.html' title='Pela Avenida Paulista - Capítulo 3'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-2129030609836202615</id><published>2007-04-05T15:12:00.003-03:00</published><updated>2007-10-30T16:43:19.666-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Continuados'/><title type='text'>Pela Avenida Paulista - Capítulo 4</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Walking Around&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Pablo Neruda&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Acontece que me canso de meus pés e de minhas unhas,&lt;br /&gt;do meu cabelo e até da minha sombra.&lt;br /&gt;Acontece que me canso de ser homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia, seria delicioso&lt;br /&gt;assustar um notário com um lírio cortado&lt;br /&gt;ou matar uma freira com um soco na orelha.&lt;br /&gt;Seria belo&lt;br /&gt;ir pelas ruas com uma faca verde&lt;br /&gt;e aos gritos até morrer de frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passeio calmamente, com olhos, com sapatos,&lt;br /&gt;com fúria e esquecimento,&lt;br /&gt;passo, atravesso escritórios e lojas ortopédicas,&lt;br /&gt;e pátios onde há roupa pendurada num arame:&lt;br /&gt;cuecas, toalhas e camisas que choram&lt;br /&gt;lentas lágrimas sórdidas. &lt;em&gt;(3)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-2129030609836202615?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/2129030609836202615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=2129030609836202615&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/2129030609836202615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/2129030609836202615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/04/pela-avenida-paulista_3384.html' title='Pela Avenida Paulista - Capítulo 4'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-8439283659229149435</id><published>2007-04-05T15:12:00.001-03:00</published><updated>2007-10-30T16:43:19.666-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Continuados'/><title type='text'>Pela Avenida Paulista - Capítulo 5</title><content type='html'>30 anos! 30 anos! Dona do próprio negócio. Solteira. Mas solteira por opção deles, não minha. Será que sou lésbica? Irgh. Não, gosto é de homem mesmo, eles é que não estão gostando muito de mim. Tenho que pôr mais gelo no whisky. Puta whisky vagabundo esse, hein?! E ainda me chamou de senhora. Não vou pagar os 10% pra esse nordestino. Queria voltar pra Natal. Mas chega dessas viagens de adolescente. Tenho que ir acompanhada. Rolar aquelas dunas trepando com alguém que eu goste de verdade, e não com mais um. Será que fechei a janela do banheiro? Amanhã, abro a porta e vejo tudo revirado, sem perdoar nem o estoque. Droga. Vou ter que voltar lá. Não, eu fechei. Sempre fecho. Vou é ir pra casa. Nossa, que merda de whisky! Melhor andar nessa garoa para parar de pensar um pouco. Vai molhar meu cabelo. Não tem problema, não estou indo encontrar ninguém. O duro é chegar em casa e agüentar o olhar tarado daquele porteiro nojento. O pior é que é só dele. Por que os caras que eu gosto não me olham assim? Vou andando pra casa mesmo. &lt;em&gt;(2)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-8439283659229149435?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/8439283659229149435/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=8439283659229149435&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/8439283659229149435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/8439283659229149435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/04/pela-avenida-paulista_3586.html' title='Pela Avenida Paulista - Capítulo 5'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-1858908491496547585</id><published>2007-04-05T15:10:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:43:40.606-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Continuados'/><title type='text'>Pela Avenida Paulista - Capítulo 6</title><content type='html'>Tabacaria&lt;br /&gt;Álvaro de Campos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou nada.&lt;br /&gt;Nunca serei nada.&lt;br /&gt;Não posso querer ser nada.&lt;br /&gt;À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Janelas do meu quarto,&lt;br /&gt;Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é&lt;br /&gt;(E se soubessem quem é, o que saberiam?),&lt;br /&gt;Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,&lt;br /&gt;Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,&lt;br /&gt;Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,&lt;br /&gt;Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,&lt;br /&gt;Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,&lt;br /&gt;Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.&lt;br /&gt;Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,&lt;br /&gt;E não tivesse mais irmandade com as coisas&lt;br /&gt;Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua&lt;br /&gt;A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada&lt;br /&gt;De dentro da minha cabeça,&lt;br /&gt;E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.&lt;br /&gt;Estou hoje dividido entre a lealdade que devo&lt;br /&gt;À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,&lt;br /&gt;E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falhei em tudo.&lt;br /&gt;Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.&lt;br /&gt;A aprendizagem que me deram,&lt;br /&gt;Desci dela pela janela das traseiras da casa.&lt;br /&gt;Fui até ao campo com grandes propósitos.&lt;br /&gt;Mas lá encontrei só ervas e árvores,&lt;br /&gt;E quando havia gente era igual à outra.&lt;br /&gt;Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?&lt;br /&gt;Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!&lt;br /&gt;E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!&lt;br /&gt;Gênio? Neste momento&lt;br /&gt;Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,&lt;br /&gt;E a história não marcará, quem sabe?, nem um,&lt;br /&gt;Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.&lt;br /&gt;Não, não creio em mim.&lt;br /&gt;Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!&lt;br /&gt;Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?&lt;br /&gt;Não, nem em mim...&lt;br /&gt;Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo&lt;br /&gt;Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?&lt;br /&gt;Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -&lt;br /&gt;Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,&lt;br /&gt;E quem sabe se realizáveis,&lt;br /&gt;Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?&lt;br /&gt;O mundo é para quem nasce para o conquistar&lt;br /&gt;E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.&lt;br /&gt;Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.&lt;br /&gt;Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,&lt;br /&gt;Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.&lt;br /&gt;Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,&lt;br /&gt;Ainda que não more nela;&lt;br /&gt;Serei sempre o que não nasceu para isso;&lt;br /&gt;Serei sempre só o que tinha qualidades;&lt;br /&gt;Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,&lt;br /&gt;E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,&lt;br /&gt;E ouviu a voz de Deus num poço tapado.&lt;br /&gt;Crer em mim? Não, nem em nada.&lt;br /&gt;Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente&lt;br /&gt;O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,&lt;br /&gt;E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.&lt;br /&gt;Escravos cardíacos das estrelas,&lt;br /&gt;Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;&lt;br /&gt;Mas acordamos e ele é opaco,&lt;br /&gt;Levantamo-nos e ele é alheio,&lt;br /&gt;Saímos de casa e ele é a terra inteira,&lt;br /&gt;Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Come chocolates, pequena;&lt;br /&gt;Come chocolates!&lt;br /&gt;Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.&lt;br /&gt;Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.&lt;br /&gt;Come, pequena suja, come!&lt;br /&gt;Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!&lt;br /&gt;Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,&lt;br /&gt;Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei&lt;br /&gt;A caligrafia rápida destes versos,&lt;br /&gt;Pórtico partido para o Impossível.&lt;br /&gt;Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,&lt;br /&gt;Nobre ao menos no gesto largo com que atiro&lt;br /&gt;A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,&lt;br /&gt;E fico em casa sem camisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,&lt;br /&gt;Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,&lt;br /&gt;Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,&lt;br /&gt;Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,&lt;br /&gt;Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,&lt;br /&gt;Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,&lt;br /&gt;Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -&lt;br /&gt;Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!&lt;br /&gt;Meu coração é um balde despejado.&lt;br /&gt;Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco&lt;br /&gt;A mim mesmo e não encontro nada.&lt;br /&gt;Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.&lt;br /&gt;Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,&lt;br /&gt;Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,&lt;br /&gt;Vejo os cães que também existem,&lt;br /&gt;E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,&lt;br /&gt;E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivi, estudei, amei e até cri,&lt;br /&gt;E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.&lt;br /&gt;Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,&lt;br /&gt;E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses&lt;br /&gt;(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);&lt;br /&gt;Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo&lt;br /&gt;E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz de mim o que não soube&lt;br /&gt;E o que podia fazer de mim não o fiz.&lt;br /&gt;O dominó que vesti era errado.&lt;br /&gt;Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.&lt;br /&gt;Quando quis tirar a máscara,&lt;br /&gt;Estava pegada à cara.&lt;br /&gt;Quando a tirei e me vi ao espelho,&lt;br /&gt;Já tinha envelhecido.&lt;br /&gt;Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.&lt;br /&gt;Deitei fora a máscara e dormi no vestiário&lt;br /&gt;Como um cão tolerado pela gerência&lt;br /&gt;Por ser inofensivo&lt;br /&gt;E vou escrever esta história para provar que sou sublime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essência musical dos meus versos inúteis,&lt;br /&gt;Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,&lt;br /&gt;E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,&lt;br /&gt;Calcando aos pés a consciência de estar existindo,&lt;br /&gt;Como um tapete em que um bêbado tropeça&lt;br /&gt;Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.&lt;br /&gt;Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada&lt;br /&gt;E com o desconforto da alma mal-entendendo.&lt;br /&gt;Ele morrerá e eu morrerei.&lt;br /&gt;Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.&lt;br /&gt;A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.&lt;br /&gt;Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,&lt;br /&gt;E a língua em que foram escritos os versos.&lt;br /&gt;Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.&lt;br /&gt;Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente&lt;br /&gt;Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre uma coisa defronte da outra,&lt;br /&gt;Sempre uma coisa tão inútil como a outra,&lt;br /&gt;Sempre o impossível tão estúpido como o real,&lt;br /&gt;Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,&lt;br /&gt;Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)&lt;br /&gt;E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.&lt;br /&gt;Semiergo-me enérgico, convencido, humano,&lt;br /&gt;E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los&lt;br /&gt;E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.&lt;br /&gt;Sigo o fumo como uma rota própria,&lt;br /&gt;E gozo, num momento sensitivo e competente,&lt;br /&gt;A libertação de todas as especulações&lt;br /&gt;E a consciência de que a metafísica é uma conseqüência de estar mal disposto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois deito-me para trás na cadeira&lt;br /&gt;E continuo fumando.&lt;br /&gt;Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira&lt;br /&gt;Talvez fosse feliz.)&lt;br /&gt;Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.&lt;br /&gt;O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).&lt;br /&gt;Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.&lt;br /&gt;(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)&lt;br /&gt;Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.&lt;br /&gt;Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo&lt;br /&gt;Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu. &lt;em&gt;(5)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-1858908491496547585?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/1858908491496547585/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=1858908491496547585&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/1858908491496547585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/1858908491496547585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/04/pela-avenida-paulista_3829.html' title='Pela Avenida Paulista - Capítulo 6'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-2133365460717895964</id><published>2007-04-05T15:09:00.002-03:00</published><updated>2007-10-30T16:43:40.606-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Continuados'/><title type='text'>Pela Avenida Paulista - Capítulo 7</title><content type='html'>A avenida se abria imensamente pela a cidade infinita. Postes, luminosos, faróis, fachadas, vitrines, semáforos, sinalizadores para avião, lâmpadas automáticas na entrada dos prédios. A Paulista é um mar de estrelas artificiais. Quem a atravessa passo por passo perde-se de seu objetivo. Tampouco sabem para onde estão seguindo, tampouco sabem onde ela dá. Seguem apenas suas estrelas artificiais. Sua noite sem sono, seus ternos e sapatos e sandálias e carros barulhentos, seus motoqueiros ruidosos seguidos por palavrões que andam à quilômetros por hora além daqueles que buscam. Seus caçulas pedem dinheiro e comida, seus primogênitos conquistam ou perdem. Se perdem, em uma avenida que é toda uma reta bem sinalizada, com placas centrais que avisam qual é a próxima rua que a cruza. Parque, museu, bancas, bancos, antenas, celulares, I pods, I pods, I pods. Os jovens de hoje se amam, querem mudar mundo, abraçar suas paixões. Mas tudo isso sem tirar os fones do ouvido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-2133365460717895964?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/2133365460717895964/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=2133365460717895964&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/2133365460717895964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/2133365460717895964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/04/pela-avenida-paulista_2696.html' title='Pela Avenida Paulista - Capítulo 7'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-2459955633386575668</id><published>2007-04-05T15:09:00.001-03:00</published><updated>2007-10-30T16:43:40.607-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Continuados'/><title type='text'>Pela Avenida Paulista - Capítulo 8</title><content type='html'>- Desculpe-me.&lt;br /&gt;- Não, tudo bem.&lt;br /&gt;- Perdão, estava distraído.&lt;br /&gt;- Imagina, sem problemas. Eu é que bebi um pouco demais.&lt;br /&gt;- Está tudo bem mesmo.&lt;br /&gt;- Tudo, tudo. Não precisa se preocupar comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, pessoas apressadas continuam atravessando ilesos àquele pequeno acidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Viu? É normal ninguém se preocupar com ninguém. – disse, sorrindo. – Acho que torci meu pé.&lt;br /&gt;- Vamos, eu levo as suas coisas.&lt;br /&gt;- Pode deixar, eu pego um táxi.&lt;br /&gt;- Tudo bem, mas pelo menos eu levo suas coisas até o táxi. Onde você mora?&lt;br /&gt;- Nas costas do Banco real.&lt;br /&gt;- Ah! É aqui do lado. Imagina que vou deixar você pagar um táxi até ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela se apoio nele e foram caminhando numa desprendida conversa até casa da moça. Na portaria, antes de se despedirem, ela o chamou para subir. &lt;em&gt;(7)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-2459955633386575668?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/2459955633386575668/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=2459955633386575668&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/2459955633386575668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/2459955633386575668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/04/pela-avenida-paulista_05.html' title='Pela Avenida Paulista - Capítulo 8'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-625197261544787196</id><published>2007-04-05T15:07:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:43:40.607-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Continuados'/><title type='text'>Pela Avenida Paulista - Capítulo 9</title><content type='html'>A Paulista amanhece alaranjada, ainda com sono. Dos escapamentos, antes maléficos, um aroma misto de whisky e morango perfuma a avenida. O medo passa em alta velocidade por entre os carros, crianças entregam flores para os motoristas. Se estes devolvem moedas a elas, isso não importa. Engravatados lêem o jornal como sempre lêem, as mulheres falam ao celular como sempre falam, uma multidão sai do metro para ganhar a vida que um dia ganhou sabe-se lá de quem. Verde, amarelo, vermelho. E o céu cor-de-abóbora. “Chocolate! Chocolate!” “É MP3! MP3 baratinho!” Os estudantes observam, os idosos atravessam. Apitos do CETs. O dia começa mais uma vez. &lt;em&gt;(4)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-625197261544787196?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/625197261544787196/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=625197261544787196&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/625197261544787196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/625197261544787196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/04/pela-avenida-paulista.html' title='Pela Avenida Paulista - Capítulo 9'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-647477199760741070</id><published>2007-03-27T16:31:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:48:49.999-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Recomendação de leitura'/><title type='text'>Sobre os últimos posts</title><content type='html'>&lt;em&gt;ou&lt;br /&gt;O post que não é um post. É apenas uma conversa atravessada sobre as mais recentes empolgações.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o post em que defendia a realidade fantástica para governar nosso país, mergulhei na literatura latina, mais exatamente no boom dos anos 60 e 70. Além de Cem Anos de Solidão e Memória de Minhas Putas Tristes, de Garcia Márquez, que já havia lido, li O Livro de Areia, de Jorge Luis Borges, Travessuras da Menina Má, de Mario Vargas Llosa, e estou lendo O Jogo da Amarelinha, de Júlio Cortázar. Na fila estão Século das Luzes, de Alejo Carpentier e Zorro e Casa dos Espíritos, de Isabel Allende. Depois virão outros. Por enquanto o tempo do metrô do trabalho até em casa e de casa até o trabalho é o que eu tenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Empolgado com esse mergulho, postei a Revolução dos Oito, nascida de um misto de contos borgianos, que não gostei de todos que li, a fantasia de Cem Anos de Solidão e os acasos de encontros e desencontros de Travessuras. A Revolução dos Oito trata da falta de controle que temos sobre a vida, partindo da total liberdade que temos sobre nós mesmos. Uma escolha que faz o caminho, um fato que leva a outra escolha, uma desistência, uma chance, uma outra chance, uma recusa, um fato inesperado, as influências que sofremos e fazemos e por aí vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre Travessuras,  indiquei para todos que estiveram comigo nesses dias. Se você não leu, leia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O post Sofá de couro surrado é um experimento de descrição, seguindo um conselho do meu grande amigo &lt;a href="http://rodrigosimonsen.blogspot.com/"&gt;Rodrigo Simonsen&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os que acompanharam os últimos posts, a Revolução dos Oito, aos que deixaram comentário, aos quais respondo diretamente, segue o capítulo 7 d’O Jogo da Amarelinha, livro difícil mas instigante. Espero que se empolguem também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Toco a sua boca, com um dedo toco o contorno da sua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez a sua boca se entreabrisse, e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha mão escolheu e desenha no seu rosto, e que por um acaso que não procuro compreender coincide exatamente com a sua boca, que sorri debaixo daquela que a minha mão desenha em você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você me olha, de perto me olha, cada vez mais de perto, e então brincamos de cíclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, se aproximam uns dos outros, sobrepõem-se, e os cíclopes se olham, respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se no seu cabelo, acariciar lentamente a profundidade do seu cabelo, enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragrância obscura. E se nos mordemos, a dor é doce; e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu sinto você tremular contra mim, como uma lua na água.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-647477199760741070?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/647477199760741070/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=647477199760741070&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/647477199760741070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/647477199760741070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/03/sobre-os-ltimos-posts.html' title='Sobre os últimos posts'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-8613567851727256672</id><published>2007-03-27T15:37:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:42:19.051-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Sofá de couro surrado</title><content type='html'>&lt;em&gt;ou&lt;br /&gt;Experimentação.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Nunca me imaginei freqüentando esse tipo de lugar. Alguns amigos são acostumados a essas noitadas. Eu nunca os acompanhei. Não usaria a dó para me justificar, entretanto é esse sentimento que aflora, ou melhor, me aflorava quando eles me chamavam para esses programas. Eles desistiram há um tempo já. Devem ter notado a contradição que talvez só eu enxergava. Freqüentemente nos defrontávamos com discussões políticas, sempre emaranhadas em questões éticas e morais. E eu, confesso que nunca expus isso a eles, jamais concordei com a manutenção dessas casas e com a sustentação dessa profissão, que os mais antigos apontam com a mais antiga, pelo nosso deleito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo nos obriga a enfrentar nossas maiores questões internas, e agora eu estava ali, adentrando aquele lugar embriagado por uma luz rubra e fraca. Talvez não fraca, mas com a intensidade suficiente para iluminar os sexos e esconder as faces. Acompanhado apenas pela certeza do que fui fazer ali, dava passos medidos, controlados, contidos, ao contrário dos meus olhos, que exploravam o local com a voracidade do desejo de alguns homens que entravam logo atrás de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carpete da entrada era pobre, já gasto, entre o verde-musgo e o marrom. Ele levava a um hall, onde uma hostess, já a caráter - vestida de couro, com correntes e cravos, claramente imersa em sua fantasia mesmo já avançada de idade -, me entregou uma ficha para controlar meus gastos. O hall era denso, provavelmente em razão da desagradável feição dos seguranças parados em frente a porta de entrada. Depois que a mulher me entregou a ficha, eles abriram caminho mostrando a enorme porta feita com camadas de madeiras sem-lei, pintada de preto com o mau-gosto que parecia ser o gerente do lugar, com duas fechaduras horizontais, cuja abertura se dava apenas pressionando-as.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem entrava era surpreendido pela música alta, geralmente blues de segunda intercalado com arranjos eletrônicos. O palco estava em frente, com detalhes cor de prata que brilhavam conversando com o foco de luz que seguia as dançarinas. A decoração não devia despertar tanta preocupação nos visitantes do lugar, pois ela estava velha e maltratada. Em volta do palco mãos se elevavam como ondas, porém ao invés de espuma salgada valiosas notas de dinheiro, que logo iam parar na roupa íntima das mulheres, colocadas seguido de um tapa e uma passada de mão. À um raio de uns dois metros da ceifa monetária e sexual, havia mesas sóbrias ocupadas por homens engravatados nem tão sóbrios assim. Não me lembro de quantas fileiras de mesa havia entre o palco e a parede, porque logo que vi um sofá embutido, em um dos cantos do local, corri para ele. Tinha um couro surrado, assim como a mulher que logo sentou a meu lado e se jogou sobre mim. Minha aparência não devia ser a das melhores, pois havia sofás em que um único homem juntava quatro ou cinco mulheres. Algumas até menos surradas. Até tinha um pouco de dinheiro, mas não queria usá-lo para aquele fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insistiu que eu bebesse alguma coisa. Por fim eu lhe pedi para que parasse de oferecer porque eu não iria aceitar, já que não estava em uma casa de família, onde reza a boa educação que se aceite o que os anfitriões lhe oferecem. Ela desistiu da bebida, mas começou a esfregar seus peitos em mim, colocar minha mão em sua perna, escorregando para o seu sexo. Sabia que ela era incapaz de entender que o desejo não foi o que me trouxe ali. Logo percebeu que não ganharia um tostão de mim. Ou melhor, viu que outros homens, mais bem aparentados, chegavam ao lugar. Levantou-se do sofá, sem dizer nada, e foi atendê-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a noite outras mulheres chegaram até o sofá, me ofereceram drinques e mais drinques, esfregaram suas parte em mim e saíam, sem entender para o que eu estava ali senão para desfrutá-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi casais subindo as escadas, vi trios subindo as escadas, vi homens rolarem escadas abaixo expulsos por seguranças brutamontes, vi mulheres descerem os degraus arrumando os cabelos e o vestido para logo subirem novamente, vi o mesmo homem subir mais de uma vez, vi homens bêbados, vomitando sobre si mesmos, vi mãos, vi bocas, vi sexos, vi desejos logo realizados, vi animais que se satisfizeram a noite inteira, vi mulheres discutindo preços, vi mulheres conversando sobre coisas cotidianas, como levar filho à escola, lavar roupa, reclamações de vizinhos, vi policiais, com os quais me assustei quando chegaram, mas que depois eram só mais uns homens, vi surubas, vi vouyers, vi pobres se secando de vontade, vi velhos ricos com muita vontade e pouca potência, vi mulheres saindo com homens, vi álcool, vi charutos, vi baseados, vi pó, muito pó, vi novos, vi virgens, vi e ouvi gritos, não sei se de prazer ou de dor, vi fantasias, vi homens indo embora realizados, expulsos, satisfeitos, vi o grupo de rapazes saindo para deixar o lugar vazio, habitado pelas donas do lugar e a sombra que fui a noite toda. Era hora de ir embora também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vaguei, mesmo que por ruas conhecidas, completamente sem saber para onde estava indo. O perfume barato daquelas mulheres impregnou minha roupa e eu devia exalá-lo por onde passava. Cruzei poucas pessoas no caminho. Confesso que dei atenção maior aos cachorros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dormi não sei por quantas horas. Bêbado de sono, com preguiça de abrir os olhos, procurei uma dor de cabeça para alardear meu cérebro. Arrependi-me de não ter bebido na noite anterior.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-8613567851727256672?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/8613567851727256672/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=8613567851727256672&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/8613567851727256672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/8613567851727256672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/03/noite-clara.html' title='Sofá de couro surrado'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-3255682589043538060</id><published>2007-03-23T10:07:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:43:40.608-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Continuados'/><title type='text'>Revolução dos Oito - última parte</title><content type='html'>Não resisti quando o riso veio à tona diante daquela frase. Uma criança de nove anos acaba de dizer que precisava se aposentar. Lembrou-me a época que eu inventava doenças para não ir para a escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Criança – assim se dirigiu a mim sorrindo -, chegou a sua hora de revelar um novo caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como viu que eu não entendia nada do que estava acontecendo, começou a me contar sua história. Falou encantado dos bistrôs e cafés parisienses, francesas e dos filósofos. Eu o olhava abismado. Perdi meu olhar em qualquer coisa para deixar de enxergá-lo como uma criança. Continuou concluindo que daquela bela cidade já havia se enjoado um pouco. Disse que se vestiu com roupas baratas e coloridas e na Inglaterra criou um novo movimento, de amor livre, contra as opressões da época. E que depois precisou sacrificar esse movimento que criou pensando em um ideal violento e preconceituoso. Falou que em um momento chegou até a dividir uma cidade com um muro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boquiaberto eu escutava. Reconheci cada uma das épocas que ele descrevia como suas criações. Não entendia aonde ele queria chegar. Em momento algum eu estive amarrado. Tinha certeza que aqueles homens que nos interceptaram tampouco tinham armas de verdade. O pequeno não tinha medo de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é o oitavo. E se se perguntar “por que eu?”, fique calmo, pois todos nós sete também pensamos assim.&lt;br /&gt;- Uau, agora estou calmo. – ironizei em pensamento. Ele sorriu.&lt;br /&gt;- Viva quantos anos precisar. Agora você é um ser imortal. Nem sempre saberá o que deve ser feito, mas faça o que cada época pedir. Chegará uma idade em que você será de novo uma criança, assim como eu, e contará a história do mundo sob a visão de quem o criou. Escolherá também um nono. Mas não se preocupe com isso agora. Por enquanto é a Revolução dos Oito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milhões de questões brotaram na minha mente, mas antes que começasse a interrogá-lo, me cortou com um “Não faça perguntas. Anote-as. Quando escolher um nono, verá que são inúteis, pois você terá respondido-as todas com o tempo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também me aconselhou a não contar para ninguém. Poucos iriam acreditar. Os que acreditassem, ficariam loucos, pois se convenceriam de que não têm controle algum sobre a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim recebi minha missão de viver. Pode parecer um conto ordinário sobre a continuação da vida porque talvez eu queira que isso pareça, para que o medo de não alcançar o que devo não me domine. E, claro, se não fosse um conto, talvez quem ouvisse essa história realmente desistisse da vida, sabendo que não há controle sobre ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela tarde me confiaram um segredo. E não era um segredo daquela criança de sabe-se lá quantos nove anos. Era o segredo do mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-3255682589043538060?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/3255682589043538060/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=3255682589043538060&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/3255682589043538060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/3255682589043538060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/03/revoluo-dos-oito-ltima-parte.html' title='Revolução dos Oito - última parte'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-1787813566346827956</id><published>2007-03-22T09:50:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:43:40.608-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Continuados'/><title type='text'>Revolução dos Oito - parte IV</title><content type='html'>&lt;p&gt;- Ele precisa de um médico! Agora! – gritei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peguei a chave do carro de uma das meninas do grupo e corri. Não sei por que, mas eu precisava salvar aquele menino. A jovem que me contava sua história pegou-o no colo e entrou no carro. Saí cantando pneu sem pensar na coitada no banco de trás se segurando com o garoto no colo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei por algumas ruelas sem saber direito para onde estava indo. Precisava sair da favela e a jovem me guiava confusa com o que estava fazendo. A velocidade em que eu estava talvez tenha chamado atenção dos “donos” do lugar. Fecharam a rua. Buzinei. Eles mostraram armas. Fui obrigado a parar, tremendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- As manchas estão sumindo. Sua respiração está voltando ao normal. – gritou a voluntária, com os olhos cheios de lágrima e a voz tremida pelo medo e a tensão do que estava acontecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já chegamos? – O garoto perguntou  com a voz tranqüila de uma criança. – Acabaram as suas bolachas, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se me assustava mais cada palavra que ele dizia ou se era aquele homem armado se aproximando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fica tranqüilo. Fui eu quem trouxe você até aqui. – disse o pequeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encarei-o pelo retrovisor. O homem armado abriu a minha porta e pediu cordialmente que eu saísse. Pela outra porta desceu a criança. Fitei-o confuso, não vendo a garota descer junto com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela dormiu. Logo, logo acorda. Vai ficar bem, não se preocupe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem era aquele menino? O que estava acontecendo? Para onde estavam me levando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei em um daqueles barrocos tão similares uns aos outros. Tijolo e cimento eram luxos. As paredes eram feitas de placas, madeiras corroídas e pedaços de tudo que se encontrava. Isso acarretava em um ambiente de triste colorido, como um palhaço deprimido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Por favor, entre.” Arregalei os olhos. Era um elevador. Um elevador dentro daquele barroco de pouco mais de cinco metros quadrados. “Vamos, vá na frente”, insistiu aquele menino de nove anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A porta se abriu diante de um lugar indescritível. Dizer que era uma sala sem teto, com quadros da renascença e da pop art nas paredes coloridas, de piso macio e claro, uma espécie de carpete de almoçadas finas, sob um céu limpo e reluzente, não descreve fielmente o local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Espero que não tenha o assustado muito, amigo. – disse a criança se dirigindo a mim.&lt;br /&gt;- O que é isso? Quem é você? O que vai fazer comigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sorriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vejo que a tranqüilidade desse lugar não contaminou você. É só mais uma prova.&lt;br /&gt;- Prova de quê?&lt;br /&gt;- De que eu preciso me aposentar.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-1787813566346827956?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/1787813566346827956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=1787813566346827956&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/1787813566346827956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/1787813566346827956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/03/revoluo-dos-oito-parte-iv.html' title='Revolução dos Oito - parte IV'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-4305937249160049067</id><published>2007-03-20T21:31:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:43:40.609-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Continuados'/><title type='text'>Revolução dos Oito - parte III</title><content type='html'>O recreio chegou ao fim e as crianças subiram para suas salas ou quartos. Disse ao meu grupo que subissem também, para acompanharem tudo, e que eu logo subiria também. Como me viram conversando com a garota, pensaram logo que eu estava interessado na menina e, com uma piscadela e um sorriso, soltaram uma brincadeira que nos envergonhou. As outras mulheres que trabalhavam na creche sorriram com a situação e uma delas, a única que não estava rindo, soltou um “Sempre ela, não é?”. Fiquei perdido com o que estava acontecendo e ela me trouxe a razão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não ligue. Muitos pais na hora de buscar seus filhos param para conversar comigo. Alguns tentam uma ou outra cantada, e ela fica enciumada.&lt;br /&gt;- Espero não estar causando nenhum problema.&lt;br /&gt;- Imagina, já estou acostumada. – Parou de repente, sem graça. – Assim, não é que eu sou sempre xavecada...&lt;br /&gt;- Imagina, eu entendi o quis dizer. – cortei-a, rindo.&lt;br /&gt;- É que pareci bem metida agora.&lt;br /&gt;- Não, não... eu entendi. Mas vamos, continue me contando sobre o garoto.&lt;br /&gt;- Claro – sorriu e continuou – Parado sozinho ali na porta, ficou me olhando curioso. Não estava sujo nem machucado. Por alguns segundos não soube o que dizer. Soltei um “Oi”. Parece ter sido o suficiente, porque ele começou a falar. – Enquanto me contava o que o garoto tinha dito, imitava a sua voz de criança – “Oi, moça. Isso aqui é uma creche não é? Eu estou com fome. Você pode me ajudar?” A voz dele não era exatamente assim, claro. Mas era bem parecida. Coloquei ele pra dentro e servi o macarrão que tinha acabado de sair em um pratinho colorido, de um desses personagens de desenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto me contava a história, ia arrumando o lugar. Me ofereci para ajudar e juntei copos, pratos e talheres para levar até a pia. Ela continuou depois de me agradecer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fiquei surpresa com a educação que ele comia. Comia sim rápido, devia estar faminto, mas muito educado. Negou a colher e manejava como um adulto o garfo e a faca. A primeira coisa que perguntei, antes mesmo do seu nome, era quantos anos tinha. Ele me mostrou com as mãos, agora sim igual a uma criança, que tinha oito. Junto com um pouco de molho saiu da sua boa um “tem suco?” – ela disse isso novamente imitando o menino graciosamente. Aqui todos da cozinha já se perguntavam sobre a origem daquele menino. Fui pegar o suco – apontou para a geladeira, embaixo do relógio – e vi que já estava na hora das crianças descerem. E assim foi.&lt;br /&gt;- Imagino que seja impossível de dar atenção a uma coisa no meio de uma multidão de pequenos.&lt;br /&gt;- Exato. Me perdi do garoto preocupada em servir todas as crianças. Sabe como é, gritaria, choros, beliscões, correria, puxões de cabelo, e essas coisas – disse rindo, demonstrando que amava o que fazia. A única vez que o vi, estava cercado por menininhos e menininhas em um canto de uma das mesas, o único onde não havia uma bagunça. Mas isso foi no fim da hora de almoço e as professoras já chamavam as crianças para subir. Procurei pelo menino, mas ele sumiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já havia me envolvido completamente na história daquele garoto. Meu grupo filmava e fotografava o local. Passavam por mim com uma cara feia, reclamando que eu não estava fazendo o trabalho. A cozinha já estava arrumada e a jovem já passava a organizar uma lista do que precisavam para a próxima semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então, continuando...&lt;br /&gt;- Claro.&lt;br /&gt;- Fui achá-lo em uma aula de matemática, cuja professora me disse que haviam o colocado ali por engano, pois sabia muito mais do que ela estava ensinando. Contou que o menino havia pedido que ela se acalmasse, e que o filho dela seria encontrado rápido. Mais rápido que ela esperava. “Como ele sabia disso? Como?” Eu caí no choro ao ouvir aquil...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, ouvi alguém gritando. Nos assustamos. A menina correu para ver o que era. Uma professora desceu correndo trazendo o menino nos braços. A menina que me contava a história limpou a mesa para que o deitassem ali. Se já estava assustado, fiquei ainda mais vendo as manchas vermelhas espalharem pelo pequeno corpo humano ali.&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-4305937249160049067?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/4305937249160049067/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=4305937249160049067&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/4305937249160049067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/4305937249160049067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/03/revoluo-dos-oito-parte-iii.html' title='Revolução dos Oito - parte III'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-7076793887827512637</id><published>2007-03-19T20:50:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:43:40.609-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Continuados'/><title type='text'>Revolução dos Oito - parte II</title><content type='html'>Durante a faculdade de comunicação, certa vez fui fazer um trabalho de linguagem em uma comunidade carente na periferia de São Paulo. Lá visitamos, eu e meu grupo, uma creche já com mais de 120 crianças divididas em dois turnos, diurno e vespertino – algumas ficavam todo um dia – sustentada por doações e voluntariedades. O responsável pela criação do lugar era um homem que, do alto da sua classe média alta, por compromisso com a humanidade ou remorso ou peso na consciência, blindou-se de coragem e decidiu ajudar algumas pessoas. Foi ele quem nos intercedeu ao chefe do tráfico para que visitássemos o lugar. Não sabíamos se com isso nos sentíamos mais seguros ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durantes os dias que fomos àquela creche, ouvimos muitas histórias. Uma infinidade de pais que foram comprar cigarros e nunca voltaram, mães adolescentes, violência doméstica, prostituição e diversos descuidos. Ratos, baratas e outras pestes invadiam o lugar no começo do projeto. Assaltos ao lugar foram muitos. E os dois problemas foram resolvidos com a ajuda do tráfico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante um dos recreios, parou diante de mim um garoto e disse: “Tio, me dá uma bolacha.” Eu peguei o pacote que estava em cima da mesa, separei uma e lhe entreguei. Ele rejeitou com um sorriso. “Não quero essa, tio.” Eu respondi que não havia outras e que todas as crianças estavam adorando aquela. “Quero essa daí que você tem na bolsa.” Surpreendi-me. Minha bolsa estava completamente fechada e eu não havia tirado nada dela desde que cheguei. Olhei para aquele pedacinho de gente morena, de cabelos encaracolados bem rentes à cabeçorra, de olhos redondos e grandes. Pela pequena boca carnuda podia vê-lo salivando de vontade da minha bolacha. Por um instante aflorou-me o preconceito e achei que aquelas crianças poderiam ter me roubado. Bati a mão na bolsa e logo me arrependi daquele sentimento. Como poderia? Como ele sabia daquele pacote de bolacha que eu mesmo tinha esquecido ali desde que o comprei para uma emergência do estômago?Enquanto mil soluções passavam pela minha cabeça, o pequeno continuava ali, com os olhos brilhando de vontade. Peguei o pacote de biscoitos recheados e lhe entreguei. Disse para reparti-lo com seus amigos, o que ele fez. Aproximou-se uma jovem voluntária:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não é o único.&lt;br /&gt;- Oi? Como? Desculpa, estava pensando em outra coisa.&lt;br /&gt;- A ser surpreendido por esse menino, você não é o único.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encarei-a ainda mais perplexo. Perdi-me imaginado naqueles olhos cor de mel histórias para-normais sobre o garoto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aceita um café? – cortou logo a primeira das muitas perguntas que eu iria começar a fazer.&lt;br /&gt;- Sim obrigado. Ele levou o que eu tinha para essa tarde. – disse, meio a um sorriso, que ela compartilhou.&lt;br /&gt;- Esse garoto, com quem conversou... não sei o que acontece. Mas todos com quem conversa ficam assim, com a mesma cara que você ficou.&lt;br /&gt;- De bobo, deve ser.&lt;br /&gt;Ela riu e continuou:&lt;br /&gt;- Uns cinco dias depois que comecei a ser voluntária aqui, ele chegou. Era uma quarta-feira, dia em quem costumamos fazer macarronada no almoço. Ouvimos palmas na direção da porta de entrada. Palmas na porta? Batata! Só pode ser alguém trazendo uma criança nova. Eu mesmo fui abrir. As palmas tocaram de novo. Abri a porta um pouco apressada por isso e não vi ninguém. Ou melhor, vi. Era o garoto. Sozinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-7076793887827512637?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/7076793887827512637/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=7076793887827512637&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/7076793887827512637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/7076793887827512637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/03/revoluo-dos-oito-parte-ii.html' title='Revolução dos Oito - parte II'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-3814709685701539556</id><published>2007-03-19T14:50:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:43:40.609-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Continuados'/><title type='text'>Revolução dos Oito - parte I</title><content type='html'>&lt;em&gt;ou&lt;br /&gt;Um conto ordinário sobre a continuação da vida.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco se falou sobre a Revolução dos Oito. E o que foi dito logo se forçou a esquecer. Os que se viram próximos dela substituíram-na com situações imaginárias na confusa linha do tempo da memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As datas já não interessam. O que aconteceu neste ‘quando’ poderia acontecer hoje ou amanhã. Mas para que não interrompa a leitura com curiosidades ordinárias, confesso que alguns detalhes podem ajudar você a reconhecer um ou outro ano. E quando o fizer, perguntará como eu sei, se foi há tanto tempo esse algo que ninguém quer compartilhar. A questão é que a maior arma que um homem pode usar contra outro é um segredo. E ela foi usada contra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paris vivia seus tempos de glória. Cafés, bistrôs, óperas, teatro, museus. Além de mais bonita, era a capital cultural do planeta. Jovens cidadãos do mundo inspiravam e aspiravam à cidade francesa. Vinham de todo canto estudar ou trabalhar, de preferência os dois, acreditando nutrir cada segundo de suas vidas com uma cultura inalcançável em qualquer outro lugar. As mulheres se diziam modernas libertando o sexo do amor – mesmo que de uma maneira extremamente contida e quase inocente em relação ao que viria depois -. A filosofia de Sartre seguida do desconstrutivismo de Foucault dava às universidades um ar clássico, um ar que invadiria toda essa cidade na visão da década seguinte, na Inglaterra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Londres despertava de suas mesas de jantar opressoras, de seus olhares tradicionais que exalavam bons modos e etiqueta, gritos de uma anarquia individual. Jovens rejeitavam as fotos de família e se libertavam para um mundo de sensações livres e profanas. O amor livre, representado por um milhão de sexos sem sexo, as drogas das viagens além e a simplicidade das cores disformes combinadas não tentavam converter mais adeptos a esse novo estilo de vida. Não eram uma igreja. Não queriam fiéis e dízimos. E por algum tempo viveram a base de miçangas e outros produtos manufaturadas, ou melhor, artesanais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pregavam a paz, não a guerra. E se referiam às intervenções de potências, militâncias socialistas e ditaduras militares, a América era dizimada então, que as sufocava. E acabaram sendo sufocados por skinsheads, que se chamavam “a nova SS”, e uma classe alta que admirava seu jeito de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí em diante, enquanto muitos morriam empunhando palavras de ordem, outros levantavam muros sociais invisíveis, e outros mais tarde lutavam para derrubar muros de verdade, ou faziam embargos. A partir do momento em que as armas se tornaram eticamente mal vistas, brigou-se usando números, investimentos e assinaturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E diante de todos esses fatos, como sempre, a vida continuou. Ordinariamente, continuou. Nenhuma das descrições acima é para ser julgada. São apenas descrições que tentei transmitir assim como foram me passadas pelo tempo. Mas e a Revolução dos Oito? – você deve se perguntar, ou me perguntar, se pudesse se dirigir ao papel sem parecer um louco. A Revolução dos Oito é o que nos resta, adianto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-3814709685701539556?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/3814709685701539556/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=3814709685701539556&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/3814709685701539556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/3814709685701539556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/03/revoluo-dos-oito-parte-i.html' title='Revolução dos Oito - parte I'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-2437368583080482481</id><published>2007-03-08T17:13:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:47:38.072-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Por quê?</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;em&gt;ou&lt;br /&gt;Sobre a visita de Bush.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova York. 8 de dezembro. Bush voltava para seu apartamento no edifício Dakotam, em frente ao Central Park, quando foi abordado por Mark David Chapman, um fã dos Beatles e de Bush, que durante o dia havia lhe pedido um autógrafo. Ele atirou à queima roupa em George, que morreu na hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1982, cerca de 50 mil fãs e amigos acompanharam o carro dos bombeiros que levou o corpo de Bush do teatro Bandeirantes, região central de São Paulo, onde fora velado, até o Cemitério do Morumbi, zona sul da capital. Morto por overdose de cocaína e álcool, ele deixou os filhos João Marcello, Pedro Mariano e Maria Rita Mariano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante todo o ano de 1988, George Bush sofreu ameaças de morte e perseguições por parte de pessoas ligadas a partidos políticos e organizações clandestinas destinadas a exploração desregrada da região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 22 de dezembro de 1988, após inúmeros conflitos, intrigas, levantes e movimentos sindicais, o sindicalista e ecologista George Bush teve a sua vida ceifada por mãos criminosas, passando a ser a 97ª vítima na lista dos trabalhadores rurais, assassinado durante o ano de 1988, por lutar pelos seus direitos, como também pela preservação ambiental da Região Amazônica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Papa João Paulo II confiou às religiosas de George Bush a casa "Dom de Maria", aberta no Vaticano ao lado do Palácio do Santo Ofício, para assistir aos mais pobres e aos moribundos da Itália. Em 1979, Bush recebeu o Prêmio Nobel da Paz por seu trabalho. George faleceu na Sexta-feira, 5 de setembro de 1997, vítima de uma parada cardíaca. Milhares de pessoas de todo o mundo se congregaram formando várias filas na Igreja de Santo Tomás para despedir-se dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto um número considerável de estadistas, líderes políticos e revolucionários do século XX, homens que provocaram guerras ou causaram massacres terríveis, morreram de causas naturais, Bush, um dos maiores pacifistas desse século, pai da independência da Índia, aquele que tudo fez ao longo da sua prodigiosa atividade para banir a violência da vida política, terminou por dessas ironias da vida assassinado a tiros em Nova Délhi em 1948.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morre George W. Bush, na manhã de 09 de julho, de edema pulmonar, na banheira de sua casa na Gávea, em companhia de Toquinho e de sua última mulher, Gilda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A morte de George Bush foi impregnada de tantos sentidos simbólicos que uma comoção mundial seguiu-se à notícia de seu triste fim na célebre casa de Isla Negra, onde morava nos últimos anos. Semanas antes, Salvador Allende havia sido deposto pelas Forças Armadas do Chile e, não se sabe ao certo, se suicidarano Palácio de La Moneda, em Santiago. Assim o desaparecimento do poeta parecia o desfecho mais eloqüente para a tragédia chilena. Era como se fundissem num só destino a esperança frustrada de um povo e o fim da existência de um escritor que, como nenhum outro, traduzira as possibilidades de prestígio e ressonância popular da lírica moderna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Só me resta um grande sentimento de injustiça enquanto leio as notícias acima. Poderiam ser tantos outros aqui hoje.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;-x-&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Ourinhos me convidou para participar de um Meme. O que é isso? Um blogger chama outro para postar sobre um tema. Como uma corrente de visões sobre um determinado assunto. A abordagem deve ser a original do blog, para que dê identidade a discussão. Além de mim, o Ourinhos convidou os blogs &lt;/em&gt;&lt;a href="http://seraobenedito.wordpress.com/"&gt;&lt;em&gt;Caio Casseb&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;, &lt;/em&gt;&lt;a href="http://blogdopaisimao.blogspot.com/"&gt;&lt;em&gt;Pai Simão (o Mineiro)&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;, &lt;/em&gt;&lt;a href="http://kavakava.blogspot.com/"&gt;&lt;em&gt;Guilherme Tomé&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; e &lt;/em&gt;&lt;a href="http://cucafundida.zip.net/"&gt;&lt;em&gt;Sté Fernandes&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;. Eu chamei meus amigos &lt;/em&gt;&lt;a href="http://115db.blogspot.com/"&gt;&lt;em&gt;Peru&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;,  &lt;a href="http://vincevader.blogspot.com/"&gt;Vincent&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://musik4friends.blogspot.com/"&gt;Drudi &lt;/a&gt;para falar.&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Vale a pena acompanhar.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-2437368583080482481?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/2437368583080482481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=2437368583080482481&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/2437368583080482481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/2437368583080482481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/03/por-qu.html' title='Por quê?'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-4771624693015627569</id><published>2007-02-28T15:30:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:47:49.792-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Já me decidi em quem votar em 2010.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;em&gt;ou&lt;br /&gt;O Brasil e o seu realismo mágico.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já me decidi meu voto para 2010. Para presidente será Garcia Márquez. Juan Rulfo e Mario Benedetti ganharão minha confiança para os cargos de deputado federal e estadual, respectivamente. Já adianto também o corpo ministerial – algo que o presidente atual ainda não conseguiu fazer -: Mário Vargas Llosa, Júlio Cortazar, Carlos Fuentes e Isabel Allende seriam uns deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se engane quem pensa que votaria neles pelo pensamento esquerdista de alguns. E tudo bem se esses nomes foram certos nas distantes décadas de 50 e 60. Meu voto é deles porque talvez sejam os ideais para conseguir um “boom”, assim como fizeram na literatura latino-americana, em um país eternamente em desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fenômeno, das décadas de 50 e 60, foi sim muito mais do mercado literário do que de estética. Mas revelou para o mundo cultural uma face inteligente, original e provocadora da ficção realizada por essa geração. E isso já justifica meu voto nos autores para mudar um país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine um estudante que acabou de conseguir estágio. Se ele começa bem, “ah, ele ainda está na faculdade. Tá com tudo fresco na cabeça.” Se ele faz alguma coisa errada, “Não tem problema. Ele ainda é estagiário.” O “ser estudante” é uma capa protetora. Qualquer problema é só se cobrir. É igual ao Brasil, um país há tempos em desenvolvimento. Economia indo bem? É porque o país está em desenvolvimento. Se ela está indo mal, é porque ainda é um país em desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semana passada, ouvi da minha própria boca que o Brasil é uma fábrica de bandidos. Imaginei até uma linha de produção fordista: a esteira leva crianças, que recebem parafusados exemplos de violência, lei de Gérson, miséria de matéria e espírito, corrupção, falta de condições básicas - como saúde e segurança, má educação (a boa é um item mais caro, por isso é retirada da linha de produção em série), e outras porcas, molas e engrenagens derivadas e dependentes entre si. Sai daí um novo produto, o brasileiro empacotado, que será de bom uso se vier com opcionais. Se não, tem que lutar muito para deixar de ser apenas como o grande fabricante, o Estado, o produziu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei quando essa linha de produção funcionou pela primeira vez. Penso que isso é impossível de se descobrir. Mas ao contrário do nosso atual presidente, não acho que o grande culpado do roubo de um carro é próprio dono do veículo, que deixou o outro, o ladrão, em condições precárias de vida, das quais surgiu a necessidade de cometer o crime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um crime não justifica o outro. A formação de um cidadão é um crime mais que precedente em um país “em desenvolvimento”, mas não justifica tantos outros crimes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que eu acredito que a minha chapa pode lidar com isso? Por que eles tiraram de todo um continente nascido a partir da mistura de diferentes civilizações, dos desencontros culturais profundos, de violências étnicas irreparáveis, da corrupção política, da miséria e exploração humana, da dependência econômica e da rebeldia*, uma alquimia que apresentou a leitores e críticos de todo o mundo uma forte América.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando assim, o Brasil não é mesmo um cenário perfeito para os planos de governo da minha chapa? Ah, não falei ainda sobre a plataforma deles? É o realismo mágico, claro. Com ele, meus governantes fundariam um país novo, fantástico. E toda a população teria no presidente um reflexo. Teríamos encantamento e espanto diante das coisas mais cotidianas e naturalidade diante das maravilhas*. Assim receberíamos melhor inaceitáveis fatos, como a reeleição do Maluf, Collor, Palocci e outros mensaleiros, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fraudes da loteria e garoto arrastado por bandidos poderiam até acontecer, mas não nos muniríamos de hipocrisia para cobrar da sociedade qualquer coisa contra isso. Seríamos mais inteligentes. Cobraríamos de Evo Morales que o dinheiro vindo da Petrobrás, taxa facilmente aceita pelo Governo, não financiasse o tráfico (boa, Minarde) que tanto atrapalha nosso país. Poderíamos pedir também que a propina que o policial aceita fosse investida em segurança. Talvez até conseguíssemos que nossos impostos fossem abatidos dos pagamentos dos planos de saúde ou pedágio. Quem sabe até nossos centros acadêmicos deixassem de ser fumódromos de maconha, financiando o crime, enquanto gritam palavras de ordem querendo mudar o país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando bem, os absurdos nas linhas dos jornais atuais já seriam uma ótima introdução para esse realismo mágico. O que difere Macondo, Comala e Santa Maria do Brasil?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso já me decidi em quem votar em 2010. PSDB, PT, PPS, PSOL, PMDB, que nada. Prefiro votar em um presidente que se tivesse que viajar, seria por causa do exílio e não para inaugurar pontes venezuelanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;* trechos aproveitados da revista EntreLivros, edição sobre Garcia Márquez, ano 2, número 22.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-4771624693015627569?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/4771624693015627569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=4771624693015627569&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/4771624693015627569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/4771624693015627569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/02/j-me-decidi-em-quem-votar-em-2010.html' title='Já me decidi em quem votar em 2010.'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-1489466039214002475</id><published>2007-02-26T18:16:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:38:47.543-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Publicidade'/><title type='text'>Uma nova publicidade, por favor. *</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;em&gt;ou&lt;br /&gt;O autor não conseguindo manter seu blog longe da publicidade.&lt;br /&gt;*versão séria&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vinte anos no mundo. Dez no Brasil. É essa a idade de uma das invenções mais relevantes do homem: a Internet, que mudou o comportamento da sociedade, transformando o acesso à informação, consumo, maneira de se relacionar, forma de se comunicar e se entreter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com ela, alguns modelos se tornaram antigos, como a transferência de arquivos via faz ou correio; a maneira de se escutar música ou assistir a um programa de TV, hoje basta fazer um download; uma compra, que você faz sem sair de frente do computador. Uma importante mudança também ocorreu no modelo publicitário de negócios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basicamente, se um anunciante decide promover seu produto ou serviço, ele contrata uma agência de publicidade. Esta cria e desenvolve a campanha, compra espaços e ganha uma porcentagem sobre o preço da mídia. A empresa de mídia que veiculará as peças desenvolve conteúdo para atrair público e valorizar o seu espaço. O consumidor final é impactado pela mensagem do anunciante enquanto assiste a um programa ou lê alguma reportagem. Se ele gostar, procura conhecer o que foi anunciado, fechando o ciclo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, algumas tendências já apontam para a evolução desse modelo. A série da TV americana LOST é um bom exemplo. No mesmo dia em que um novo capítulo é lançado nos EUA, é possível fazer o download do mesmo aqui no Brasil. Sem intervalos comerciais. Se já não vierem editados, basta adiantar os comerciais e continuar assistindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso mostra uma nova realidade de consumidores e uma nova era de comunicação. Ela não está mais nas mãos dos mesmos papéis citados no terceiro parágrafo. Uma comunidade no Orkut pode influenciar muito mais que um anúncio de revista. Um exemplo, a comunidade “Eu odeio a Claro” tem mais de 11032 participantes. Lá eles expõem todos os problemas que já tiveram com a empresa. Quando uma pessoa deseja comprar um celular, isso pode a afetar muito na decisão de qual operadora vai se tornar cliente. Fia-se muito mais a amigos e experts que em um filme de TV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por não estar mais nas mãos dos mesmos papéis de antes, não é mais a publicidade que deve inflar o consumidor de mensagens. Ele a encontra quando a procura. E essa foi a grande inovação que o Google trouxe para a mídia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os anúncios Google aparecem contextualizados com o conteúdo que o internauta está vendo. Mas em momento algum interfere nele. No Google Busca, eles aparecem lateralmente e sempre relacionados com o que o usuário buscou. Nos outros sites parceiros, eles aparecem com o conteúdo que está sendo tratado ali. Quem decide acessar ou não a mensagem do anunciante é o internauta. E por isso a importância da contextualização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil já escolheu o seu sistema de TV Digital e ele deve ser implementado nos próximos anos. A principal característica da TV Digital é que o telespectador poderá montar a sua própria programação. Algo parecido com o que já acontece hoje no YouTube. Por exemplo, um telespectador poderá buscar sua série favorita e assistir três capítulos seguidos enquanto grava a partida de futebol ao vivo, para assistir logo depois que acabar o que está vendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surge aí uma importante questão: como ficam os intervalos comerciais? Onde eles entram? Eles não podem interferir no conteúdo que está passando. Se fizerem isso, basta adiantar e continuar assistindo, como um DVD.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pressão feita pelas grandes mídias influenciou na escolha do governo sobre o sistema a ser adotado, que não foi o tecnologicamente mais avançado. Isso ocorreu porque todas essas mudanças atingem diretamente o sistema publicitário vigente até então. Como a Rede Globo de Televisão, por exemplo, irá se adaptar a esse novo modelo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que tornou o Google a empresa de mídia mais valiosa do mundo não foi a sua tecnologia ou o sistema diferencial de ranqueamento de páginas na web. É claro que esses itens têm uma importância fundamental que os diferencia dos concorrentes. Porém, o que o tornou uma grande mídia foi o entendimento do consumidor moderno, oferecendo informações relevantes no momento em que ele procura e cobrando do anunciante apenas a mensagem que é efetivamente recebida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nesse sentido que todo o mercado publicitário deve se reinventar. Um filme de TV não pode se limitar a ser veiculado no intervalo de um jornal, por exemplo, quando não se há controle se o telespectador continua prestando atenção ou se vai ao banheiro, por exemplo. Muito menos ele pode continuar interferindo no conteúdo que a pessoa está vendo. Todo o mercado deve se preparar para oferecer uma mensagem relevante apenas quando o consumidor quiser vê-la. E isso não é cenário futurista. Você já acessou o YouTube hoje?&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-1489466039214002475?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/1489466039214002475/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=1489466039214002475&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/1489466039214002475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/1489466039214002475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/02/uma-nova-publicidade-por-favor_26.html' title='Uma nova publicidade, por favor. *'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-6091284295508838907</id><published>2007-02-26T16:12:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:38:47.544-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Publicidade'/><title type='text'>Uma nova publicidade, por favor. **</title><content type='html'>&lt;em&gt;ou&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O autor não conseguindo manter seu blog longe da publicidade.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;** versão passional.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou apaixonado pela Internet, que por esses tempos completa vinte anos no mundo e dez no Brasil. E foram poucos os gênios e feitos que com essa idade conseguiram mudar o mundo com suas criações. A Internet mudou completamente a sociedade e os indivíduos pós oitenta e cinco. A maneira de nos relacionar, de consumir, de nos entreter é completamente diferente desde que digitamos nossos primeiros www’s.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem é preciso ir longe: poucas foram as aulas que tive sobre web nos meus quatro anos de faculdade, que acabam em junho desse ano. Elas só começaram a aparecer nos últimos semestres. No demais discutíamos anúncios e filmes. Os hotsites, banners e interatividade chegaram às aulas depois de eu ter conseguido meu primeiro estágio, em uma agência on-line.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de seis meses acostumando com a publicidade pela web, troquei de agência e de fascínio: o que me deixava maravilhado nas minhas primeiras aulas de criação fui substituindo não só pelo que via na lista de cyber lions, mas também pelo impacto social causado por essa nova mídia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mas fala sério, você não tem vontade de fazer um filme pra TV?” Muitos insistem. Pois vamos lá. Todo o mercado publicitário se adaptou ao modelo de mídia padrão vigente por décadas até então. Basicamente, alguém quer anunciar seu produto ou serviço e contrata uma agência para isso. A agência cria a peça, compra um espaço e ganha uma porcentagem sobre o preço da mídia. A mídia ganha com os anunciantes e o consumidor que assiste ao seu programa favorito ou que está lendo a uma matéria vê seu interesse invadido por uma marca. Se a mensagem o impactar, ele guarda e procura saber mais depois. FIM.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os anunciantes, agências, empresas de mídias, profissionais e consumidores se acostumaram a esse modelo. Mas o que muitos profissionais não querem aceitar é que esse modelo está ficando para trás. Não estou dizendo que as mídias on-line vão roubar os investimentos das tradicionais, nem que o jornal e o rádio vão acabar. Mas, sim, estou dizendo que a publicidade deve se reinventar. O que é fácil, para quem gosta de ser chamado de criativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos assuntos comentados nos últimos tempos é a TV Digital. A principal característica dela é que o telespectador pode fazer a sua programação. O termo da moda para isso é on demand. O telespectador (Se é que ainda vai ser chamado assim. Prefiro algo menos passivo, menos receptor.) busca pelo que ele quer ver naquele momento e pronto: ele assiste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas e como ficam os famosos breaks comerciais? Quem vai querer assistir a um break? Alguém vai parar um capítulo de LOST para ver um comercial de refrigerante? Sinceramente, eu prefiro saber logo como o Lock vai abrir a portinha no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A comunicação não mais está nas mãos desses antigos personagens. Hoje uma comunidade no Orkut influencia muito mais que um anúncio. E para quem acha que a realidade descrita da TV Digital é futurista demais, é só pensar em como já funciona hoje. Se alguém perdeu um capítulo de Caçadores de Mitos, da Discovery, é só entrar na Internet e baixar. Se já não estiver editado, basta dar um FF quando os comerciais começarem. O consumidor só vai ver a mensagem do anunciante se ele quiser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que a Rede Globo joga tanto na retranca quando o assunto é TV Digital. É claro o objetivo dela promovendo o atraso dessa tecnologia no Brasil: quando mais cedo chegar, mais cedo o modelo de negócios dela começa a falhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São adaptações a esse novo mundo que me alfinetam quando vejo um grande anunciante e mesmo grandes agências pedindo outras pobres adaptações, as de peças e conceitos de off-line para on-line.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mídia mais valiosa do mundo hoje é o Google. A marca também é uma das mais valiosas, deixando grandes empresas, que fizeram um esplêndido trabalho de construção e comunicação, para trás. E nos comos e por quês se prendem boa parte de nossos publicitários e marketeiros. Mas isso é compreensível, já que tudo que eles viveram, aprenderam e trabalharam respondia a outro sistema. E não ao de dois estudantes que resolveram organizar informações em uma Internet que ainda nem chegara ao Brasil, desenvolver um formato de mídia e ganhar algumas muitas cifras.&lt;br /&gt;Muitos pensam que o grande segredo do Google é a tecnologia. A tecnologia é apenas uma ferramenta da fórmula. O segredo é que esse tipo de mídia foi buscar no futuro que eu descrevi acima, no exemplo de TV Digital, um modelo de mídia que a sociedade mostra começar a preferir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Google, a mensagem do anunciante só é vista quando é procurada, on demand. Além disso, o Google fez sua grande tacada contextualizando as mensagens publicitárias. Se eu procuro no buscador “quadras de futebol em São Paulo”, provavelmente, ao lado das respostas naturais, apareceram links para sites que vendem tênis para a pratica de futebol. Se eu quiser comprar o tênis, acesso o link. Se não, nada. Não interrompeu nem invadiu o que eu estava vendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o perdão de mais um “além disso”, a segmentação tradicional de públicos por demográfico e psicográfico, que tanto limitam e desperdiçam investimentos publicitários, não existe no modelo Google. Ao invés disso, o anúncio aparece para quem o quer. Talvez, em uma mídia tradicional, o anunciante de tênis de futebol limitasse sua mensagem a programas que o público fosse: homem, de 15 a 35 anos, praticantes de esportes. No Google, isso independe. Quem procura por futebol, tenha 15 ou 35 ou 55, é atingido pela mensagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E toda essa evolução com menos de dez anos de empresa, em um “mundo” com um corpinho de vinte. É mesmo difícil de aceitar. Mas não de entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mas fala sério, você não tem vontade de fazer um filme pra TV?” Sim, tenho. E se esse fosse o meu job do dia, ia propor ao cliente que experimentasse o Click-to-Play - um outro serviço do Google, no qual o vídeo só aparece contextualizado ao conteúdo que o consumidor está vendo e em que o anunciante só paga se o vídeo for visto do início ao fim - e não investisse apenas em intervalos da novela, quando eu vou ao banheiro ou pegar alguma coisa na cozinha para comer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-6091284295508838907?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/6091284295508838907/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=6091284295508838907&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/6091284295508838907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/6091284295508838907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/02/uma-nova-publicidade-por-favor.html' title='Uma nova publicidade, por favor. **'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-2150129324036980888</id><published>2007-02-23T23:11:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:42:19.052-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Morria e vivia</title><content type='html'>&lt;em&gt;ou&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O autor pensando na vida.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Vivo, dizia sempre que estava morrendo.&lt;br /&gt;Morria de fome. Morria de dor de cabeça, “essa dor de cabeça está me matando”. Morria de sede. Morria de preguiça. Morria de vontade. Morria de susto, “quase me matou do coração de tanto susto!”. Morria de medo. Morria de frio. Morria de calor, “estou morrendo de calor”. Morria de rir. Morria de tanto esperar. Morria de saudade, “ai, to morrendo de saudade de você”. Morria de ciúmes. Morria de raiva. Morria de cansaço, “ah, tô morto!”. Morria de inveja. Morria diante um pedido, “um dia você ainda me mata”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E um dia caiu mesmo morto. Ataque no coração. E passaram a dizer que vivia.&lt;br /&gt;Vivia rindo. Vivia reclamando, “pobre coitado”. Vivia pelos cantos. Vivia sorrindo. Vivia roubando, “já vai tarde”. Vivia por aí, “antes ele do que eu”. Vivia chorando. Vivia devendo, “eu te encontro no inferno!”. Vivia com outra mulher, “esse daí, viu?”. Vivia sozinho, “morreu?”. Vivia de bar em bar, “ô dó”. Vivia sem rumo. Vivia direito. Vivia doente, “descansou”. Vivia correndo. Vivia estressado. Vivia intensamente, “e tanta gente ruim por aí”. Vivia tão bem, “lá se foi”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-2150129324036980888?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/2150129324036980888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=2150129324036980888&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/2150129324036980888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/2150129324036980888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/02/morria-e-vivia.html' title='Morria e vivia'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-8540884120029589996</id><published>2007-02-23T10:27:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:33:23.391-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias'/><title type='text'>18/02</title><content type='html'>&lt;em&gt;ou&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Lembrando...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Era madrugada de domingo pra segunda. Mais exatamente três horas e seis minutos. Carnaval. Quem não estava no salão do clube, no centro da cidade, estava abraçado a algumas garrafas de cerveja ou um tubo de lança-perfume pelas ruas estreitas de paralelepípedo. No salão, crianças adultas se fantasiam de adultas crianças e brincam o que só se permite brincar nesses dias. Advogados, engenheiros, comerciantes, farmacêuticos, juizes, uma vastidão chamada de doutores e os próprios detentores desse honrado título social. Não estavam lá os feirantes, os pedreiros, as donas de casa, os ajudantes, os carregadores, os moleques que divertem a festa nem os moleques que estragam a festa. Todos esses preferiam as ruas, ou talvez preferissem os bailes, mas como nunca experimentaram desses, diziam que era na rua que se fazia o verdadeiro carnaval. E o mesmo era dito do salão. A banda tocava marchinhas de Carmem, Aurora, Lamartine, Orlando, Chiquinha e de muitas outras vozes da festa. O rei momo, gordo como uma leitoa na véspera de Natal – uns mais etilicamente animados já o imaginavam com uma maçã nos dentes -, agitava quem estava se cansando pelos cantos. A canja estava para ser servida, curando a bebedeira de todos os anfitriões de quem ainda estava chegando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ano era 1985. Na TV, a Mangueira explodia com o samba “&lt;em&gt;É carnaval / O samba faz vibrar a multidão / Lá vem mangueira / Não posso conter a minha emoção / Vamos reviver o rio antigo / Onde chiquinha se fez imortal / Oh! deusa da folia / Rainha do meu carnaval / Eu sou da lira / Não vou negar / O abram alas que eu quero passar / Só não passa a saudade / A saudade que ficou no seu lugar / Liberdade / Oh! falsa realidade / Liberdade / O sonho foi morar n’outra cidade / Desprezou a burguesia / E o requinte dos salões / Abraça a boemia / E deixa na boca do povo / Mais de mil canções&lt;/em&gt;”. A Estação Primeira não foi a campeã daquele ano, mas deu o tom de um passado presente com saliva de gente ao menino que estava para sair do ventre da mãe. As contrações aumentaram e o suor na testa do pai também. A amada futura irmã mais velha, já carinhosamente enciumada, dormia quando o casal saiu em direção ao hospital. Ela no banco da esquerda. Ele enxugando com a direita o suor que agora escorria na testa da mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava fantasiado de Zorro, de capa e espada. E como se estivesse em uma taberna acompanhando o Sargento Garcia em um dia de folga, ficou levemente embriagado. Estava lá desde as dez da noite, entre piratas, fadas, cavaleiros, princesas e super-heróis. E mal sabia que estava prestes a escutar um pedido de socorro e que sairia correndo para atender, como seu personagem na série de TV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos arregalados mal podiam se manter com a respiração agitada que o corpo exigia. A barriga era enorme. A criança já não cabia mais ali dentro. “O doutor já está vindo”, tentavam acalmá-la. E não tão rápido quanto o herói, chegou o Dr. Zorro, já sem capa e espada, mas ainda sim o Zorro. Trocou o chapéu preto que caía nas costas pela máscara cirúrgica que tampava a boca e as narinas. O avental branco com seu nome bordado no peito acabou com toda a fantasia. Dele, não da criança que, depois de anos, mesmo adulto, era fã do Don Diego de La Vega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Fórceps”. “Gaze”. “Engov”.&lt;br /&gt;O médico não disse isso. Mas bem que podia. O parto foi normal, mesmo passada a hora em que este método era o mais indicado. A mulher teve que fazer muita força. O médico teve que fazer muita força. O pai, do lado de fora, também fez muita força. Só o bebê que não. Tinha quatro kilos e trezentos gramas. Se peso é igual à força, era o suficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi assim, puxado, que respirou pela primeira vez nesse mundo. Inspirou o ar puro da cidade pequena, o odor do sangue da mãe, o suor de todos na sala e o cheiro de cachaça do médico. E foi o melhor cheiro que já sentiu em toda a vida. Aroma que passou a perseguir por onde passasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Liberdade! / O sonho foi morar n’outra cidade / Desprezou a burguesia / E o requinte dos salões / Abraça a boemia / E deixa na boca do povo / Mais de mil canções&lt;/em&gt;”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-8540884120029589996?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/8540884120029589996/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=8540884120029589996&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/8540884120029589996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/8540884120029589996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/02/1802.html' title='18/02'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-7403991853887826185</id><published>2007-02-03T20:28:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:42:19.052-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>O jogador</title><content type='html'>&lt;em&gt;ou&lt;br /&gt;sobre as habilidades necessárias para driblar o mundo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você acha que o sexo antes dos jogos atrapalha o rendimento do jogador durante a partida?&lt;br /&gt;- E por acaso eu tô jogando mal? – foi o que respondeu Deninho, indo para o vestiário depois de marcar dois gols só no primeiro tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os repórteres já estavam acostumados a essas respostas do garoto. Ah sim, ele era um garoto ainda. Tinha 19 anos e 22 gols no campeonato nacional. Artilheiro absoluto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revelado na categoria de base, Deninho subiu para o profissional com 17 anos, e com 19 classificou a seleção para as olimpíadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deninho, tem alguma palavra a dizer sobre aquelas fotos na boite uma noite antes do clássico?&lt;br /&gt;- Sim. Meus gols vão para cada uma que tava abraçada comigo naquela foto. – disse, antes de mandar beijinhos para a câmera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasceu marginal. Desde moleque já corria como um atleta de cem metros rasos. E por isso nenhum policial o pegava quando cometia algum delito. Quando foi descoberto por um empresário, sabia com quem estava lidando. “Em casa de malandro vagabundo não vem pedir emprego, não.” Foi o que sua mãe disse quando o empresário se apresentou. Mas Deninho a convenceu a deixá-lo ir pra capital. Ela sabia que com a sua permissão ou não, ele iria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Assina aqui, moleque.&lt;br /&gt;- Mas eu não tenho 14 anos.&lt;br /&gt;- Pois agora você tem.&lt;br /&gt;- Eu vou ter que te dar meu dinheiro?&lt;br /&gt;- Se quiser que eu te leve pra um time grande, sim.&lt;br /&gt;- Mas eu vou ter que te dar isso tudo?&lt;br /&gt;- Até eu morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na peneira, foi insuperável. Nos poucos minutos que ficou em campo, humilhou o time adversário. Antes de sair das quatro linhas, seu empresário já havia assinado o contrato. Em pouco tempo subiu para o time profissional e vestiu a camisa de um boleiro. Comprou correntes e anel, carro e apartamento. Algumas mulheres também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deninho podia tê-las quando quiser. Tinha uma habilidade de atração maior que a que mostrava em campo. Estralava os dedos e as meninas apareciam. Piscava e elas lhe faziam favores. E em troca de um casamento, uma delas assassinou o empresário malandro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deninho tinha o mundo a seus pés. Seu mundo mudou à sua velocidade. Da peneira às categorias de base, daí para o profissional, seleção, olimpíadas. Antes de o campeonato acabar, já havia assinado um contrato milionário com um time europeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas você nem sabe falar espanhol, Deninho – disse um repórter, torcedor, a respeito da transferência precipitada do jogador.&lt;br /&gt;- A sua mãe me ensinou bem. – respondeu carinhosamente o menino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua estréia mais pareceu a visita do Diabo a Terra. Driblou, deu assistências, marcou e foi para a torcida. Foi saudado e invejado. Tomou o lugar, e a camisa, de um outro jovem jogador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a Europa levou a mãe e a mulher. Mas nenhuma das duas ainda fazia parte da sua vida. A mãe era um fardo da consciência. A mulher, traía às suas vistas. Fazia festas, orgias, comprava mais carros, mais casas, assinava contratos publicitários e marcava gols, muitos gols. Não tinha fase ruim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua primeira temporada internacional foi brilhante. Classificou o time para todos os campeonatos, foi o artilheiro, recebeu propostas, triplicou o salário já exorbitante. Ele era o rei do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso dentro de campo. Sua mãe, abandonada, teve uma crise nervosa e ficou louca. Uma tarde, o filho estava treinando, chamou alguns tablóides e começou a contar escândalos já quase em forma de matéria. Contou que ele era usuário de drogas, que era ladrão, bandido, e que havia matado seu empresário para quebrar o contrato. No outro dia os jornais tiveram sua maior vendagem dos últimos dez anos e Deninho internou sua mãe em uma casa de repouso. As acusações se dissolveram, já que a velha estava louca mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ninguém conhece melhor o filho do que a própria mãe, não é? – palavras ditas em uma coletiva de imprensa, daquela ex-promessa, também de vinte e poucos anos, que ficou a sombra de Deninho desde que ele chegou.&lt;br /&gt;- Perfeitamente. A sua me pediu para ter muita paciência com você. – respondeu Deninho à sua maneira.&lt;br /&gt;- Drogado. Como o antidoping nunca te pegou?&lt;br /&gt;- Eu é que vou saber? É você quem sempre segura meu pinto durante os exames.&lt;br /&gt;- Seu filh...&lt;br /&gt;- A entrevista acaba aqui! – ordenou o técnico aos repórteres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se agrediram fisicamente. Pagaram uma multa ao clube e foram obrigados a se desculpar publicamente. O rosto dos dois ficou estampado por muito tempo nas capas dos principais veículos. E a enfermeira responsável pelos exames recortou todas as fotos de Deinho, beijou e colou em seu caderno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É verdade que é ele quem sempre segura? – perguntou a loira que encontrou com ele em uma festa.&lt;br /&gt;- hahaha Jamais deixaria alguém pegar no que é seu. – respondeu e a levou para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O clima em casa era esse. Ele levava novas amantes todos os dias e até as apresentava para a mulher, que escutava da sala os gemidos que deviam ser seus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não dava mais como esconder bem o uso das drogas. Pagou caro por uma cirurgia plástica no nariz. Mas os fãs não queriam enxergar esse Deninho. Jamais perdeu o lugar no time e no coração dos torcedores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que estava perdendo era o controle da única coisa que o ameaçava: uma confissão da mulher. Mas se esta abrisse a boca, ela também ia ser presa. E na cadeia todos os luxos que Deninho nunca deixou de dar. E era aí que ele apostava suas fichas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dinheiro, fama, habilidade, lábia e fôlego. Deninho não era o único a ter esses dotes. E não foi difícil para Raúl, a ex-promessa agora reserva, conquistar a mulher do adversário que vestia a camisa que ele tanto queria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convence-a a contar tudo. Arranjaria-lhe ótimos advogados, que há muito não perdiam uma causa. A mulher tinha nele um apoio que nunca teve em Deninho. E passou para o seu lado, mesmo amando aquele traste. Combinaram tudo para dali a dois dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamou a imprensa, marcou uma coletiva. A ansiedade quase expulsava a confissão da boca da mulher. A sala estava cheia, repórteres do mundo inteiro sabiam sobre o que aquela infeliz queria falar. Poucos minutos antes da hora marcada, choveram-lhe perguntas. Os jornalistas eram animais famintos que estavam prestes a devorar aquele prato tão saboroso. Ela esperava o sinal do seu aliado, enquanto bebia água insistentemente, como se quiser engolir alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deu a hora, Sra! O que tem a nos dizer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher respirou fundo, encarou o jogador como se tivesse esquecido o combinado e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu tenho o melhor marido do mundo. Nunca um homem me tratou com tanto carinho. O quero contar é que esse jogadorzinho que é reserva do meu marido está tramando contra ele. Quis me comprar. Mas eu não sou mulher da vida, não! Amo meu marido! Ele está querendo arruinar a carreiro do Deninho só porque ele é o melhor jogar do mundo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouviu-se um “ohhh” surpreendente. As perguntas passaram ao jogador, os seguranças o tiraram dali, e Deninho dava gargalhadas assistindo aquilo pela TV de um bar. O garçom também riu da cara do ex-promessa e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vê se pode! Que safado! E que mulher o Sr. tem, hein Deninho?&lt;br /&gt;- Hã! O marido que ela tem, isso sim! Não escutou ela dizendo? – respondeu gargalhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deninho tinha o mundo a seus pés. Tinha jóias, fama e fôlego. O mundo não pede mais que isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-7403991853887826185?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/7403991853887826185/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=7403991853887826185&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/7403991853887826185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/7403991853887826185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/02/o-jogador.html' title='O jogador'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-116956855852263862</id><published>2007-01-23T13:03:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:33:23.391-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias'/><title type='text'>O caderno no criado-mudo</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;ou&lt;br /&gt;O autor adiantando um capítulo do livro de quem idolatra.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;br /&gt;Dizem que algumas pessoas sabem quando vão morrer. Pessoalmente, não acredito nessas coisas de previsões cartomantescas, mas talvez seja mesmo verdade a história de que antes de morrer, recebe-se um aviso. Ela recebeu enquanto dormia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordou de um sono intranqüilo. Deixava sempre um caderninho antigo sobre o criado-mudo, sempre prevenida para quando quisessem lhe falar algo. Pegou a caneta, virou a página e começou a escrever. Era uma carta para a sua família. Despedia-se com uma calma que surpreendia até mesmo o pior dos pesadelos. Mas não era um pesadelo, e talvez por isso a tranqüilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava com viagem marcada para o dia seguinte. Encontrariam-se em uma curva fechada, a beira de uma cidade pequena e bordada com um alto precipício à direita. O mato estava cheio, era época de chuva. De longe via-se homens trabalhando no acostamento. O acidente aconteceria quando estivesse dormindo no banco de trás, assim como o motorista com as mãos no volante – tendo as pálpebras fechadas pelo peso que mal sabia que estava levando. Mas a morte é uma senhora justa, e como não era a vez dele, sairia ileso da tragédia. Seria de manhã, à luz do dia. O carro capotaria algumas vezes antes de parar. A mulher seria arremessada para fora do carro, através do pára-brisa. Estava sem cinto de segurança, como combinaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim foi, como o combinado. Por que a mulher não afivelou o cinto? Ou então chamou outro motorista? Ou simplesmente desistiu da viagem? Porque assim tinha que ser. O combinado era esse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na carta não descreveu o acidente. Disse apenas que estava para acontecer. Não avisou ninguém no dia seguinte. Mas pra que avisaria? Deixaria o marido completamente fora si, principalmente quando ele ouvisse que ela já aceitara o acordo com a Sra. de preto. Os filhos é que não seriam avisados. Tinham 9 e 7 anos, a menina e o caçula. Não precisavam receber a notícia da própria mãe. Mal entendiam a morte, como entenderiam que mãe estava indo se encontrar com ela em uma estrada pouco distante dali?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se sabe como a mulher pegou no sono depois de escrever aquela carta. Muito menos como se levantou, se vestiu e tomou o que seria o seu último café. Sabia que não chegaria ao seu destino. Não se viu os seus olhos naquela manhã. Provavelmente só ela se olhou, quando parou de frente ao espelho e pensou-se o que não se faz a mínima idéia. Talvez estivesse recordando o passado, talvez estivesse listando alguns últimos desejos, talvez estivesse sonhando com o futuro dos filhos, saboreando as lembranças dos primeiros beijos do marido. Pode também ter olhado em volta como se o quarto não houvesse espelho, procurando as histórias da infância, as aventuras de sair de casa para fazer faculdade, o noivado e essas coisas que colocam uma marca na linha de toda uma vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partiu. Adormeceu no banco de trás, sem cinto. O motorista cochilou, a curva estava adiante, o precipício ficou a alguns palmos do automóvel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo foi como combinado. A morte rolou o carro abaixo, jogou-a fora pelo vidro da frente, à luz da manhã. Os homens que trabalhavam na obra viram o acidente e vieram socorrer. Talvez nem viessem, se soubessem do que se passou na noite anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu dali em uma pá da escavadeira. Tinha a bacia, o braço direito, a clavícula, o crânio, alguma coisa da coluna e talvez algum outro osso mais quebrados. Estava inconsciente. A morte executará perfeitamente os seus planos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As crianças foram levadas para a casa da avó. Não se sabe também como o pai foi avisado nem quem avisou, mas foi para o hospital da capital assim que soube. Encontrou suas cunhadas lá, na sala de espera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As histórias são muitas. Médicos, parentes, a consciência e a falta dela. Começou naquela cama de hospital uma das lutas mais bravas que já tive conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É errado dizer que a mulher estava sem consciência. Ela tinha sim, estava completamente lúcida em uma dimensão que eu, contador da história, sou incapaz de explicar ou conhecer. Apenas sei que ali, onde estava, a mulher vivia, e intensamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por querer demais a vida, por querer demais os filhos e o marido, questionou os planos da velha senhora. A mulher recebeu dela a notícia de que morreria. O marido recebeu do médico de que sua esposa sobreviveria. O marido ouviu também que a mulher não voltaria a andar &lt;em&gt;– e daí surge uma das imagens mais tristes da minha infância, minha mãe descer do avião de cadeira de rodas -&lt;/em&gt;. A mulher ouviu de si mesmo que voltaria &lt;em&gt;- e daí surge uma das imagens mais felizes da minha infância, minha mãe voltando a andar -&lt;/em&gt;. A mulher ouviu do médico quando deveria tirar o gesso do braço. O marido ouviu da mulher que não agüentava mais usar aquele gesso &lt;em&gt;– imagens como o doutor serrando o gesso e minha mãe pedindo pra gente puxar o freio de mão quando decidiu que iria voltar a dirigir estão gravadas à ferro&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim foi, como o combinado. Por que a mulher não afivelou o cinto? Ou então chamou outro motorista? Ou simplesmente desistiu da viagem? Porque assim tinha que ser. O combinado era esse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-116956855852263862?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/116956855852263862/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=116956855852263862&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/116956855852263862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/116956855852263862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/01/o-caderno-no-criado-mudo.html' title='O caderno no criado-mudo'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-116926453772473379</id><published>2007-01-20T00:41:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:46:42.237-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opiniões soltas'/><title type='text'>Problemas: eu mesmo arranjo, nem sempre eu mesmo resolvo.</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;ou&lt;br /&gt;A teoria dos problemas, um buraco no subsolo do país.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="left"&gt;Ah sim. Antes que você ache que isso é um lema de vida, saiba que não é. Mas se eu fosse um pouco mais cara de pau até que seria. Eu poderia ser, mas só me causaria mais problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Professora, será que dá pra ter aula?” – grande idéia soltar isso para uma professora de geografia que a sala não respeita mais. “Grande idéia, Sr. Vinícius” – viu só?! Parece até que ouviu o que eu estava pensando. “Tirem uma folha e peguem uma caneta. Prova surpresa.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior de arranjar problema são os quinze minutos de fama que você ganha. Mas não uma fama boa, como a do José Mayer, mas a fama de um ex-BBB. Por onde você passa, todos te olham de cima, em um misto de olhar intrigado e humilhante. “É, daqui a pouco tá posando pelado numa revista qualquer aí...”. É, na verdade, quase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem já se envolveu em dois relacionamentos amorosos entende, perfeitamente, o título desse texto, como uma teoria darwinistamente natural. Não é por que você arranjou um baita de um problema que você tenha que resolvê-lo. Ele saiu do seu controle, caso contrário não seria um problema. Aí você chama alguém maior, mãe, irmão mais velho, gangue, policiais e promotores (se você é rico e pode comprar alguém).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão é que se o problema é seu e ultrapassa os limites do seu ser, isto é, começa a atrapalhar alguém ou alguma coisa, não se preocupe. Você não precisa resolvê-lo. Alguém vai ter que resolver antes. E muito provavelmente arranjando outro problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer um exemplo? A tubulação do seu banheiro estragou. O apartamento é alugado, isto é, os custos são do proprietário. Mesmo assim, você tem um problema: arranjar um encanador de confiança, ter alguém para vigiar a obra enquanto você estiver trabalhando, essas coisas. Pois bem, a solução é deixar como está. Isso mesmo. A água vai começar a infiltrar no apartamento de baixo, o que é muito mais grave. E daí por diante pode deixar que o vizinho dá um jeito de fazer o melhor pelo seu banheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer outro? Voltemos ao exemplo de dois namoros simultâneos. Elas querem te encontrar no mesmo horário, em lugares bem próximos. Bem, não dá pra fazer igual em filme, que você finge ir ao banheiro de cinco em cinco minutos. A solução é arranjar um problema. Não precisa enterrar a avó. É coisa simples. Chegue em uma das duas e diga que vocês estão ficando amigos demais e isso não está legal. Pronto. Criou-se um problema pra ela, e você se livrou do seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando morávamos em república, tínhamos um grande problema. Na verdade não era um problema grande, era um problema velho. Vivíamos recebendo reclamações, cartinhas da administradora e indiretas da mulher do velho. Aí um dia o velho morreu. Morreu de velho mesmo, mas a viúva tocou a nossa campainha e disse: “Você mataram o meu marido de barulho!”. Depois nunca mais apareceu, nem ela nem o marido. Problema resolvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma teoria que pode parecer estranha, mas que é cientificamente aplicada na política com resultados comprovados. Por exemplo, de quem é o problema do buraco do metrô? De quem é o problema da poluição dos rios Tietê e Pinheiros? Os problemas sempre estiveram aí, mas aí vem outros problemas, que resolvem outros, que resolvem outros e por aí vai, de quatro em quatro anos.&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-116926453772473379?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/116926453772473379/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=116926453772473379&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/116926453772473379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/116926453772473379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/01/problemas-eu-mesmo-arranjo-nem-sempre.html' title='Problemas: eu mesmo arranjo, nem sempre eu mesmo resolvo.'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-116897992942144696</id><published>2007-01-16T17:36:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:37:48.950-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>“Ah sim, o discurso é muito bonito. Mas dá pra ganhar dinheiro com cultura?”</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;ou&lt;br /&gt;O autor continuando o tema da semana passada.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;p&gt;Foram muitos os ecos. O Valdir Cesário, do Jornal dos Lagos, disse que estava impressionado com o artigo &lt;em&gt;(leiam o texto Manifesto pela Cultura de Alfenas)&lt;/em&gt; e a repercussão ele ganhou: "vários telefonemas querendo saber quem era, o que fazia, e-mails, cartas elogiando a ininiciativa", etc. A Soloni, da Unifenas, alguns amigos e parentes disseram que seria muito bom dar continuidade. Então não tem por que parar. Aí vai o segundo dos que espero serem muitos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;-x-&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;“Ah sim, o discurso é muito bonito. Mas dá pra ganhar dinheiro com cultura?”&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Era assim que terminava a maioria dos elogios que eu recebi dos mais íntimos pelo texto anterior. Quando não terminavam assim, chegavam ao fim sem maiores ecos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois então vou abandonar o tom de protesto de antes e falar sobre uma das áreas que mais cresce no mundo dos negócios: marketing cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Marketing Cultural é qualquer ação mercadológica que usa a cultura como veículo de comunicação. Assim, ele solidifica a imagem institucional e dá visibilidade para a marca.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Existem diversas maneiras de fazer negócio apoiando a cultura. Ao decidir patrocinar um show, por exemplo, a empresa pode associar sua marca ao tipo de música e ao público desse evento, anunciando a sua marca antes do nome do artista. Pode também oferecer ingressos para clientes especiais, o que caracteriza o marketing de relacionamento. Outra possibilidade é enviar uma mala-direta aos clientes informando que o show será patrocinado pela empresa, fazendo marketing direto. Enfim, são diversas maneiras de planejar o patrocínio de um show, que é apenas uma das muitas maneiras de se fazer marketing cultural.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quais as vantagens disso? Quando o consumidor pára e fica olhando a vitrine da sua loja, ele pensa mais ou menos o seguinte: “Será que eu compro aqui ou na loja do lado?” E o que vai fazer a diferença nessa hora é a imagem que a sua loja tem na cabeça dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa necessidade de diferenciação da sua marca diante à concorrência é bem suprida quando o marketing cultural é implementado. Além disso, a empresa se posiciona como socialmente responsável, o que é muito importante em um mundo que se destrói a cada dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Financeiramente, o retorno dos investimentos em projetos culturais pode ser total, dependendo da ação. Mercadologicamente, a imagem institucional da empresa e a aceitação dela pelos clientes são benefícios imensuráveis, e extremamente lucrativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso em um país em que a cultura corresponde a 7% do PIB e que as famílias gastam, em média, 7,9% de seu orçamento com ela, colocando-a na frente dos gastos com educação e higiene pessoal. Mesmo que nesses números estejam incluídas telefonia - fixa, celular e internet -, festas e outras comemorações, é uma taxa relevante e em crescimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo um pouco menos frio, investir em cultura é mudar o cenário brasileiro, no qual as crianças passam em média 4,5 horas na frente da TV e cerca de 3 horas na escola. Não é difícil entender por que a maioria delas ainda é analfabeta na 4a série do primário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs.: para quem se interessou, um site muito bom para saber sobre Marketing Cultura é o &lt;a href="http://www.marketingcultural.com.br/"&gt;http://www.marketingcultural.com.br/&lt;/a&gt;. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-116897992942144696?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/116897992942144696/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=116897992942144696&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/116897992942144696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/116897992942144696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/01/ah-sim-o-discurso-muito-bonito-mas-d.html' title='“Ah sim, o discurso é muito bonito. Mas dá pra ganhar dinheiro com cultura?”'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-116861123029858476</id><published>2007-01-12T11:09:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:49:03.817-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Recomendação de leitura'/><title type='text'>Infinito previsível</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;ou&lt;br /&gt;O que aprendi com Nelson Rodrigues.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="left"&gt;Hoje me despedi de Nelson Rodrigues. Faleceu em 1980, com 68 anos e séculos de vida. Viveu intensamente além de tudo o que escreveu. Suas crônicas, livros e peças eram luxo em uma vida de tantas tragédias, perdas e histórias ainda mais rocambolescas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi nítida a influência dele sobre mim nesses últimos textos. Imerso nesse mundo, escrevi e imaginei diversas histórias. E o que descobri é que aqueles que o rejeitavam eram os que mais o refletiam. Tarado, reacionário, louco, bêbado. Nelson nunca precisou colocar uma gota de álcool na boca para enxergar o que muitos só enxergam encharcados delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevi sobre uma traição que uniu um casamento próximo do fim; uma mulher que, às vésperas da morte, pediu emprestado o namorado bom de cama da irmã; o macho que se viu na situação que mais queria, mas cercado de dois “quase-estupros” acabou tendo o suicídio como saída. Cemitério, doença, traição. Nada distante dos temas rodrigueanos, tampouco de um humano qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E já nas últimas páginas do livro, acostumado a tudo isso, escutei uma das mais rodriguenas histórias que Nelson jamais escreveu. Uma amiga contou-me do enterro de um moço de sua cidade. O jovem foi um dos primeiros a ter um aparelho na cidade. Amava-o. Tanto que com ele foi enterrado depois de falecer com problemas no coração. E no velório as pessoas ligavam para deixar-lhe recados na caixa postal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nelson é isso. É o homem. O que escrevia era apenas o que sempre viu e viveu. Cresceu em um bairro em que as maiores cerimônias eram os enterros, presenciou um corno incondicional espancar sua mulher no meio da rua, até que ela beijou-lhe como nunca havia beijado. Isso é Nelson Rodrigues? Ou você nunca escutou história parecida de uma vizinha fofoqueira?&lt;/p&gt;&lt;p align="left"&gt;O que eu aprendi com Nelson é que o homem é um infinito previsível.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-116861123029858476?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/116861123029858476/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=116861123029858476&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/116861123029858476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/116861123029858476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/01/infinito-previsvel.html' title='Infinito previsível'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-116837798194524240</id><published>2007-01-09T18:24:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:42:19.052-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>A mulher do banco de trás</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;ou&lt;br /&gt;Uma história sem fim.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="left"&gt;Saíram cansados da balada. O relógio marcava um pouco para às quatro da manhã. Paulo e Marcela estavam indo pegar o carro no estacionamento quando cruzaram com Aninha, uma antiga amiga da mulher. Dentre os “Ah! Não acredito!”, “Quanto tempo!” e “Que saudade”, Paulo pensou: “Como está gostosa essa guria!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lembra da Aninha, Paulo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou pela sua cabeça um “como poderia esquecer...”, mas preferiu concordar apenas com um sorriso simpático. Até porque não era verdade. Aninha, quando Paulo e Marcela ainda nem haviam se casado, era uma garota feia e magrela. Nada daquilo que estava vendo hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aninha estava esperando um táxi. Marcela disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Magina! Vem com a gente! O Paulo te deixa em casa. É caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade não era. Mas Marcela fazia questão de agradar a amiga. Haviam estudado juntas na faculdade e se viram poucas vezes desde então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O manobrista entregou a chave para Paulo. Todos haviam bebido um pouco e talvez por isso tanta simpatia no encontro inesperado. Aninha foi para o banco de trás, à vista dos olhos interessados de Paulo. Marcela nem percebera o interesse do marido pela amiga, mas também ficara surpresa com o quanto Aninha melhorou no tempo que não se viram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina morava longe, na periferia da cidade. Fora pra balada com um grupo de amigos que a pegara em casa. Mas ela preferiu voltar de táxi, teria vergonha demais de seus amigos irem duas vezes até a sua casa. Poderiam reparar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No retrovisor, Paulo via suas fantasias acelerarem em torno de Aninha - “Como ficou gostosa a Aninha! Quem diria!” - enquanto Marcela contava para a amiga sobre a felicidade do casamento. Seus escrúpulos passaram pela janela e ele já se imaginava saboreando a mulher do banco de trás. “Se pintar uma chance, essa eu não perdoo” – assumiu. “Deixa eu encontrar um dia com ela, e ela vai ver o que é bom!” – denunciava o macho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez por só ter Aninha em seu retrovisor, Paulo não reparou no homem que se aproximou quando pararam no farol. O grito agudo das duas assustaram tanto quanto a arma que ele apontou para o motorista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem entrou pela porta de trás. Ficou com a arma engatilhada na cabeça do motorista. Disse para todos ficarem calmos, só queria que fossem ao banco e lhe entregassem o dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quando viu a beleza das moças, mudou de idéia. Quando estava próximos do banco, guiou um novo caminho. E ele era deserto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Aí malandro, qual das duas é a tua mulher?” Paulo o encarou pelo retrovisor. Apontou Marcela.&lt;br /&gt;“Tá afim de uma carninha nova?” Paulo havia entendido o recado. “Se tu comer essa daqui na frente da tua mulher, eu não encosto um dedo em nenhuma das duas.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma encruzilhada tanto o lugar onde pararam quanto a situção de Paulo. O lugar era um acostamento que a beira de um despenhadeiro sobre o mar. Não havia saída. A situação era a que se ele negasse as ordens do bandido, sua mulher e a amiga seriam abusadas na sua frente. Se ele as acatasse, salvaria as duas - em termos, porque Aninha sofreria em qualquer uma das escolhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era a chance que ele pedira? Não exatamente, mas ela estava ali. E o que importa é que ele sabia disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bateu as mãos nos bolsos como se houvesse perdido uma chave. Olhou para os peitos da mulher, procurando o instinto de poucos minutos atrás. Só faltou-lhe dizer: “Devo ter deixado cair no carro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não disse. Apenas teve uma certeza: “Que merda de bicho é o homem?”, e pulou de cabeça nas pedras do mar.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-116837798194524240?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/116837798194524240/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=116837798194524240&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/116837798194524240'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/116837798194524240'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/01/mulher-do-banco-de-trs.html' title='A mulher do banco de trás'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-116837786539973107</id><published>2007-01-09T18:23:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:48:06.388-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Um conto de fadas, bruxas e outros sapiens</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;ou&lt;br /&gt;A opinião do autor a respeito do enforcamento.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;em&gt;Obs.: A história a seguir não precisa ter a época registrada.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma vez um ditador e seu país. Na verdade, o país já existia antes do ditador, mas só passou a ser existir para o mundo depois dele. Isso porque ele era uma ameaça para um outro grande país – que iremos chamar a partir de então de “Potência” -  que se achava dono do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ditador maltratava seu povo, era um animal sem alma, que usava a guilhotina para calar gargantas que tinham uma opinião contrária à dele. Não menos irracional foi quando decidiu dominar um pequeno pedaço de terra cheio de uma substância cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que era importante então não eram seus métodos de agir, mas sim que esse também era o objetivo que a “Potência” também tirou quando viu sua carta de War, um jogo ancestral ocidental (para os mais detalhistas, as cartas diziam: “Dominar todos os países ricos de petróleo e mais cinco subdesenvolvidos a sua escolha”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí em diante, muita coisa aconteceu. Mas nada que deixou de ser transimitido ao vivo por meios da época. Ao vivo só os fatos, claro, porque aquelas luzes capturadas com o que a potência chamava orgulhosamente de “visão noturna”, devia matar muita gente naquelas terras distantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de muitos anos, em números negativos, tudo parecia ter um fim. A “Potência” ignourou o que foi decidido na reunião da nações unidas e foi buscar o ditador no seu próprio país, alegando um final feliz para todo o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí lá regredimos completamente à barbárie. Matou-se, alejou-se, deixou-se órfãos, trucidou-se completamente a razão. Menos a razão principal, aquela substância cara já citada. Gravando tudo, é claro, em um aparelhinho que levavam no bolso. Isto é, para nunca ficamos distantes da nossa condição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Condição que escondemos num buraco da consciência, de onde saiu o ditador caçado, como um cachorro cheio de peste que sempre foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se em alguma parte desse texto a época se fez necessária, é agora. Simultaneamente, enquanto assistimos pela Internet o enforcamento ao que o ditador foi condenado, é o homem que está com o pescoço entre as cordas e é ele mesmo que abre o alçapão.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-116837786539973107?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/116837786539973107/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=116837786539973107&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/116837786539973107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/116837786539973107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/01/um-conto-de-fadas-bruxas-e-outros.html' title='Um conto de fadas, bruxas e outros sapiens'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-116822201962171967</id><published>2007-01-07T23:05:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:42:19.053-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Deixe que julguem*</title><content type='html'>&lt;strong&gt;A sentença&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eram os últimos meses de sua vida. E ela estava consciente até demais disso. Começou a apreciar a morte, em troca de dar um sossego para a sua família. Estava com quarenta e dois anos. E sua doença a levara subitamente para os oitenta e poucos. Não só ela, mas toda a família. Sua mãe, já acostumada às tinturas de cabelo, nunca se viu tão dependente delas. Mas os cabelos brancos não eram um privilégio só seu. Até as espinhas de Nanda, com seus dezoito anos de puros hormônios, tinham que lutar para dividir a testa da menina com os alvos fios que invadiram sua franja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos tempos que passava em repouso, Maria Clara pensava na vida. Lutara para conseguir entrar em uma faculdade. E fora ainda mais brava para conseguir sair dela. A mensalidade era cara, e Maria Clara ralava noite adentro para conseguir pagá-la. Enfim se tornou uma advogada, mas teve que colocar muita gente na cadeia para alcançar a qualidade de vida de hoje. Fora uma brilhante aluna, tirou a prova da OAB num estalo, mas o estalo da pobreza da sua família ainda estava em seus ouvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo da carreira, prostitui-se profissionalmente. Um de seus professores, corrupto como um cão adestrado, foi o primeiro a dar-lhe emprego. Sabia da inteligência da menina e também da sua condição. Ofereceu um dinheiro irrecusável para ser ela os seus olhos e sua boca no tribunal. Só não assinaria o seu nome. Esse já estava sujo demais na área criminalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os indícios&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando soube da doença, Maria Clara teve a certeza de que fora vítima das pragas daquelas que primeiro eram vítimas da sua falta de escrúpulos. Em troca de dar a sua mãe e irmãos uma vida que nunca tiveram, a jovem advogada aproveitou-se da tarja que cobria os olhos da Justiça. Muitos que juravam a sua morte depois de uma sentença, não saíram vivos do encarceramento. E com certeza, na certeza de Maria Clara, eram eles que a estava prendendo naquela cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justa ou não, Maria Clara mudou a vida da família. A matriarca não mais precisou trabalhar como faxineira; Mateus, o irmão do meio, escolheu a carreira jornalística; e Nanda estava preste a entrar na faculdade de Direito. Tudo às custas de Maria Clara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mateus era homem formado, já noivo e com vida feita. Eternamente grato à irmã mais velha, ia visitá-la todos os dias. Trazia sempre um agrado, flores ou chocolates. Por fim, apenas flores. O chocolate foi cortado da dieta da enferma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nanda era nova e sonhadora. Estudante dedicada, tinha claramente traçado seus caminhos. Não se sabe se os traços eram seus ou da irmã, mas eles eram fortes. Saiu do terceiro ano já admitida na faculdade. Seria uma “moça direita” – dizia Maria Clara, sem se importar com o trocadilho, como se quisesse injetar na menina a ética que não tivera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nanda também ia visitá-la freqüentemente. Assim como o irmão, levava sempre um agrado, um livro ou um CD novo. Mas naquele dia, Maria Clara se encantara profundamente pelo que Nanda levou até seu quarto. O nome do agrado era João Vitor, o novo namorado na menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Testemunha&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Maria Clara nunca tivera tempo para os homens. Gostava de alguns, se interessava por outros, mas nada tão arrebatador como a paixão que estava ali, parada na sua frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apaixonada também estava Nanda. Nas suas visitas, confessava o seu amor por João Vitor e não escondia detalhes. Contava os amassos que tinha com o namorado para a irmã, que escutava atenta enquanto tentava varrer as fantasias para debaixo da cama. O namorado era mais velho e bem de vida, reconhecidamente um “tiozão”. E, é claro, como confessou Nanda, fora ele que lhe desvirginou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Clara estava fraca, mas não menos lúcida. Ela conhecia bem os homens. Enfrentou-os frente a frente nos tribunais. Sabia distinguir um cordeiro de um tigre. E o namorado de sua irmã era um dos mais famintos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Réu&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A doença avançava rapidamente. Um domingo, depois que o padre passou para ouvir-lhes as confissões, teve uma piora brusca. Todos imaginaram ver a foice do lado de fora da janela. O padre voltou para a extrema unção. A família estava reunida com os vizinhos. Maria Clara pediu para que todos se retirassem, com exceção de Nanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina arregalou os olhos quando escutou o último pedido da irmã. Quis gritar, xingar-lhe de puta. Como poderia estar lhe fazendo aquele pedido. Era uma ordinária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não era uma ordinária qualquer. Era a irmã que fora para ela uma segunda mãe. Era a sua amiga, a Maria Clara, para quem devia todos os favores do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ligou para João Vitor. O homem chegou assustado. E mais assustado ainda ficou quando, obedecendo às ordens, passou direto pela mãe e o irmão e entrou no quarto.&lt;br /&gt;Escutou as palavras que a namorada lhe disse ao pé do ouvido. Nanda saiu e se juntou à mãe e ao irmão, enquanto aquele pedido era atendido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do lado de fora, todos ouviram os últimos gemidos de Maria Clara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-x-&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*ou&lt;br /&gt;O autor ainda completamente influenciado.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-116822201962171967?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/116822201962171967/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=116822201962171967&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/116822201962171967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/116822201962171967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/01/deixe-que-julguem.html' title='Deixe que julguem*'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-116776484031225379</id><published>2007-01-02T16:04:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:37:38.464-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Manifesto pela cultura de Alfenas</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;ou&lt;br /&gt;Quando o autor pede para que você, Alfenense, espalhe essa mensagem pela cidade.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;ou&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Usando o Conversas Empolgadas para divulgar.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Dia 26 de dezembro de 2006. Estação Alfenas. Noite de lançamento.&lt;br /&gt;Escrito por Maria Dolores, conterrânea do cantor, o livro &lt;em&gt;Travessia, a vida de Milton Nascimento&lt;/em&gt;, foi lançado em Alfenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A autora, muito jovem, iniciou o projeto ainda na faculdade, quando procurava um tema para seu TCC. Como todo bom mineiro, era muito fácil conversar com os entrevistados, inclusive com o Milton. Aí ela resolveu transformar o projeto em uma biografia. Para isso, acompanhou MINAS (o nome de um de seus discos - MIlton NAScimento) por quatro anos e meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tão importante como registrar a vida dele, é registrar o projeto Estação Alfenas, iniciativa do Rogerinho, do Jota Quest, e seus irmãos. Eles compraram uma casa na Arthur Bernandes para servir como um espaço cultural, que Alfenas tanto precisa. Seus pais tomam conta e administram. Todo projeto e artes de qualquer pessoa pode ser exposto ali, sem nenhum custo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No evento ouvi as conversas da meninas da Livraria Nobel, do meu pai e do seu amigo Neto, discutindo como Alfenas se tornou uma cidade de “espetinhos e cerveja”, sem nenhum programa cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em casa, fiquei pensando em como poderia tentar mudar isso. Escrevi um e-mail e mandei para várias pessoas, para que essas mandassem para outras, criando um barulho e procurando incentivar todo mundo para essa “nossa causa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou no Jornal dos Lagos e vai ser publicado provavelmente no próximo sábado. Tomara que dê certo e conquiste novos incentivos para as nossas artes. Abaixo, o e-mail.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_______________________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Assunto:&lt;/em&gt; Para quem ama Alfenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Alfenense , qual foi a última vez que você foi a um evento cultural na sua cidade?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;500 a.C. até 300 a.C. &lt;strong&gt;Atenas, Grécia.&lt;/strong&gt; A principal cidade grega durante a "Idade do Ouro". Era o principal centro cultural e intelectual do Ocidente. As idéias e práticas da antiga Atenas deram origem à "civilização ocidental". Próspera e grandiosa, suas escolas de filosofia foram fechadas em 529, com a conversão do Império Bizantino ao cristianismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2007. &lt;strong&gt;Alfenas, sul de Minas Gerais&lt;/strong&gt;. A cidade começa o ano sem se quer uma sala de cinema em funcionamento. E se não fossem os esforços da Nobel Alfenas, na rua Cel. Laurindo Ribeiro, não teríamos também uma boa livraria. Os antigos se recordam saudosos do Cine Alfenas e de seu teatro, onde hoje é a Drogasil. É uma pena que lá não se vende remédio para curar uma cultura estagnada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casa do Artesão, Mostra Alfenas, Música na Praça, Eliminatórias do festival da Canção de Boa Esperança, Conservatório de Música, pequenos festivais de teatro. &lt;strong&gt;Eu quero mais&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero ver nomes conhecidos em nossos palcos (que palcos? Pode ser naquele, mal estruturado, do Teatro Municipal), quero assistir peças famosas, ser valorizado como platéia. Não desmerecendo o árduo trabalho que os grupos de teatro amador tem para se manter aqui. Mas o que eu quero e tenho certeza que eles também é inspiração, é referência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso no teatro, na música, nas artes. Nessas, que já nem à sétima delas temos acesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho orgulho de nossa cultura, das nossas festas da batata e do milho, das festas da São José e Dores, do Cambeta, da Consciência Negra, das Congadas e Festas de Nossa Senhora Aparecida e diversas outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas temos mais de 14 mil estudantes universitários na cidade, dividos entre a UNIFENAS e a UNIFAL e somos um pólo de cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agricultura e pecuária. Somos forte nisso. Alimentamos o corpo, mas não a mente. Nosso Distrito Industrial é um dos maiores do Sul de Minas, nosso comércio é diversificado, mas insistimos em apoiar, por exemplo, apenas eventos reconhecidos, como o Carnalfenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas reconhecida eu quero que seja Alfenas. Reconhecida como a Atenas sul-mineira, como um dia já foi. Estamos localizados a aproximadamente 350km de São Paulo, 250 de Ribeirão Preto e Campinas, a quase 400 de Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Grandes centros culturais estão aqui do nosso lado, mas parece que Alfenas não quer abraçá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos cobrar da prefeitura e do governo. Mas não só deles. Vamos acordar as indústrias e as empresas, os pequenos, médios e grandes comerciantes. Vamos avançar, buscar apoio para projetos como a Estação Alfenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós temos cultura plantada em nós. Basta regá-la, para termos mais nomes como Waldir de Luna Carneiro e Rogerinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos Alfenas! Faça esse e-mail chegar nas mãos de quem pode fazer alguma coisa pela nossa cultura. E se chegou na sua, é porque você também pode. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-116776484031225379?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/116776484031225379/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=116776484031225379&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/116776484031225379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/116776484031225379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/01/manifesto-pela-cultura-de-alfenas.html' title='Manifesto pela cultura de Alfenas'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-116776025006974771</id><published>2007-01-02T14:47:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:41:10.720-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Deixaram a clínica de mãos dadas...*</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A doença&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixaram a clínica de mãos dadas. A mãe, com as sobrancelhas em quarenta e cinco graus com vértice sobre o nariz, ia com passos rápidos e duros, puxando a família. Todos sabiam da gravidade do que acabaram de ouvir. O pai carregava lágrimas tão pesadas que a bolsa dos olhos formavam uma grande “W” em seu rosto. A filha, abraçada à mãe, estava chorosa e assustada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte começaram o tratamento. No plural, porque a vida de toda a família se guiava pela debilidade da mãe. A tristeza não tinha remédio, e as mãos nervosas tampando os olhos era apenas mais um dos efeitos colaterais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela deixou de trabalhar. Os serviços de casa ficaram cansativos. Mesmo assim, nunca parou de fazer alguma coisa aqui e ali. As tarefas domésticas se tornaram uma maneira de lutar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;A renda da mãe fazia falta. O pai dobrou seu turno. Precisava pagar todos os tratamentos - o plano de saúde não cobria. Saia cedo de casa, antes do sol sair da sua, e voltava quando na TV já passavam os filmes proibidos nos horários nobres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como o turno, dobrou também seu amor. Jamais estiveram tão perto um do outro. As tragédias aproximam as pessoas. Ele, deveras, nunca deixou de ser um exemplar marido. Carinhoso, atencioso, fiel e ótimo pai. Nesses 18 anos de casado, foi o melhor marido do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava mais próximo também de sua filha. Nos poucos momentos de descanso da mãe, conversavam sobre o que a vida lhes tinha preparado. A filha admirava sua experiência e calma. Nesses momentos a dois, ela sempre chorava. E ele sempre lhe oferecia convincentes e confortantes palavras de consolo. Ali, em meio à dor, ela encontrou um ídolo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A farmácia&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Há sete meses conviviam com a doença. A vida já se normalizara. A rotina era corrida, sem luxos. Mas tinham vida. A filha retomou firme os estudos. Tornou-se a melhor aluna do curso - não à toa: ela acompanhava diariamente as visitas dos médicos ao quarto de sua mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa dessas, o doutor pediu para que comprasse um comprimido que tinha acabado, devido a uma crise que exijiu uma dose maior do medicamento. Pegou o dinheiro, vestiu uma roupa e saiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde a descoberta da doença, compravam remédios nessa farmácia. Era a do bairro, conhecida da família e compadecida com a situação. A dona sempre perguntava como andava a mãe. Quando ouvia a resposta, qualquer que fosse, independente se melhorara ou piorara, ela soltava uma expressão religiosa e beijava o seu escapulário. Não era raro escutar um “Deus me livre” que lhe escapava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalhava lá também uma farmaceutica nova, de pele morena e olhos grandes e vivos, que vira e mexe ia à casa da adoentada levar algum remédio, aplicar injeções ou medir a pressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi ela quem a filha viu aos amassos com o seu pai. Estavam na esquina, atrás de uma casa velha, como dois colegiais apaixonados de 15 anos .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O remédio&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Com uma frieza que só ali lhe foi apresentada, entregou o remédio ao médico. Entregou e foi tomar um banho. Tentou jogar aquela imagem pelo ralo. Estava irada. Como podia? Era o seu pai. A sua mãe estava gravemente enferma. Era impossível. Ela imaginou – e torceu – para ter visto mal. Desveria ser outra pessoa. Mas não era. Tinha certeza. Era o seu pai. E era ela a traída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava ao lado da cama da mãe, acariciando a sua mão, quando escutou o barulho da fechadura. O pai entrou, viu a mãe dormindo, olhou para a filha, sorriu e piscou. Aquele sorriso, aquela piscadela, aquele amor, era tudo insuportavelmente sincero.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Chamou a filha para a sala e contou que havia sido promovido no trabalho. Passaria a ganhar bem mais e poderiam quitar as dívidas com o tratamento. Falava enquanto ela esperava ouvir outra história. Mas não ouviu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, chegou com flores para a esposa. A filha viu aquilo com raiva. Para ela, entregou uma rosa, que quase morreu com o olhar que recebeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quem surpreendentemente escapava da morte era a mãe. Diariamente agradecia a família. Para a filha, falava de como era importante o amor que recebia do pai. Contava de como se conheceram e de como aquele amor lhe sustentava, lhe dava forças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As vizinhas não perdiam um capítulo do padecimento da mãe. Nem da traição do pai. De uma delas, a filha escutou um “Coitada, recebendo chifre nas últimas”. Ouviu que ele estava há “uns dois meses com a farmaceuticazinha”. Coincidência ou não, foi o período em que sua mãe mais melhorou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A cura&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O enterro aconteceu no cemitério central da cidade. Estava lotado. Alguns parentes vieram de longe, outros mandaram coroas de flores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jogada a última pá de terra, todos foram embora. Caminhando pelos jardins, iam o pai, incosolado, e a filha, com as lágrimas congeladas com a frieza que adquiriu desde o dia que descobriu a traição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No portão do cemitério, olharam mais uma vez para trás. Tinham a certeza de que o grande amor da vida e a mãe não voltaria mais. A filha encarou o pai. Disparou um choro incontrolável no colo do seu maior ídolo e ele lhe ofereceu convincentes e confortantes palavras de consolo. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;- x -&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;*&lt;em&gt;ou&lt;br /&gt;o autor completamente envolvido com os temas de mais um protagonista de uma biografia que está lendo.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-116776025006974771?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/116776025006974771/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=116776025006974771&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/116776025006974771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/116776025006974771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2007/01/deixaram-clnica-de-mos-dadas.html' title='Deixaram a clínica de mãos dadas...*'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-116604135130874422</id><published>2006-12-13T17:21:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:32:21.435-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias'/><title type='text'>Descomposturas</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;ou&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;As vezes em que o autor perdeu o controle e quis estrelar um filme do Tarantino.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário do que ensinam os periódicos holywoodianos, infâncias fora do Brooklin também são violentas. Tudo bem, não cruzei com o Samuel L. Jackson de regata branca nem esbarrei no Bruce Willis com uma arma na cintura, mas não foi por isso que a minha infância não foi marcada com gotas de sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá bom, estou exagerando. Foram poucos os episódios em que o sangue saiu dos corpos dos envolvidos. O que mais saiu mesmo foram xingamentos, catarros e outras coisas que só saem da boca de crianças mal criadas. Dentes, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei, eu sei... exagerei de novo. Vamos então aos fatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na vida, várias vezes senti vontade de socar alguém. A civilização nos ensina a contê-la. Os meninos mais velhos não. Vi muitas brigas no colégio. Mas jamais esqueceria aquela, a maior de todas, a que deveria ser no Caesar’s Palace, em Las Vegas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe aqueles meninos que crescem primeiro que todos da sua idade, são monossilábicos e metem medo, mas muito medo mesmo? Esses eram o Brunão e o Gian. Pesos apesados. Eles se peitaram no pátio velho e começaram a descer a rampa se apoiando em socos e pontapés. Todos os meninos, que não passavam das suas cinturas, se amontuaram em torno dos gigantes, pulando e comemorando como se estivessem assistindo ao Telecat.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma pena sermos tão novos ali, pois nosso dinheiro para o lanche não pagava as altas apostas. Era a luta que nós sempre quisemos ver. Mas a rampa uma hora ia ter fim. Assim como o Gian, que perdeu e eu o perdi da minha memória. Ao contrário do vencedor, de quem, tempos depois, nas quadras, me tornei grande amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que sempre fui um frouxo. Brigar não era comigo. Sempre preservei bem meu queixo. Certo dia até me livrei magistralmente de uma advertência da Tia Celina, coordenadora do Ensino Fundamental do Colégio. A Mariana e a Bianca, da minha sala, foram me dedurar para ela, reclamando que eu colocava apelidos nelas. E o pior, os malvados nomes pegavam – viu só? Eu sempre usei armas mais interessantes que os punhos. Pois bem, a Tia Celina me convocou para a sua sala. Meu fiel escudeiro foi comigo, o Jeferson. A sala tinha um estranho tom verde-musgo. Ela nos perguntou se conhecíamos os tais apelidos. Reconhecemos que sim. E também demos fortes argumentos de comprovação. Resultado: as duas foram chamadas a sala, nós fomos despensados com uma piscadela e um “Não quero mais ver vocês aqui, hein?” e elas assinaram a advertência que nos endereçaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maldade nasce com as pessoas. Só que ninguém corta o seu cordão umbilical. Ela continua lá, reprimidas em prol da boa convivência. Lembro de quando briguei com meu vizinho Leandro, achava que ele tinha roubado os pininhos do pneu da minha bicicleta. Nascia assim minha primeira vingança. Mas eu ainda não era mal, por isso peguei os pininhos do Del Rey do pai dele e tampei o bico com um pedaço de jornal para o pneu não esvaziar. Não sei se adiantou, mas esvaziou minha consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que esvaziou também foi minha lancheira. Minha primeira briga foi assim: o Julien insistia em pegar minha lancheira e sair correndo no recreio. Só que um dia ele comeu. Não teve jeito. Acertei-lhe um cruzado certeiro no nariz, que o fez sangrar e que me chorar, porque o Marcelo, primo do Julien, me ameaçou a sangue-frio com um “Vou contar pra Tia Celina”, e nesse caso eu ainda era pequeno demais pra ter argumentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí pra frente, foi natural. Algumas discussões aqui, um palavrão ali, uma maldade aqui, uma tachinha ali. Nada de anormal. Até que a gente começa a crescer e entrar para algum time.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a treinar futebol no Alfenense. Era uma escolinha precária, a toa, sem nenhum grande intuito, a não ser integrar os moleques. E integrou. Saímos de uma cidadezinha próxima agachados dentro do ônibus, com as cortinas fechadas, para segurar os cacos de vidro e as pedras que estavam vindo do lado de fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no basquete, nosso técnico nos ensinava como agir nessas situações. Dedos no olho, dedo do meio no meio do... , e várias outras técnicas. A escolhida por mim foi a de levantar os braços, fingindo se preparar para marcar, e tacar o punho no nariz do adversário. O cara não parava de dar cotovelada. Aliás esse jogo foi um teste com o qual o dono do banco deve ter ficado orgulhoso: um pivô do outro time machucou o joelho, o outro cortou o supercílio e o que eu cuidei teve o nariz congestionado por algum tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última, merecidamente guardada para o fim, irá mudar a sua confiança em quem vos escreve. Colégio da irmãs de Alfenas contra o colégio das irmãs de São Paulo. Vendo assim era mais provável os irmãos se perdoarem que se faiscarem. Mas tinha todo um contexto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um mês antes do fatídico jogo do meu auto-controle, os paulistanos foram até Alfenas e perderam todas as partidas de todas as modalidades. Foram humilhados. E pediram revanche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com muito suor e alguns gols, consegui a convocação para a seleção do colégio. Lá estava eu, naquela viagem que merece um outro post só pra ela. Eles armaram um esquema para alcançaram a vingança: todos os juízes do campeonato eram alunos, ex-alunos ou pais de alunos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma confusão. Cada jogo era uma briga. As orelhas das mães dos árbitros, algumas até presentes no ginásio, ardiam. E todos aguardavam o último jogo do daquele campeonato do fim de semana: o futebol masculino do ensino médio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entramos em quadra sob fortes vaias. Estava lotado. O jogo começou duro. Muita raça, pontapés e encaradas. O primeiro tempo terminou dois minutos antes do tempo regulamentar. A tensão estava lá, uniformizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No segundo tempo, um deles fez uma falta incrível em um de nossos melhores jogadores, o Evandro. O juiz o expulsou. Expulsou ele, o nosso. O tempo fechou, os portões da quadra também. Ninguém entrou nem saiu, nem mesmo o jogador expulso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns lances depois, nosso fixo deu um carrinho para tirar uma bola. O juiz apitou falta e mostrou cartão amarelo, pois “não pode dar carrinho no futebol de salão”. Menos de um minuto depois, um adversário entrou violentamente de carrinho em um dos nossos e o juiz continuou o jogo normalmente. Eu é que não continuei em mim, normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parti pra cima do juiz. Não só eu. A torcida toda. Mas só eu cuspi na cara dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me tiraram de perto daquele ladrão e me encostaram em um alambrado. Nem bem parei ali e senti alguém me chamando. Antes mesmo de me assustar com as veias estufadas nos olhos dos meus interlocutores, senti um empurrão e ouvi: “Foi você que cuspiu no meu pai, palhaço?”. Ali mesmo eu já me entreguei. Nem armei os punhos. Virei o rosto para amortecer o soco que eu ia levar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu já me via com um pedaço de carne crua no olho, meu grande amigo Tiago, que desde então não cresceu um centímetro dos seus 1 metro e sessenta e oito de altura, apareceu de baixo e grudou as golas da camisa no pescoço dos meus inimigos. Quando recuperava minha audição, escutei um “Que que vocês querem bater no meu amigo, porra?!”. E aí o tempo fechou de novo e até o Daniel, goleiro do nosso time, entrou no meio. Mas em estado grave ficou mesmo minha cabeça, inconformada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi minha última briga. Não que depois disso nunca mais tenha brigado com ninguém. Acontece que brigas de adultos são sérias. Perdem a graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ps.: Os nomes presentes nesse texto foram alterados, para evitar brigas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-116604135130874422?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/116604135130874422/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=116604135130874422&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/116604135130874422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/116604135130874422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2006/12/descomposturas.html' title='Descomposturas'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-116551167308668434</id><published>2006-12-07T14:08:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:32:21.435-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias'/><title type='text'>A maior partida de futebol da minha vida</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;ou&lt;br /&gt;O dia em que o autor viu entrar em campo uma cidade inteira&lt;br /&gt;e de tanto emoção invadiu os gramados também.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="left"&gt;Ah sim... O melhor jogo de futebol que eu já vi... Não foi do Corinthians, não foi da seleção. Não foi na Copa, nem teve grandes artilheiros. O melhor jogo de futebol que eu já vi foi ali mesmo, no Estádio Francisco Leite Vilela, o campo do América, na avenida principal, lá na avenida, em Alfenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Final da série B (que na verdade é C). O jogo valia a classificação para a série A, módulo 2, do campeonato mineiro. O adversário era o rico time da Tombense, que chegou em um ônibus de dois andares, com ar condicionado e TV, e se hospedeu no Hotel Plaza, um hotel vermelho e chique. Os jogadores desceram vestindo um agasalho, de calça e casaco bordados com o escudo da equipe. A equipe técnica tinha massagista, médico, fisioterapeuta e tudo mais. Mal sabiam eles que o nosso médico é até hoje um ginecologista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diziam que os altos investimentos no time de Tombos provinham da lavagem de dinheiro de jóias contrabandeadas. Diziam. Eu preferi acreditar nisso, para acrescentar àquela final um clima de último capítulo de novela: o “mal”, rico e criminoso, versus o “bem”, pobre e honesto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos cedo ao campo. Eu e meu pai fomos a pé, concentrando para o jogo enquanto íamos descascando mixirica e vendo qual de suas cascas cortava o ar por mais tempo. Meus tios foram de carro, ouvindo a rádio. Chegando ao campo, compramos o ingresso (uns R$ 3,00) e entramos. Logo comprei minhas doses semanais de picolés, que eram alternadas pelos sabores limão e groselha. Isso me custava vinte e cinco centavos cada. De vez em quando comprava pipoca. E também amendoim, daquele senhor gordinho e baixinho, de óculos grandes e grossos, sempre de calça de linho marron e camisa fina listrada. Ele vinha, com a sua cesta de palha apoiada no antebraço, gritando: “óuamnduindossalgadu”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentamos na aquibancada coberta, próximo à cabine de transmissão. Na do outro lado do campo, o Nenzico e aqueles que, durante o jogo, seguiam a sombra do poste para se esconder do sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O campo encheu. Mais do que a capacidade descrita no muro atrás do gol, que, aliás, nunca é a mesma. Ali ficava a torcida organizada do Verdão. Aquela que atazanava a vida das mães dos juízes e bandeirinhas que iam verificar se as redes do alvo estavam firmes. No outro gol, não havia esse problema. Não havia arquibancada atrás. Era um terreno baldio que, mais à frente você verá, se tornou um de nossos principais jogadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entra a Tombense e sua imponência em campo. Não cumprimentam ninguém. Apenas se viram para a meia dúzia de torcedores que estavam presentes, mas que realmente não lembro onde. Além de tudo, o empate era deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, aquele homem que só conheço por isso passa correndo atrás do gol, agachado. Ele acendia o pavio dos fogos. Era o sinal de que o Nense vinha aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gritos. Muitos gritos. A torcida mostrou para que veio. Os fogos não. Alguns cairam em campo, como sempre, quase já contundindo um de nossos heróis. O time entrou, com seu manto verde e branco. Via-se a tensão em suas feições. Era o jogo deles. Era o nosso jogo. Alfenas naquele momento dependia daqueles homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jogo começou nervoso. O time da Tombense era bom. E rico. E mau. Um atacante entrou forte em um de nossos zagueiros, o Russo. Pelo som do apelido imagina-se a a simpatia que ele tinha. Alguns lances depois, o Russo pediu a bola. Quando o tal atacante se aproximou, ele adiantou a bola, como se pedisse para que o outro lhe roubasse a pelota. E ele o fez. Coitado. Tomou um carrinho criminoso. A torcida chiou. O juiz afinou, afinal ele estava na nossa casa. E naquele dia ela era um caldeirão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma falta em favor do Alfenense. Nós tinhos o Ronaldinho, camisa 10. Ele estava de frente para a massa alvi-verde. Todos sabiam que dali era quase gol. E foi. Alfenense 1, Tombense 0. A torcida gritou, gritou e gritou. E ainda estava gritando quando eles empataram. Droga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nosso time era raçudo. No ataque tínhamos um camisa 9, careca e gordinho. O que o diferenciava do outro camisa 9, careca e gordinho era a conta no banco e o fato do outro não conseguir dar cambalhota quando fazia gol. O nosso conseguia. E deu. 2x1. A torcida ficou louca. Dessa vez não passava. A gente ia se classificar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aí aquele time de vermelho mais uma vez empatou, e antes do intervalo. Não dava mais. O Alfenense não era time pra fazer mais de dois gols em um jogo só. O pessimismo mostrou que também pagou o ingresso e sentou do nosso lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Intervalo. Pela primeira vez durante o campeonato não comi mais pipoca, amendoim e picolé. Eu estava tenso. Não só eu. Alfenas estava nublada. E o Alfenense também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo tempo começou com os visitantes mandando no jogo. Só que eles não queriam atacar. Ficaram enrolando, fazendo cera, tocando de lá pra cá, manipulando, mostrando suas faces de um verdadeiro vilão. O tempo passava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trinta e cinco minutos do segundo tempo. Pouco a frente do meio do campo, falta para o Alfenense. Era longe demais para o Ronaldinho bater. Ele teria que cruzar. Foi todo mundo pra área. Empurra-empurra, socos, pontapés (dos dois lados, porque eles são maus, mas nós não somos bobos), o juiz impede a cobrança, vai até a área, distribui cartões amarelos, xinga, os jogadores se acusam, o bandeirinha aponta, todos gesticulam, metada da torcida vaia, a outra reza, o juiz apita, Ronaldinho bate com a canhota, a bola sobe, tem a direção da área, começa a descer, confusão, bate-rebate, todo mundo corre, nervoso, a bola pinga, vai sair pela linha de fundo, alguém cabecei de volta pra confusão e Cambola põe nas redes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É gol. É gol. Festa. Abraços. Garganta explodindo. Era a nossa classificação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era, o bandeirinha levantou a bandeira. Sabe a hora do “bola pinga, vai sair pela linha de fundo, alguém cabecei de volta pra confusão”? Pois é, saiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confusão, quebra-quebra, mãe do juiz, revoltas, havaianas no campo, mãe do bandeirinha, copos, pilhas, radinhos e saquinho de pipoca. O jogo estava paralizado. Olhei no relógio e isso já durava dez minutos quando o juiz recomeçou o jogo, já aos 45 minutos do segundo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns torcedores não resistiram. Começaram a sair. Preferiram a desistência à ver seu Nense perder mais uma vez. Outros resistiram, bravos. Um desses foi o árbitro, que aplicou os exatos dez minutos perdidos na confusão. E no penúltimo desse, suado, esperançado, fatigado, suspirado, legítimo, num lançamento desacreditado do Marquinhos, Cóia, camisa 11, pegou de primeira e marcou para o Alfenense. Cóia, camisa 11, marcou para o Alfenense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora sim, a classificação era nossa. Finalmente nossa. Os homens da Tombense recomeçaram o jogo, e aí entrou em campo mais um grande astro do nosso time: o terreno baldio atrás do gol. Logo que tomamos a posse da bola, o mesmo Cóia já imendou uma bomba para o terreno. O justo árbitro pediu outra bola ao gandula. O jogo recomeçou e o Russo explodiu mais uma para o terreno, já quase uniformizado. Aí não teve jeito. As bolas acabaram e o juiz teve que acabar o jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Festa, alegria, invasão de campo. Minha invasão de campo. Eu queria tocar naquela grama sagrada do campo de batalha onde assisti a maior partida de futebol da minha vida.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-116551167308668434?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/116551167308668434/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=116551167308668434&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/116551167308668434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/116551167308668434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2006/12/maior-partida-de-futebol-da-minha-vida.html' title='A maior partida de futebol da minha vida'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-116545272904492906</id><published>2006-12-06T21:49:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:58:05.415-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Músicas'/><title type='text'>Versões</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;ou &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Como o autor descobre através de algumas histórias de um dia&lt;br /&gt;qualquer a diferença entre um gênio e um qualquer.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Minha nega,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje o dia não foi lá essas coisas. Logo de manhã, no caminho do trabalho, encontrei Zé Fuleiro. Cumprimentos ralos e ele já começou a me falar de doença. Reclamou que a sorte nunca lhe chega. Disse que está sem mulher e sem dinheiro. Aí então aproveitou e perguntou se eu não dispunha de algum que pudesse lhe dar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do almoço, esbarrei Seu Bento, nega. Bebeu a noite inteirinha. Estava lá, estirado na calçada, com vontade de nada. Coitada da sua mulher, fica esperando o velho até altas horas da madrugada. Dizem que fez promessa pra que ele parasse de beber cachaça. Chegou a pagar, mas depois se arrependeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, agorinha mesmo, quase tropecei em um corpo, nega. Disseram que foi bobagem, que um queria ser melhor que o outro. O pandeiro estava lá do lado. O motivo foi esse. Não foi mulher nem dinheiro. Vê se pode?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se der eu passo aí, nega. Sabe, estou cansado das mesmas palavras na boca, dos mesmos remorsos no peito. Só me resta mesmo o seu sorriso, aquele que você mostra quando me abraça. Sei lá. Queria aprender com você essa forma de viver. As coisas estão no mundo, eu que preciso aprender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Coisas do Mundo Minha Nega&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Paulinho da Viola&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu vim minha nega&lt;br /&gt;Como venho quando posso&lt;br /&gt;Na boca as mesmas palavras&lt;br /&gt;No peito o mesmo remorso&lt;br /&gt;Nas mãos a mesma viola onde gravei o teu nome&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venho do samba há tempo, nega&lt;br /&gt;Venho parando por ai&lt;br /&gt;Primeiro achei Zé Fuleiro&lt;br /&gt;que me falou de doença&lt;br /&gt;Que a sorte nunca lhe chega&lt;br /&gt;Que está sem amor e sem dinheiro&lt;br /&gt;Perguntou se não dispunha de algum que pudesse dar&lt;br /&gt;Puxei então da viola&lt;br /&gt;Cantei um samba para ele&lt;br /&gt;Foi um samba sincopado&lt;br /&gt;Que zombou de seu azar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu vim, minha nega&lt;br /&gt;Andar contigo no espaço&lt;br /&gt;Tentar fazer em teus braços um samba puro de amor&lt;br /&gt;Sem melodia ou palavra para não perder o valor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois encontrei Seu Bento, nega&lt;br /&gt;Que bebeu a noite inteira&lt;br /&gt;Estirou-se na calçada&lt;br /&gt;Sem ter vontade qualquer&lt;br /&gt;Esqueceu do compromisso que assumiu com a mulher&lt;br /&gt;Não chegar de madrugada&lt;br /&gt;E não beber mais cachaça&lt;br /&gt;Ela fez até promessa&lt;br /&gt;Pagou e se arrependeu&lt;br /&gt;Cantei um samba para ele que sorriu e adormeceu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu vim, minha nega&lt;br /&gt;Querendo aquele sorriso&lt;br /&gt;Que tu entregas para o céu&lt;br /&gt;Quando eu te aperto em meus braços&lt;br /&gt;Guarda bem minha viola, meu amor e meu cansaço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim achei um corpo, nega&lt;br /&gt;Iluminado ao redor&lt;br /&gt;Disseram que foi bobagem&lt;br /&gt;Um queria ser melhor&lt;br /&gt;Não foi amor nem dinheiro a causa da discussão&lt;br /&gt;Foi apenas um pandeiro&lt;br /&gt;Que depois ficou no chão&lt;br /&gt;Não tirei minha viola&lt;br /&gt;Parei, olhei, fui-me embora&lt;br /&gt;Ninguem compreenderia um samba naquela hora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu vim, minha nega&lt;br /&gt;Sem saber nada da vida&lt;br /&gt;Querendo aprender contigo a forma de se viver&lt;br /&gt;As coisas estão no mundo só que eu preciso aprender&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ps.: escutem essa música. Só assim a empolgação é completa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-116545272904492906?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/116545272904492906/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=116545272904492906&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/116545272904492906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/116545272904492906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2006/12/verses.html' title='Versões'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-116543286193002456</id><published>2006-12-06T16:20:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:42:31.750-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Uma bengala, um paletó e meu chapéu</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;ou&lt;br /&gt;Quando meu metrô virou uma Maria-Fumaça e eu desci na estação antiga.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Estou apaixonado pelos idos do final do reinado. Fascinado. Principalmente pela vida que se levava na Corte, o Rio de Janeiro. É muito fácil – e prazeiroso -, sem nenhum atraso de controladores, me encontrar em um passeio pela rua do Ouvidor, ouvindo, quieto, as conversas daqueles que são nossos maiores escritores, quando passo em frente à Editora Garnier.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irônico, pois é nessa época que o romantismo literário – este, que embebeda essas palavras – é contestado pelos realistas, que sentem o cheiro dessa grande cidade sem saneamento. Eu não. Isso me torna um pouco mal visto no Hotel Globo. Mas mesmo assim continuo ali, ouvindo, quieto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compartilho da visão do presidente das primeiras reuniões da Academia Brasileira de Letras, a de que nenhuma escola se fecha em si. Os realistas não serão completos se negarem o romantismo. E o contrário também – o que é inadmissível às oposições até hoje. E já o sabia, o gênio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas meus centenários óculos preferem ser românticos. Geralmente frequento os bailes da corte, cheios d’ “esses mil nadas tão necessários ao reino do bom-tom”. O da Ilha Fiscal foi inesquecível, já presentindo a saudade de pouco depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acompanho Machado nas suas idas ao teatro. Surpreendi-me com João Caetano. Apaixonei-me pelas atrizes francesas. Algumas. Acabei me tornando fiel a uma “libertina” brasileira, como Castro Alves. Com este, parto amanhã para São Paulo, e vou espalhar seus poemas e idéias por essa cidade fria, cinza e cafeeira. Me tornei seu amigo da boemia. Infectei-me com a sua tuberculose de princípios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fato é também que discuto muito com Alencar. Muito. Só por que eu ria da sua relação com o rei, Dom Pedro II, aquele filho que é mais velho que o pai. Mas em uma questão eu ajudei o velho d’O Guarani. Contei-lhe do anos 2000. E ele então se opôs à lei da abolição. O que farão os escravos depois de serem libertos? Passarão anos e eles ainda serão socialmente prejudicados. Muitos vão preferir continuar com seus donos. É preciso antes de libertá-los, inserí-los na sociedade. Não os libertem assim. Mas o projeto seguiu, com a mesma atenção de alguns dos dias atuais. Deu no que deu. Mas não mais conversou comigo depois que disse que não poderia ter sido feito diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, encontrei-me no Passeio Público com o adoentado Machado. Disse a ele que acreditava em Capitu, que a amava assim como Bento, mas que não conseguiria conviver com meus medos e me tornaria tão casmurro e sozinho quanto ele. Ele sorriu. E continuou tranqüilo seu caminho. E eu continuei ouvindo, quieto, o bonde elétrico e o motor dos automóveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois disso, voltei. O mundo ficou complicado demais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37900384-116543286193002456?l=conversasempolgadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/feeds/116543286193002456/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37900384&amp;postID=116543286193002456&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/116543286193002456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37900384/posts/default/116543286193002456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasempolgadas.blogspot.com/2006/12/uma-bengala-um-palet-e-meu-chapu.html' title='Uma bengala, um paletó e meu chapéu'/><author><name>Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16278720132867163175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37900384.post-116543277760212273</id><published>2006-12-06T16:17:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T16:58:24.043-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Músicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Shows'/><title type='text'>Meu encontro com O blues</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;ou&lt;br /&gt;A noite em que deus, ou o diabo, brincou de tocar guitarra em São Paulo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Dizem que, ao contrário dos outros blues men, ele não fez pacto com o diabo. Mas eu acredito que os outros é que fizeram pacto com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domingo, dia 3 de dezembro de 2006, quinze para às oito. Enquanto meu pai tomava banho, eu ia pensando no que aconteceria naquela noite. Iríamos ver e ouvir de perto “O blues”. E como todo bom blues, um pouco de drama não iria mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caminho trânsito, muito trânsito. Estavam inaugurando a maior árvore de Natal de São Paulo. E a gente lá, parado, pedindo para o Papai Noel que nos tirasse dali. Olho no relógio, 21:00hs. O show estava começando. O camarada taxista pisando ao máximo, inflingindo toda e qualquer lei de limite de velocidade, sinais vermelhos e ultrapassagens. Enfim, blue assim, chegamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma grande fila nos acalmou, anunciando que o show ainda não havia começado. Encontramos nossa mesa em meio a um mar de gente. Eram todos seguidores. Nós éramos apenas mais dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, uma correria e muitas fotos. A estrela estava no palco. Negra. Brilhante. Silenciosa. Lá estava Lucille, que durante o show receberia muitos beijos e carinhos de seu companheiro maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As luzes se apagaram. Ouvem-se muitos gritos ao mesmo tempo que não se escuta nada. A lenda nos seria contada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sopros, guitarra, baixo e teclado. A banda era excepcional. Entrou e nos convidou a um ritmo irresistível. Em meio à música, eles se apresentam individualmente com o que mais sabiam fazer, seguidos de palmas acaloradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jools Holland, o pianista e apresentador, pega o microfone e apresenta o inapresentável. “Ele é O blues”, disse antes de chamar B.B. King. Aos 81 anos e com um swing surpreendente, ele entrou no palco, com seu paletó
